Archive for the ‘Impressões FLIP’ Category

Na Tenda dos Autores

sexta-feira, julho 13th, 2007

Fiz esta foto enquanto o J. M. Coetzee, diante de um auditório completamente lotado, fazia uma leitura de um trecho de 26 páginas do seu próximo livro, Diário de um ano ruim, ainda sem data de lançamento no exterior, que dirá, no Brasil. Sul-africano, Coetzee tem a aparência um lorde inglês. E se comporta como tal. Portanto, os vinte minutos concedidos aos fotógrafos dentro da tenda, no caso específico de Coetzee, se transformam numa eternidade. Fiz cerca de quinze fotogramas dele. A diferença sensível entre eles é que uns são horizontais e outros verticais. Coetzee mantém a mesma pose, mãos apoiadas no pedestal com o texto, voz firme e calma. Muito calma. Então virei meu foco para a platéia e fiz algumas fotos. Entre elas, esta. Não, não é o cara da Richard’s. É o Alan Pauls, autor convidado, sentado no chão. Acho que ele jamais poderia estar sentado ali. Mas se não estivesse, não haveria a foto.

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Um beijo

quinta-feira, julho 12th, 2007

A leitura da peça Um Beijo No Asfalto feita por autores e dirigida por Bia Lessa foi um dos pontos altos da V FLIP. Arrancou boas risadas do público e provocou espanto diante de atuações realmente surpreendentes como a de Silviano Santiago na pele do jornalista Amado Ribeiro ou a de Jorge Mautner, ora como Delegado Cunha, ora como violinista. Além deles, encarnaram os personagens de Nelson Rodrigues ou colaboraram com outras leituras: Sergio Sant’Anna, André Sant’Anna, Carlito Azevedo, Nelson Motta, Liz Calder, Flora Süssekind, Angela Leite Lopes, Suzana Macedo, Adriana Armony, Chacal e Veronica Stigger. Para completar, três bateristas da banda “Os ritmistas” interagiram com os diálogos e a harmonização do cenário contou com a elaboração de imagens do fotógrafo Miguel Rio Branco.

Aqui, algumas imagens e diálogos para guardar.

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Leitura de um depoimento de Nelson Rodrigues, por um dos ritmistas.

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Leitura de Carlito Azevedo.

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Diálogo entre os personagens (Selminha, Aprígio e Dália).

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Na Delegacia, atuação de Liz Calder.

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Na Delegacia, depoimento de Arandir.

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Poema de Bishop

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Entre irmãs

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Arandir se explica

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Amado Ribeiro e a viúva

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Leitura de texto de Coetzee

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Delegado e Dona Selminha

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Falando em português claro

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Depoimento sobre a última peça de Nelson Rodrigues

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Magrinha…

OFF-FLIP fez bonito!

quinta-feira, julho 12th, 2007

A OFF-FLIP é um circuito paralelo de idéias que nasceu da necessidade de se criar um espaço de integração e manifestação da sociedade local e de expansão de contatos culturais e artísticos durante a FLIP. Havia, à época das primeiras edições da FLIP, uma idéia que esta era uma festa elitista e não privilegiava os jovens autores, os autores locais e a população de Paraty. Esta idéia, se já não é de todo verdadeira, pelo menos no que diz respeito à elitização, continua valendo. Basta ver o porte do evento e imaginar o volume financeiro envolvido para empregar pessoas, pagar passagens e estadia de autores e familiares, montar tendas enormes, aluguel de equipamentos, livraria, cafeteria etc. Quem conseguiu os 21 ingressos para a Tenda dos Autores desembolsou R$ 483,00. Na Tenda Matriz, R$ 105,00. No conjunto, não são exatamente preços populares.

