Lawrence Wright

lawrence_wright3b.jpgLawrence Wright graduou-se pela Tulane University, em Nova Orleans, e estudou também na Universidade Americana do Cairo, onde fez mestrado em Lingüística e lecionou inglês durante dois anos. Voltou aos EUA em 1971 e começou a escrever no “Race Relations Reporter”, de Nashville. Passou por várias revistas, como “Texas Monthly” e “Rolling Stone”. Hoje é colunista da revista The New Yorker e pesquisador do Centro de Direito e Segurança da Universidade de Nova York. Autor de cinco obras de não-ficção e um romance, foi também co-roteirista do filme Nova York Sitiada (1998), dirigido por Edward Zwick.

Ele é um dos mais respeitados jornalistas investigativos da atualidade. Resultado de cinco anos de pesquisas, O vulto das torres - A Al-Qaeda e o caminho até o 11/9, seu livro lançado recentemente no Brasil pela Companhia das Letras, ganhou o prêmio Pulitzer na categoria não-ficção. É considerado o mais completo estudo sobre as questões que envolvem o pensamento radical islâmico, Al-Qaeda e os atos terroristas de 11 de setembro de 2001.

Em sua origem, nos anos 1990, a maior parte dos recrutas da Al-Qaeda eram procedentes das classes média e alta, quase todos de famílias unidas. Muitos tinham cursado estudos superiores, com um gosto preferencial pelas ciências biológicas e a engenharia. Uma minoria vinha de escolas confessionais, a maior parte havia se formado na Europa ou nos Estados Unidos e falava cinco ou seis línguas. Nenhum apresentava sinais de qualquer desordem mental. Muitos não eram religiosos quando se engajaram no jihad. A geração precedente englobava membros de profissões liberais pertencentes às classes médias – médicos, professores, contadores, imãs – que foram ao Afeganistão acompanhados de suas famílias.
Entre os novos jihadistas, sobretudo os jovens e solteiros, figuravam criminosos hábeis na fabricação de documentos falsos, na utilização fraudulenta de cartões de crédito, no tráfico de drogas — todas competências que se revelaram úteis à causa. (…) Dez a vinte mil foram treinados nos campos afegãos antes que esses fossem destruídos, em 2001. (…) As cadernetas de notas de alguns recrutas revelam os objetivos milenares da organização: estabelecer o reino do Senhor sobre o planeta, tornar-se mártires em nome de Deus, purificar as colunas do Islã de fatores de depravação. (…) Os alvos continuavam a ser os soldados norte-americanos e seus veículos, mas outros inimigos do Islã foram invocados: os desertores (’os Mubarak desse mundo’), os xiitas, a América, Israel.

Lawrence Wright - O vulto das torres, Companhia das Letras, São Paulo, 2007.
Tradução: Elisa Buzzo