Bia Lessa
Beatriz Ferreira Lessa (São Paulo SP 1958). Diretora. Destacada encenadora que, paralelamente a Gerald Thomas, encabeça o teatro de imagens dos anos 80. Estuda n’O Tablado. Estréia como atriz em Maroquinhas Fru-Fru, de Maria Clara Machado, com direção de Wolf Maya. Com Gilda Guilhon e Daniel Dantas, monta o Carranca, núcleo de teatro de rua político, que apresenta na Rocinha Zona do Agrião, adaptação de Senhor Puntilla e Seu Criado Matti, de Bertolt Brecht. Em 1981, atua em Nelson Rodrigues - O Eterno Retorno, de Antunes Filho, com quem trabalha por dois anos. Já no Rio de Janeiro, faz sua primeira direção em A Terra dos Meninos Pelados, 1983, adaptação para obra de Graciliano Ramos, que se torna um acontecimento do teatro infantil daquele ano. Em seguida, dá seu primeiro passo na direção de um teatro de pesquisa, que caracterizaria a fase mais fecunda de seu trabalho e que está em parte vinculada ao teatro do Sesc da Tijuca, onde a diretora realiza oficinas, ensaia e faz temporadas durante cerca de quatro anos. Nos títulos dos espetáculos, a palavra Ensaio marca a idéia de experimentação. Ensaio nº 1, 1984, é inspirado no texto A Tragédia Brasileira, de Sérgio Sant’anna, e o espetáculo seguinte, Ensaio nº 2 - O Pintor, 1985, adaptação do livro Sete Cartas e Dois Sonhos, de Lygia Bojunga, escrito sob inspiração de pinturas de Tomie Ohtake. Em 1986, à frente do espetáculo de formatura da Casa das Artes de Laranjeiras, CAL, encena Ensaio nº 3 - Idéias e Repetições - um Musical de Gestos, uma coletânea de textos de Jorge Luis Borges, Lygia Bojunga e Julio Cortázar, que lhe vale o Prêmio Molière de melhor direção - o primeiro conferido a uma mulher. Pela primeira vez a diretora não parte de uma obra literária. O espetáculo, com poucas palavras e a trilha sonora constante de Caique Botkay, procura mergulhar no tempo entre a chegada e a partida, metáfora de início e fim. Várias histórias paralelas são contadas em fragmentos, unidas pelo lugar onde se dão os encontros e as separações. A partir dos anos 90, torna-se artista múltipla, trabalhando em cinema e realizando curadorias e cenografias para eventos de artes plásticas e decoração.
Fonte: Itaú Cultural
Fotografia: Cora Rónai