Aí surge a OFF-FLIP com seus quatro mosqueteiros - Lia Capovilla, Ovídio Poli Junior, Maria Luiza de Faria e Marilia van Boekel Cheola - tirando leite de pedra. Com uma verba cada vez mais curta vinda do único patrocinador, a Prefeitura de Paraty, esta mesma Prefeitura que não consegue levar luz aos bairros da periferia, a OFF trabalha com garra e amor.  Na sede com menos de 8m2, uma mesinha, duas ou três cadeiras, um telefone, um arquivo, uma pequena estante com livros dos autores, algumas prateleiras e material de divulgação.  E nenhum computador. A verba dessa edição foi tão curta que nem um microcomputador conseguiram colocar. Mas havia a educação, o sorriso, a boa vontade, a prestreza, a energia de Ovídio, Marilia, Maria Luiza e Lia. E com esses ingredientes e quase nenhum dinheiro, fizeram bonito, espalhando quatorze eventos pela cidade, treze deles com entrada franca, com destaque para a Tribuna OFF, um espaço coletivo para leitura de contos e poemas de escritores convidados, performances individuais e coletivas; o Sarau Literário dedicado ao ator, dramaturgo, artista plástico, professor e radialista Themilton Tavares, personagem notável e querido de Paraty e as mesas de debate com os escritores da editora Língua Geral, que reuniu Mauro Sta Cecília e Miguel Gullander falando sobre literatura e música (mediador: Ney Lopes), Ana Paula Maia e Christiane Tassis conversando sobre A Escrita na Era da Imagem (mediador: Belisário Franca) e finalmente, diante de um auditório lotado, Os Caminhos da Nova Ficção Africana em Língua Portuguesa - Cosmopolitanismo x Tradição foi o tema da terceira e última mesa, que gerou um excelente debate entre José Agualusa, Mia Couto e o mediador escritor Nelson Saúte.  Em função do número pequeno de lugares, à imprensa, foram reservadas senhas para que ninguém ficasse sentado no chão. Não houve qualquer restrição a cinegrafistas e fotógrafos que tiveram total liberdade dentro do ambiente. Em momento algum vi ou ouvi reclamações do público. E nem movimentação inadequada dos que ali estavam documentando o evento.

OFF-FLIP - Mesas da Editora Lîgua Geral

Uma pergunta que me inquieta: Por que a FLIP não destina uma pequena parte da verba que arrecada para a OFF? Quem vê de fora fica com a impressão que a OFF é tratada pela organização da FLIP como uma manifestação contrária. Como um movimento dos sem FLIP. Mas não é. As duas se complementam. A OFF chega aonde a FLIP não consegue ir. Leva a literatura, a poesia aos botequins, aos cafés e às ruas. Não conheço ninguém que vá a Parati para ver apenas a FLIP das tendas. Vão para ver de tudo um pouco. Tem gente que vai para ver o movimento, pela ótima pinga, para ver a cara dos gaiatos do Bagatelas. Acho que já está mais do que na hora da grande Casa Azul pensar nisso. Ganharemos todos nós.

Para o pessoal da OFF, parabéns, sucesso e muito obrigado!

Sobre homens, lagartixas e febre.

quinta-feira, julho 12th, 2007

De volta, mas ainda com malas por desfazer e gripe para curar. Ainda vamos, aos poucos, distribuindo por aqui nossas impressões de viagem. Logo abaixo eu li o “Momento autoral” do Sergio e concordo com ele: a equipe da Lu Fernandes teve desempenho impecável, os vermelhinhos foram educadíssimos, ainda que tivessem a difícil tarefa de cumprir leis e pedir desculpas por elas. Nada a reclamar da programação brilhante, tudo a agradecer ao Cassiano Elek e Liz Calder, pessoas visivelmente comprometidas com o bem estar de todos e com a elegância da Festa.

Em Paraty algumas coisas foram mais difíceis do que imaginei a princípio. Assumo parcela gorda de culpa: achar que podia estar em todas as mesas e em todas as programações paralelas e ter intervalos para comer, fazer xixi, tomar banho e beber água. Utopia. Eu, na verdade, nem achei que podia, apenas não pensei a respeito. Fui para fazer tudo. E quis fazer tudo. Também não imaginei a temperatura altíssima durante o dia e o despencar vertiginoso durante a noite. No segundo dia eu tombava por nocaute. E havia as parcelas de culpa que não eram minhas, mas suponho não saber a quem endereçá-las.

