Hoje, noite de sexta-feira…

julho 6th, 2007

Pois é, vou escrever aqui, creiam-me: estou viva. Saí da fila dos autógrafos, perdi a mesa de Nadine (juro) e agora consegui entrar na sala de imprensa: com computadores disponíveis e conexão razoável! Não é incrível? Mas, não vou tagarelar muito, não. Dentro de 20 minutos as ótimas mesas da maravilhosésima OFF FLIP me esperam. Não posso fazer queixa da falta de tempo. Veja bem, quando digo “não posso” não estou dizendo que mandaram a gente não falar a respeito, nem que mandaram ou desmandaram qualquer coisa. Longe de mim dizer algo semelhante. As regras aqui são de brincadeirinha. Eu demoro a descobrir as coisas, mas até o final da FLIP vai cair a minha ficha. Tem que cair. As regras são a parte divertida (vou contar melhor, prometo). Uma das coisas engraçadas é este tipo de informação que sai por escrito muito bem clara: “proibido fotografar fulano”. Aí eu tomo um quase nojo da cara do fulano e quando o encontro, lá está ele lindo-leve-serelepe-sorridente fazendo fotos ao lado dos seus leitores e fãs, fazendo pose para os fotógrafos amadores e para os jornalistas. E a minha cara de otária fica a perguntar para os meus botões imbecis de onde saiu a notícia oficial? Não sei. Tem muita coisa por aqui que eu não explico. Acho que a FLIP é algo da minha imaginação, não é de verdade. É literatura.

Paraty, 05-07-2007 - Literatura afinal

julho 5th, 2007

Depois do estresse e da correria da véspera, confesso qua as mesas 1 e 2 foram realmente sensacionais..

Mesa 1, FabrÃcio Corsaletti
FLIP: Mesa 1, Fabrício Corsaletti.
Foto: Sergio Fonseca

Mesa 1, CecÃlia Gianetti
FLIP: Mesa 1, Cecília Gianetti.
Foto: Ane Aguirre

Mesa 1, Veronica Stigger
FLIP: Mesa 1, Veronica Stigger.
Foto: Sergio Fonseca

Bastidores da Mesa 2, Lobão passando o som
FLIP: Exclusiva, bastidores da Mesa 2, Lobão passando o som.
Foto: Sergio Fonseca

Mesa 2, Chacal
FLIP: Mesa 2, Chacal
Foto: Sergio Fonseca

FLIP - a noite de abertura

julho 5th, 2007

Documentar a quinta edição da FLIP está sendo um aprendizado de paciência. São tantas restrições, algumas mais estranhas do que exigências de pop stars. E por conta dos atrasos, é tudo uma correria. De qualquer forma, abaixo, algumas fotos da abertura oficial da FLIP 2007.

Cassiano Elek na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Cassiano Elek na Abertura Oficial da FLIP.

Bárbara Heliorora na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Bárbara Heliorora na Abertura Oficial da FLIP.

Liz Calder na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Liz Calder na Abertura Oficial da FLIP.

Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP.

Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP.

Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP.

Fotos: Sergio Fonseca

Antes da Mesa 1

julho 5th, 2007

sejamos práticos
e sinceros
orelha nenhuma tem que ser bonita
têm que ser simpáticas
ou inteligentes

as suas são do primeiro tipo

(Fabrício Corsaletti)

Parece que é simples assim: chegar, acomodar as malas, calçar algo adequado para as ruas de pedras e sair pelas calçadas de sol e janelas sorridentes. Não é. Para mim, ao menos. Tem o método, o desapego dos dias de ontem, o telefone que chama mais do que anteontem, a conexão imperfeita nas salas de máquinas que faz parecer falha qualquer comunicação. Também é falso. A comunicação não pode ser falha em um lugar de livros que se balançam em árvores, entre crianças que vasculham linhas com olhos arregaladamente interessados. De verdade. Passei por uma que dizia à professora: “preciso vir de crachá amanhã? então vou dormir com ele para não esquecer”. Sorri até o canto de minhas orelhas imperfeitas imaginando que Corsaletti deveria avaliá-las melhor antes da dedicatória que vou pedir justamente nesta página. Sim, já fiz a dobra na 149 e faço questão agora de orelhas de um segundo tipo.

Não é simples, não. Mas há aqui um prazer ora festivo, ora melancólico. E há uma porção de coisas únicas: que só a FLIP faz por você. A gente ri de algumas dores nos pés e outras em lugares indizíveis (e aqui eu não me refiro – ainda – à literatura de Stigger). As coisas mudam e não mudam de verdade. Há uma vontade, a gente sente – e não mentem os olhos esperançosos de Cassiano, nem a água azul do sorriso de Liz. Mas o andar ainda usa as velhas e belas charretes da praça. Alguém marca às 16h um encontro com o pessoal da imprensa, a gente corre com um franguinho leve no almoço e pontualmente espera. E espera até 16:40h para uma reunião de onze minutos em que resumidamente é esclarecido que já temos todo o material e informações necessárias. Verdade. Eu, pelo menos, concordei. Até o evento de abertura. E aí eu queria voltar ao papo daquela reunião que fora interrompida (para que os organizadores fizessem a boa digestão do recém e merecido almoço), eu não percebera que precisaria fazer uma pergunta sobre o que não estava escrito. Não vou digerir aqui o caso do evento de abertura porque é tarde: São duas da matina e eu troquei o show por um jantarzinho inigualável (todos os humanos do bem deveriam ter a chance de fazer o mesmo) ali no Restaurante A Luzia (Rua do Comércio 58) regado ao bom vinho, música pra alma, semblantes amigos e comida de primeira. Ficamos lá antes de encarar a noite fria que nos levaria aos tropeços de volta ao nosso quarto lilás.

