Retomando a questão dos ingressos

Participando de comunidades relacionadas a FLIP, vemos que há uma reclamação geral sobre o sistema de venda de ingressos. Todo ano é a mesma coisa. Começa com um certo “terrorismo” dos que participaram das edições anteriores, seus relatos sobre a dificuldade de se comprar ingressos, seja via internet ou telefone. Reações diversas de indignação, especulações sobre o como esses ingressos desaparecem são constantes. Uma das mais comuns é achar que a maior parte dos ingressos é distribuída para amigos, convidados e jornalistas. Não é bem assim. Basta ler as informações da página Seja Patrono da FLIP para se descobrir que todos os ingressos são comprados. Onde se lê “ingressos cortesias” deve-se entender “preço incluso nas quotas de patrono”. A falta de clareza no site oficial aliada a uma leitura muito focada por parte dos interessados em participar do evento favorece esse clima que se estabelece.

O fato é que a Tenda dos Autores possui apenas 840 lugares e a Matriz, 1200. Cada Patrono Amarelo contribui anualmente com US$4.348,00 (R$ 10.000,00) e recebe 80 ingressos, sendo quatro para cada mesa além de poder adquirir mais 40, dois por mesa. Com isso, cada Patrono Amarelo ocupa seis lugares por mesa. Supondo que a FLIP possua dez Patronos Amarelos, o que não acredito, seriam no máximo 60 lugares ocupados por mesas.

Utilizando o mesmo raciocínio, cada Patrono Verde (de US$2.173,00 a US$4.347,00 anuais) recebe 40 ingressos, dois por mesa; pode adquirir mais 40, dois por mesa. São quatro lugares por mesa. Novamente supondo a existência de dez Patronos Amarelos, o que também não acredito, teríamos 40 lugares.

A maior parte dos patronos da FLIP são as editoras. É claro que elas querem estar presentes ao evento mas devido a custos de locomoção, estadia etc, fica difícil crer que elas levariam para a cidade um número de maior de convidados do que os quatro já incluídos na quota. Mas admitindo que metade delas o façam e dentro do exercício proposto acima, chegamos a cerca de 70 lugares ocupados por mesa.

A novidade deste ano é que jornalistas não têm mais acesso liberado nas tendas Matriz e Autores. Segundo a assessoria de imprensa da FLIP, “a imprensa terá uma cota mínima de convites que será distribuída, da melhor forma possível, em sistema de rodízio”. Dessa forma, quem for para a  FLIP a trabalho e quiser garantir a presença em todos os eventos, deverá comprar os convites. Se por um lado isso diminui a quantidade de ingressos disponíveis para quem quer apenas assistir, melhora na organização do evento. No ano passado era grande a quantidade de jornalistas e fotojornalistas presentes e muitos deles acabavam sentando no lugar dos convidados ou do público, provocando a superlotação. Acredito que a medida foi acertada.

Some-se a isso alguns lugares ocupados pelos organizadores, escritores/debatedores e talvez cheguemos a 20% da lotação da Tenda dos Autores, não mais. Resumindo, para cada mesa, temos aproximadamente 670 ingressos disponíveis para venda. Parte deles será vendida na bilheteria da FLIP. Por isso acabam muito rapidamente no site. Sendo um número tão pequeno, tenho tendência a achar que nem deveria haver venda antecipada ou se houver, que seja aberta por um ou dois dias no máximo, já que os ingressos se esgotam nas primeiras horas. Mas de que outra forma essa venda poderia ser feita? Não esqueçamos que a FLIP não é um evento do Estado do Rio ou do Brasil. É um evento internacional. Essa logística é complicada. Não dá para deixar a venda apenas na bilheteria, sem pensar que talvez todos os interessados em comprar pelo site da Ingresso Rápido, fossem para Parati. Nem o evento nem a cidade comportariam esse público. Nessa parte dos ingressos, infelizmente vale a Lei do Oeste. Quem sacar a arma mais rápido, leva. E a arma é o cartão de crédito.

Mas a FLIP não se resume à Tenda dos Autores. A FLIP, como o próprio nome avisa, é uma Festa Literária. É um estado de espírito que toma conta e inebria a cidade inteira. Encontramos autores caminhando pelas calçadas do Centro Histórico, bares e restaurantes, conversamos com eles, vemos os poetas de rua e manifestações artísticas de toda ordem. Além do mais, quase sempre é possível chegar na bilheteria um pouco antes de determinada mesa e encontrar aquele ingresso que tanto se desejava.

Meu conselho: Vá para a FLIP sem estresse! E se não houver lugar na Tenda dos Autores e se não houver lugar na Tenda Matriz, sente-se nas calçadas em volta da Tenda Matriz e assista no telão, de graça. Não há quem tenha ido a uma FLIP e não queira estar presente na próxima.

2 Responses to “Retomando a questão dos ingressos”

  1. ane aguirre Says:

    Sobre os patronos e amigos é importante ressaltar que eles contribuem financeiramente e são essenciais para a realização da Flip. De acordo com o programa da Flip 2006, eram cinco os patronos amarelos:

    Carmo e Jovelino Mineiro Filho,
    Fernão Bracher,
    Paulo Bilynk,
    Guiherme Peirão Leal e
    Roberto Irineu Marinho

    E doze os patronos verdes:

    Alina e Michael Perlman,
    Amy Irving,
    Berenice Vilela de Andrade,
    Beatriz Bracher,
    Centro de Educação Infantil Jabuti,
    Elizabeth Dias,
    Hugo Barreto,
    John e Pamela Holmes,
    José Kalil Filho,
    Pedro Carvalho,
    Marly e Thomas Farkas e
    Thomaz Souto Correa.

    Além de uma lista com nomes de trinta e sete Amigos da Flip.

  2. Números e o lugar comum | FLIP 2009 Recortes Says:

    [...] ao número de ingressos oferecidos, temos uma explicação (graças ao bom trabalho da assessoria de imprensa que trabalhou para a FLIP em 2007 ) que nos dá [...]

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