Uma coisa eu tenho que dizer sobre o trabalho dos fotógrafos durante a V FLIP: se qualquer um de nós, humanos comuns, encontrar por aí em jornais e sites e revistas… alguma boa foto de algo que tenha acontecido durante as mesas na Tenda dos Autores, devemos parabenizar o autor da foto pelo talento, ousadia, paciência, criatividade e flexibilidade. Ah! Principalmente isto: flexibilidade. Exceção aqui para uns dois ou três profissionais oficiais do evento que tinham direito e dever e uma certa liberdade de espaço. Aos demais fotógrafos, pela primeira vez (que eu saiba) foram reservados espaços nas laterais (ao lado da plataforma em que se apresentam os autores, antes do balcão rosa-sei-lá-o-quê, aliás, um detalhe arquitetônico totalmente dispensável). Espaços no chão, claro. Eles escorregavam e engatinhavam ocupando um limite de aproximadamente um metro e meio por dois. Como lagartixas, precisaram exercitar a gentileza e a cordialidade entre si para que todos tivessem sua chance de capturar alguma imagem nos vinte minutos permitidos. Acabado o tempo limite, supunha-se que deveriam escorregar novamente pela saída lateral da Tenda. Pela lógica da FLIP (e, juro: eu não sei quem é essa pessoa) um fotógrafo não pode ser ao mesmo tempo uma criatura que lê, que compra ingressos, que assiste ao evento. Ou você é fotógrafo ou você é público. Bem, ao público são destinadas as cadeiras (menos as das três primeiras fileiras, essas são reservadas aos que as merecem por motivos vários), mas ao público não é reservado o direito de sacar e engatilhar uma camerazinha digital para fazer fotinhos amadoras dos seus autores preferidos. Então, seguindo a lógica do “ou você é fotógrafo, ou você é público, ou você é merecedor”, sendo fotógrafo você faz o que pode fazer e se manda; sendo público, você compra seu ingresso e entra na fila e acomoda-se numa cadeira disponível: sem essa de pensar em fotos (que bobagem é essa de todo mundo agora ter uma câmera digital? até parece! se continuar assim até o auxiliar do pedro-pedreiro vai se sentir feliz por poder mostrar que esteve na Tenda dos Autores olhando de longe para o Ishmael Beah, onde já se viu?).

Ta bom. Eu estou errada. Devo estar. Estou fazendo alguma ironia ridícula sobre um assunto sério. Ou não? A Festa é para olhar e ouvir, não para fotografar. É óbvio.

Eu sei. Quando estive no show do Chico e em outros tantos, acho que ouvi alguém dizer no autofalante sobre não usar flash, ou não fotografar, ou não filmar, sei lá… mas nunca vi em lugar algum um cinturão de pessoas vestindo camisas vermelhas para impedir ou tentar impedir que aquelas criaturas (que eu considero inofensivas com suas compactas) saquem suas armas e atirem contra o palco. Foi o que vi na V FLIP. Posso estar errada. Não: tenho que estar errada! Preciso estar errada. Mas a imagem não era bonita.

Se eu fiquei espantada com o lugar dos fotógrafos, fiquei mais espantada ainda com o lugar do leitor numa Festa de Literatura. Fiquei pensando em Barthes e no seu polêmico “A morte do autor” naquele tempo em que se começava a refletir mais sobre a importância do texto literário, provocando um deslocamento importante no que se tinha por supremacia e verdade, até o surgimento das teorias de efeito e recepção que jogariam luz sobre a figura do leitor. Eu sei, foi a gripe e a febre que embaralharam meus pensamentos e eu fiquei delirando noites e dias sobre algo como “a morte do leitor”, um novo deslocamento que viria para confirmar que a literatura é feita de escritores e suas obras – o que nos desobrigaria de questões a respeito do porquê se lê tão pouco. Delírio meu. Impressão que tive durante a festa, imaginando que se a figura do leitor fosse mesmo importante, deveríamos pensar em proibir o autor de fotografar seu público. É, estou mesmo com febre.

