O dia D

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Amanheceu. Dia 4. Primeiro dia de bilheterias abertas nos pontos de venda e telefone e Internet. Nove da manhã uma voz simpática no telefone agradecia a paciência por sermos o número 55 na fila de espera. E realmente estávamos pacientes… entre copos de suco de laranja, café cheiroso, pão com manteiga, revezando orelhas: 48, passa a geléia? 35, viu isto no jornal? 29, tem mais queijo na geladeira? 15, serve mais um pouco pra mim? 3, agora segura que é a tua vez!

Tudo certo. Nada como uma bela manhã de céu azul para um passeio pela Barra da Tijuca.

Fnac do Barra Shopping. Surpresa! Um único guichê de atendimento e uma única pessoa na fila. Sorrisos largos e suspiros de profundo alívio. Somos os próximos! Uau! A pessoa número um à nossa frente começa a fazer seu pedido.

- Senhorita, eu quero um ingresso para a Tenda do Autores na mesa 1. Agora outro na Tenda Matriz.

A moça demora, a impressora falhou, desculpa-se. Começa de novo. 

- Agora mais dois ingressos para Tenda dos Autores, mesa 2.

A moça sorri. Pede desculpas. O sistema saiu do ar. Pronto. Voltou.

- Um ingresso na Tenda dos Autores para a mesa 3 e outro na Tenda Matriz.

- Mesa 3 na Tenda dos Autores esgotou, diz a garota.

- Ah… deixe-me ver. Puxa! O que faço? Bem, veja-me dois na Tenda Matriz, então.

Assim prosseguiram por aproximadamente quinze minutos. Não havia estresse, nem fila, nem motivo para zanga. Apenas pessoas civilizadas tratando de suas escolhas com a calma necessária para a ocasião. Eu, que tenho a péssima mania de querer ser prática é que fiquei pensando com os meus botões (e os botões dele também) que o ideal seria entregar à funcionária uma tabelinha pronta com o número de ingressos e mesas desejadas. O sistema é lento, a impressora falha, o guichê é um só, mas se a gente colaborar e levar a “cola” de casa pode ser que facilite, né? Tudo bem, deixa pra lá. Coisa de gente implicante como eu, ok, sorry.

Os ouvidos colheram a seguinte informação durante este tempinho de espera: na Tenda dos Autores estão esgotados os ingressos para as mesas 03, 08, 11, 13 e 15. Isso, por volta de 14h no ponto de vendas da Fnac Barra Shopping, Rio de Janeiro. As meninas do atendimento disseram que o movimento mais estressante ocorreu às dez da manhã, assim que a loja abriu, com reclamação de pessoas que alegavam estar lá desde às nove. Bem, mas a loja só abre às dez! Era só telefonar e perguntar, né não? Ouvi alguém dizer: “que gente agitada! parece um evento de rock e não de literatura!”. Fiquei sorrindo. Ingressos na mão, agora é só fazer as malas.

5 Responses to “O dia D”

  1. Silvia Chueire Says:

    Não comprem nada sem falar comigo antes! Ouçam a voz da experiência…
    : )
    Há coisas pra saber destas tendas etc.
    Beijos aos dois,
    Silvia

    Silvia querida,
    Então precisamos conversar. Conte-nos tudo. Não esconda nada!
    Beijos!

    É isso, Silvia!
    Conta tudo, mas os ingressos, já temos para todas as mesas e show se abertura!
    Beijão!

  2. Fátima Says:

    Eu também era uma das pessoas que na manhã desta segunda-feira era a nº 50 alguma coisa. Esperei até ser a nº 44. Mas como tinha que sair pra trabalhar e ainda por cima a ligação era interurbano, optei por desligar o telefone e - ao que parece - ir pra Flip sem nenhum ingresso garantido mesmo. Ah, onde moro não tem nenhum posto de venda.

    Fátima,
    Não perca as esperanças. Há um zunzunzum maior do que a coisa é de fato. Provavelmente vc ainda vai conseguir comprar seus ingressos, senão antecipado, lá mesmo na bilheteria da Flip. No ano passado fiquei sem ingresso para uma mesa que eu queria muito, estava esgotado, disseram. Então encontrei lá um casal de amigos que havia comprado ingressos para a tal mesa na própria bilheteria da Flip, ali… na hora! Não tente entender, mas confie. E não perca a festa!
    Beijos!

  3. André Says:

    Já estamos às vésperas da FLIP, mas gostaria de abordar o problema da oferta dos ingressos. Percebi que as queixas foram constantes, seja qual tenha sido o ponto de venda, se no balcão, na internet ou no telefone. Quero falar do problema que constatei no ponto de venda da Livraria da Vila em São Paulo, e que se relaciona ao atendimento diferencial aos idosos. Acredito que as leis que concederam um atendimento diferenciado aos idosos tiveram o justo propósito de poupá-los da espera por vezes demorada em filas de serviços bancários, em repartições públicas ou em atendimentos médicos ou previdenciários. Nada mais justo, dadas suas condições físicas e aos longos anos de contribuição que forneceram à sociedade.
    Diferente, porém, é a situação em que se quer participar em eventos com vagas limitadas, como é o caso da FLIP. Nesse caso, cada um que desfruta de um atendimento preferencial estará subtraindo o direito de outro que pretendia participar das atividades, e que de repente estará sendo passado para trás. O Brasil é um país onde o incentivo à leitura deve ser direcionado para os jovens; se alguma faixa etária deveria ser privilegiada, deveria ser essa.
    Esclareço, finalmente, que não tenho nenhum motivo pessoal para externar essa manifestação, uma vez que fui o primeiro da fila, e como tal não fui precedido por ninguém. Não posso deixar de pensar, entretanto, na decepção daquele que deixou de adquirir seu ingresso enquanto seu vizinho ao lado conseguia adquiri-lo; e como cada adquirente tinha direito a dois ingressos, não se sabe se esse segundo ingresso seria realmente direcionado a um idoso.
    Sugiro que a organização das vendas reflita sobre isso para o próximo evento, nem que seja para comprovar a titularidade do outro CPF.

  4. ane aguirre Says:

    André,
    Teu comentário foi assunto, cá entre os autores deste blog. E rende muito mesmo. É complicado, mas acredito que você tem inteira razão. E o que é pior: neste angu tem mais caroço. :(

  5. Números e o lugar comum | FLIP 2009 Recortes Says:

    [...] 2007, a venda de ingressos foi anunciada para começar no dia 04 de junho. No dia da venda (pela operadora de sempre), pode-se perceber com clareza o mesmo tipo de situação apresentada [...]

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