Mia Couto sorriu para mim e me disse: bom dia. Guilhermo Arriaga mostrou-me um espelho ao sol. Não há morte do leitor enquanto houver literatura feita por gente de carne e sangue.

Eu obedeci (quase sempre) às regras da FLIP como leitora (guardei na bolsa o crachá cinza) e como pessoa comum que compra seus ingressos, paga por seu deslocamento, compra livros, paga hospedagem e alimentação, encontra amigos no bar, conhece pessoas na fila, toma café sentada na escada. O que eu não sei ainda é quem é a FLIP das regras; tampouco entendi suas razões. Mas ouvi dizer que alguém vai conversar com a FLIP e que na sexta edição estaremos todos vivos e felizes: jornalistas, escritores, fotógrafos, assessoria de imprensa, diretores, organizadores, povo de Paraty, e o leitor portador de uma “maquininha falcatrua” que não faria mal a um passarinho.

Mesa 1

quarta-feira, julho 11th, 2007

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Abrindo a Mesa 1, Cassiano Elek Machado mostrou-se satisfeito por iniciar a FLIP com uma mesa de escritores jovens. Ele passou a mediação à Beatriz Resende, pesquisadora, professora da Escola de Teatro UNIRIO, pesquisadora do programa avançado de cultura contemporânea da UFRJ que, nos últimos anos, vem acompanhando escritores mais jovens e preparando um ensaio que deve sair ainda este ano, chamado Contemporâneos. Ela vem se debruçando sobre o trabalho dos jovens autores que fazem parte de uma geração que a partir do início do século vem apontado para mais uma nova etapa de renovaçõo da literatura brasileira e questiona como podemos fruir desses textos tão instigantes. Segundo Bea, a literatura se encontra num momento particularmente interessante, marcada pela multiplicidade de vozes, tons, experiências sobre limites e rupturas de limites dos gêneros literários, do papel como veículo já que a maioria dos novos autores transitam pelo espaço virtual, mas também sobre a ruptura do limite entre a palavra e a imagem, a escrita e a ilustração. Apesar da multiplicidade, certos temas aparecem com freqüência: o das identidades em crise e o paradoxal fascínio e temor que a vida das grandes cidades causa. Há em todos, enfim, um certo toque do trágico. Aqui, as vozes dos convidados, Cecília Giannetti, Fabrício Corsaletti e Verônica Stigger.

Apresentação de Cecília Giannetti:

Trecho de “Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi”:

Fabrício Corsaletti, apresentação e poemas:

Veronica Stigger, apresentação:

Cecília Giannetti - o trabalho:

Cecília Giannetti - Berlim:

Veronica Stigger - do início até Bogotá:

Fabrício Corsaletti - sobre suas publicações:

Momento autoral

quarta-feira, julho 11th, 2007

Na foto, eu (à direita) e um dos muitos seguranças que blindaram a entrada dos fotógrafos e cinegrafistas na Tenda dos Autores. Extremamente gentis e profissionais, mesmo que já conhecessem o seu rosto e tivessem visto você entrar e sair diversas vezes daquela fresta, diziam: “Sinto muito, você não pode entrar, aguarde alguém da assessoria de imprensa”.

Aproveito o post para parabenizar toda a equipe da Lu Fernandes, que se desdobrou para tentar desengessar regras toscas a que fomos submetidos nessa edição da FLIP, tendo conseguido alguma melhoria no tempo de acesso e locomoção dentro da tenda. Na mesa final, em nome dos fotógrafos presentes, conseguiu fazer com que se trocasse o layout absurdo das cadeiras e microfones, que prejudicava qualquer tentativa fotográfica e mesmo a visão do público, que aplaudiu a mudança. Espero que no próximo ano, Lu, Ivani (tudo i), Ana Paula e Pedro possam ter mais tempo para produzir matérias ao invés de ficar conduzindo pessoas para dentro e para fora da tenda.

Momento Autoral
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Ilustração: Ishmael Beah passeando em Parati.

terça-feira, julho 10th, 2007


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Mariana acendeu nossos sorrisos após a viagem de volta.

Vejam o tanto de cor que ela tem a dizer, enquanto a gente desfaz as malas e bota algo no estômago para sentar aqui e contar tudo, tudinho.

Paraty, 07-07-2007

domingo, julho 8th, 2007

Outro dia agitado. Gostei muito das mesas 11, 12, 14 e 16. A mesa 13 teria sido melhor se a conversa com Alan Pauls não se realizasse com uma psicanalisa. Maria Rita Kehl disse que tentaria falar do livro sem contar a história dele. Nem precisava, ela fez o que não se deve fazer. Explicou o livro. Falou sobre os personagens, sobre o narrador, suas características, fragilidades, sobre a traição. A mesa 15, com a estrela da festa, J. M. Coetzee foi a mais concorrida (E a mais sonolenta também). Tão concorrida que Alan Pauls ficou sentado no chão. Ele e muita gente que pagou para entrar e assistir em cadeiras confortáveis. Achei muio estranho. Até então os únicos privilegiados com um lugar ao chão éramos nós, os fotógrafos. Ainda bem que fotografar o Coetzee é fácil. Ele ficou lá, de pé, estático, quase um modelo vivo. Limitou-se a ler um trecho enorme do seu próximo livro que não foi lançado nem no exterior.

A mesa 16 foi surpreendente e merecerá um post específico mais tarde. “Um beijo”, leitura de “O Beijo no Asfalto”, dirigida por Bia Lessa, com escritores e músicos no lugar de atores arrancou aplausos e risos do público. Silviano Santiago deveria ganhar um Oscar de crítico literário-escritor-ator revelação com sua performance como o repórter Amado Ribeiro.

Outro post a parte será com uma série de fotos das escritoras Ahdaf Soueif e Kiran Desai aprendendo e interferido na cozinha caiçara com Almir Tan na Cookin School. A idéia foi do pessoal do British Council, que gentilmente me convidou a ir junto fotografar.

Mesa 11 - Marco Antonio Braz, Nelson Mota, Leyla Perrone-Moisés e Nuno Ramos
FLIP: Mesa 11 - Marco Antonio Braz, Nelson Mota, Leyla Perrone-Moisés e Nuno Ramos.
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Mesa 12 - Carlito Azevedo, César Aira e Silviano Santiago
FLIP: Mesa 12 - Carlito Azevedo, César Aira e Silviano Santiago.
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Mesa 13 - Samuel Titan, Maria Rita Kehl e Alan Pauls
FLIP: Mesa 13 - Samuel Titan, Maria Rita Kehl e Alan Pauls.
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Mesa 14 - Dorrit Harazim, Lawrence Wright e Robert Fisk
FLIP: Mesa 14 - Dorrit Harazim, Lawrence Wright e Robert Fisk.
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Mesa 15 - J.M. Coetzee
FLIP: Mesa 15 - J.M. Coetzee.
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Mesa 16 - Bia Lessa, coordenando a ótimaleitura 'Um Beijo'
FLIP: Mesa 16 - Bia Lessa, coordenando a ótima leitura ‘Um Beijo’.
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Mesa 16 - Silviano Santiago, ator revelação na montagem de Bia Lessa
FLIP: Mesa 16 - Silviano Santiago, ator revelação na montagem de Bia Lessa.
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As escritoras Ahdaf Soueif e Kiran Desai aprendendo a arte da cozinha caiçara com Almir Tan.
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Fotos: Sergio Fonseca

Mais Literatura

sábado, julho 7th, 2007

Continuamos aqui na correria. O tempo é curto para muitas coisas a fazer. Manter a atualização do blog, por conta disso, está muito difícil. A conexão internet via rádio em Paraty parece acompanhar o ritmo das charretes que passeiam pela cidade. As fotos abaixo são das mesas de 3 a 10. Fiz algumas centenas de fotos mas ao menos nesse momento, tenho que escolher apenas algumas como registro. Temos vídeos de palestras, Lobão tocando, mas tudo isso, só ao voltar para o Rio.

Além dos eventos da FLIP, ontem cobrimos três ótimas mesas da OFF-FLIP com a Editora Língua Geral: Literatura e Música, com Mauro Sta Cecília e Miguel Gullander, mediada por Ney Lopes, A Escrita na Era da Imagem - ou de como o cinema mudou a literatura, com Ana Paula Maia e Christiane Tassis, cediada por Belisário Franca e por último, Os Caminhos da Nova Ficção Africana em Língua Portuguesa - Cosmopolitanismo X Tradição, com Agualusa e Mia Couto mediada por Nelson Saúte, quem conduziu e manteve um “debate em alto nível”, apesar das histórias divertidíssimas contadas por Agualusa e Mia Couto. Depois falaremos mais a respeito e publicaremos fotos, pois agora o tempo é curto. Ficamos realmente muito felizes em ver a Casa da Cultura lotada, com muita gente de pé e o esforço dos organizadores da OFF.

Mesa 3 - Marco Antonio Braz, Augusto Boal e Eduardo Tolentino
FLIP: Mesa 3 - Marco Antonio Braz, Augusto Boal e Eduardo Tolentino.

Mesa 4 - Arthur Dapieve, Jim Dodge e Will Self
FLIP: Mesa 4 - Arthur Dapieve, Jim Dodge e Will Self.

Mesa 5 - Angel Gurrá-Quintana, Kiran Desai e José Eduardo Agualusa
FLIP: Mesa 5 - Angel Gurría-Quintana, Kiran Desai e José Eduardo Agualusa.

Mesa 6 - Cassiano Elek Machado, Ruy Castro, Paulo Cesar de Araújo e Fernando Morais
FLIP: Mesa 6 - Cassiano Elek Machado, Ruy Castro, Paulo Cesar de Araújo e Fernando Morais.

Mesa 7 - Ángel Gurrá-Quintana, Ahdaf Soueif e Ana Maria Gonçalves
FLIP: Mesa 7 - Ángel Gurría-Quintana, Ahdaf Soueif e Ana Maria Gonçalves.

Mesa 8 - José Eduardo Agualusa, Mia Couto e Antônio Torres
FLIP: Mesa 8 - José Eduardo Agualusa, Mia Couto e Antônio Torres.

Mesa 9 - Marçal Aquino, Dennis Lehane e Guillermo Arriaga
FLIP: Mesa 9 - Marçal Aquino, Dennis Lehane e Guillermo Arriaga.

Mesa 9, aplaudidos de pé
FLIP: Mesa 9, aplaudidos de pé.

Mesa 10 - Angel Gurrá-Quintana, Nadine Gordimer e Amós Oz
FLIP: Mesa 10 - Angel Gurría-Quintana, Nadine Gordimer e Amós Oz.

Coletiva com Guilhermo Arriaga
FLIP: Coletiva com Guilhermo Arriaga.

Coetzee nas ruas
FLIP: Coetzee nas ruas.

Fotos: Sergio Fonseca

Sobre tudo de bom (antes de eu ir para a OFF)

sexta-feira, julho 6th, 2007

Não me deixem esquecer de falar sobre os tudo de bom. Especialmente da mesa 1 e 2 que fizeram minha paciência voltar para o lugar e minha alegria de estar aqui ser mesmo de verdade. Não me deixem esquecer de contar sobre o quanto é linda e querida a Marília da OFF. Não me deixem deixar de contar o mar (a ressaca dos olhos) diante da coletiva do Arriaga e da mesa 9 partilhada com Dennis… my god, se eu não souber contar, me matem. Com um furador de gelo, por favor.

E tem mais. Mas eu vou contar! 

Hoje, noite de sexta-feira…

sexta-feira, julho 6th, 2007

Pois é, vou escrever aqui, creiam-me: estou viva. Saí da fila dos autógrafos, perdi a mesa de Nadine (juro) e agora consegui entrar na sala de imprensa: com computadores disponíveis e conexão razoável! Não é incrível? Mas, não vou tagarelar muito, não. Dentro de 20 minutos as ótimas mesas da maravilhosésima OFF FLIP me esperam. Não posso fazer queixa da falta de tempo. Veja bem, quando digo “não posso” não estou dizendo que mandaram a gente não falar a respeito, nem que mandaram ou desmandaram qualquer coisa. Longe de mim dizer algo semelhante. As regras aqui são de brincadeirinha. Eu demoro a descobrir as coisas, mas até o final da FLIP vai cair a minha ficha. Tem que cair. As regras são a parte divertida (vou contar melhor, prometo). Uma das coisas engraçadas é este tipo de informação que sai por escrito muito bem clara: “proibido fotografar fulano”. Aí eu tomo um quase nojo da cara do fulano e quando o encontro, lá está ele lindo-leve-serelepe-sorridente fazendo fotos ao lado dos seus leitores e fãs, fazendo pose para os fotógrafos amadores e para os jornalistas. E a minha cara de otária fica a perguntar para os meus botões imbecis de onde saiu a notícia oficial? Não sei. Tem muita coisa por aqui que eu não explico. Acho que a FLIP é algo da minha imaginação, não é de verdade. É literatura.

Antes da Mesa 1

quinta-feira, julho 5th, 2007

sejamos práticos
e sinceros
orelha nenhuma tem que ser bonita
têm que ser simpáticas
ou inteligentes

as suas são do primeiro tipo

(Fabrício Corsaletti)

Parece que é simples assim: chegar, acomodar as malas, calçar algo adequado para as ruas de pedras e sair pelas calçadas de sol e janelas sorridentes. Não é. Para mim, ao menos. Tem o método, o desapego dos dias de ontem, o telefone que chama mais do que anteontem, a conexão imperfeita nas salas de máquinas que faz parecer falha qualquer comunicação. Também é falso. A comunicação não pode ser falha em um lugar de livros que se balançam em árvores, entre crianças que vasculham linhas com olhos arregaladamente interessados. De verdade. Passei por uma que dizia à professora: “preciso vir de crachá amanhã? então vou dormir com ele para não esquecer”. Sorri até o canto de minhas orelhas imperfeitas imaginando que Corsaletti deveria avaliá-las melhor antes da dedicatória que vou pedir justamente nesta página. Sim, já fiz a dobra na 149 e faço questão agora de orelhas de um segundo tipo.

Não é simples, não. Mas há aqui um prazer ora festivo, ora melancólico. E há uma porção de coisas únicas: que só a FLIP faz por você. A gente ri de algumas dores nos pés e outras em lugares indizíveis (e aqui eu não me refiro – ainda – à literatura de Stigger). As coisas mudam e não mudam de verdade. Há uma vontade, a gente sente – e não mentem os olhos esperançosos de Cassiano, nem a água azul do sorriso de Liz. Mas o andar ainda usa as velhas e belas charretes da praça. Alguém marca às 16h um encontro com o pessoal da imprensa, a gente corre com um franguinho leve no almoço e pontualmente espera. E espera até 16:40h para uma reunião de onze minutos em que resumidamente é esclarecido que já temos todo o material e informações necessárias. Verdade. Eu, pelo menos, concordei. Até o evento de abertura. E aí eu queria voltar ao papo daquela reunião que fora interrompida (para que os organizadores fizessem a boa digestão do recém e merecido almoço), eu não percebera que precisaria fazer uma pergunta sobre o que não estava escrito. Não vou digerir aqui o caso do evento de abertura porque é tarde: São duas da matina e eu troquei o show por um jantarzinho inigualável (todos os humanos do bem deveriam ter a chance de fazer o mesmo) ali no Restaurante A Luzia (Rua do Comércio 58) regado ao bom vinho, música pra alma, semblantes amigos e comida de primeira. Ficamos lá antes de encarar a noite fria que nos levaria aos tropeços de volta ao nosso quarto lilás.

Mas bem antes disso, estava marcada uma coletiva com um jovem escritor que muito me agrada por sua experiência dolorosa e marcante muito longe de casa. Esperavam os pacientes desde as 19h, mas os impacientes saíram do local quarenta minutos depois porque o escritor havia saído cinco minutos antes do horário marcado para comer pastel com pessoas amigas. Não sei se voltou. Perdi esta parte da história e lembrei daquelas do Silviano Santiago.

Pelos meus cálculos, cheguei ainda cedo ao evento de abertura. Não vou falar sobre minha impressão esquisita de não ter para onde olhar sentada na lateral da quarta fila. Para um lugar central eu devia ter imaginado ponteiros um tanto mais adiantados. EntãO, foi como antigamente, ouvindo rádio, as informações chegando. Tudo bem sobre essa besteira de comprar ingressos antecipados e chegar com muitos minutos de antecedência para um evento que a julgar pelo cotidiano vai atrasar: “Batata!” – como dizia Nelson. Tudo bem que crachá de imprensa não dá direito a sentar nas três primeiras fileiras mesmo que você tenha pago pelos seus ingressos. Mas o mocinho simpático que se desculpou e depois formou com os demais a corrente protetora contra os portadores de crachás de imprensa garantiu que aos jornalistas estava reservada a área lateral – ao lado das cadeiras. Sim, os fotógrafos poderiam tentar encontrar um bom ângulo ali, de pé, no canto ao lado dos “sem ingressos” (espertos!) que se divertiam atrás das grades. Um sentimento estranho, quase pior do que possuir as orelhas nada bonitas e provavelmente pouco inteligentes. Eu não vi Bárbara nem Cassiano e nem Liz. Eu ouvi tudo com minhas orelhas antipáticas e laterais, com brincos feitos de ingressos antecipados bem pagos, e credenciais cinza. Se ao menos fossem coloridas como as portas e janelas de Paraty… mas não. E aí a Orquestra Imperial me fez lembrar de um Pedro, um grito e uma saída. Bem lateral e rápida eu disse ao homem de preto: estou saindo para ver a vida e a lua. Ele achou que era uma boa idéia.

Já na cama, eu li trechos de Giannetti. Ela é uma menina engraçada que me faz sentir coisas estranhas:

“Temos os fantasmas que merecemos. Eles são feitos de coisas que não cabem aqui. Vieram sem anúncio e somente quando decidiram ir embora é que percebi o quanto sempre estiveram presentes, pois, até então, nunca haviam desaparecido. Estavam aqui e agora, se há matéria, é só palavra, papel, tinta – um fantasma no envelope fechado, um fantasma dobrado na gaveta. Que meia dúzia de palavras corajosa poderiam lhes escapar lá de dentro?” (p.171)

Voltei à mesa e comecei a escrever essas coisas depois de todo o cansaço dos dias e das alegrias dos vivos. Queria dizer de algo que vi em Cecília e Verônica que me fizeram voltar ao Pequeno Manual do César Aira, mas a madrugada me consome e marquei café da manhã cedo pensando em não perder a coletiva (e já nem sei se devo ainda acreditar nisto) de Dennis Lehane e chegar a tempo de encontrar um lugarzinho menos lateral na Mesa 1: dos ousados e bons brasileiros que têm me arrancado orelhas nos seus novos livros. (porque ando mesmo inteiramente orelhas e das mais imperfeitas, praticamente fazendo questão do “dane-se”) Mas, a madrugada me faz mal aos olhos. E o corpo dói em súplicas pela cama fofa de poucas horas de duração.

A FLIP é assim mesmo. E faz essas coisas com a vida da gente, com as orelhas, com os risos, com as linhas, com as vontades. Eu faço parte da FLIP dos humanos orelhudos. Há outra, creiam-me. Há a FLIP dos escritores e dos convidados. Ninguém pode compreender o olhar do outro em tão diferentes alturas. Há estrelas. E regras. E elegâncias. Há quem proíba ser fotografado, há quem se negue a dar entrevistas, há um povo na praça procurando linhas e outro no meio do jardim de uma pousada luxuosa trocando línguas. Mas de tudo, creio, há o melhor: talvez um mexicano que escreva a sangue ou um moçambicano que revire a alma de quem estiver no canto lateral de uma vida qualquer.

E continuamos. Amanhece para as janelas coloridas e atrás de algum barco hei de encontrar a Sheila e o Miguelão de Veronica Stigger, tecendo planos à moda dos melhores dias.

Organizando

quarta-feira, abril 18th, 2007

Para começar.