Mas bem antes disso, estava marcada uma coletiva com um jovem escritor que muito me agrada por sua experiência dolorosa e marcante muito longe de casa. Esperavam os pacientes desde as 19h, mas os impacientes saíram do local quarenta minutos depois porque o escritor havia saído cinco minutos antes do horário marcado para comer pastel com pessoas amigas. Não sei se voltou. Perdi esta parte da história e lembrei daquelas do Silviano Santiago.

Pelos meus cálculos, cheguei ainda cedo ao evento de abertura. Não vou falar sobre minha impressão esquisita de não ter para onde olhar sentada na lateral da quarta fila. Para um lugar central eu devia ter imaginado ponteiros um tanto mais adiantados. EntãO, foi como antigamente, ouvindo rádio, as informações chegando. Tudo bem sobre essa besteira de comprar ingressos antecipados e chegar com muitos minutos de antecedência para um evento que a julgar pelo cotidiano vai atrasar: “Batata!” – como dizia Nelson. Tudo bem que crachá de imprensa não dá direito a sentar nas três primeiras fileiras mesmo que você tenha pago pelos seus ingressos. Mas o mocinho simpático que se desculpou e depois formou com os demais a corrente protetora contra os portadores de crachás de imprensa garantiu que aos jornalistas estava reservada a área lateral – ao lado das cadeiras. Sim, os fotógrafos poderiam tentar encontrar um bom ângulo ali, de pé, no canto ao lado dos “sem ingressos” (espertos!) que se divertiam atrás das grades. Um sentimento estranho, quase pior do que possuir as orelhas nada bonitas e provavelmente pouco inteligentes. Eu não vi Bárbara nem Cassiano e nem Liz. Eu ouvi tudo com minhas orelhas antipáticas e laterais, com brincos feitos de ingressos antecipados bem pagos, e credenciais cinza. Se ao menos fossem coloridas como as portas e janelas de Paraty… mas não. E aí a Orquestra Imperial me fez lembrar de um Pedro, um grito e uma saída. Bem lateral e rápida eu disse ao homem de preto: estou saindo para ver a vida e a lua. Ele achou que era uma boa idéia.

Já na cama, eu li trechos de Giannetti. Ela é uma menina engraçada que me faz sentir coisas estranhas:

“Temos os fantasmas que merecemos. Eles são feitos de coisas que não cabem aqui. Vieram sem anúncio e somente quando decidiram ir embora é que percebi o quanto sempre estiveram presentes, pois, até então, nunca haviam desaparecido. Estavam aqui e agora, se há matéria, é só palavra, papel, tinta – um fantasma no envelope fechado, um fantasma dobrado na gaveta. Que meia dúzia de palavras corajosa poderiam lhes escapar lá de dentro?” (p.171)

Voltei à mesa e comecei a escrever essas coisas depois de todo o cansaço dos dias e das alegrias dos vivos. Queria dizer de algo que vi em Cecília e Verônica que me fizeram voltar ao Pequeno Manual do César Aira, mas a madrugada me consome e marquei café da manhã cedo pensando em não perder a coletiva (e já nem sei se devo ainda acreditar nisto) de Dennis Lehane e chegar a tempo de encontrar um lugarzinho menos lateral na Mesa 1: dos ousados e bons brasileiros que têm me arrancado orelhas nos seus novos livros. (porque ando mesmo inteiramente orelhas e das mais imperfeitas, praticamente fazendo questão do “dane-se”) Mas, a madrugada me faz mal aos olhos. E o corpo dói em súplicas pela cama fofa de poucas horas de duração.

A FLIP é assim mesmo. E faz essas coisas com a vida da gente, com as orelhas, com os risos, com as linhas, com as vontades. Eu faço parte da FLIP dos humanos orelhudos. Há outra, creiam-me. Há a FLIP dos escritores e dos convidados. Ninguém pode compreender o olhar do outro em tão diferentes alturas. Há estrelas. E regras. E elegâncias. Há quem proíba ser fotografado, há quem se negue a dar entrevistas, há um povo na praça procurando linhas e outro no meio do jardim de uma pousada luxuosa trocando línguas. Mas de tudo, creio, há o melhor: talvez um mexicano que escreva a sangue ou um moçambicano que revire a alma de quem estiver no canto lateral de uma vida qualquer.

E continuamos. Amanhece para as janelas coloridas e atrás de algum barco hei de encontrar a Sheila e o Miguelão de Veronica Stigger, tecendo planos à moda dos melhores dias.

Tarde movimentada

julho 4th, 2007

Paraty é festa e trabalho. Daqui a pouco, coletiva com Ishmael Beah.

Liz Calder, coletiva com jornalistas
FLIP: Liz Calder, coletiva com jornalistas.

Cassiano Elek, coletiva com jornalistas
FLIP: Cassiano Elek, coletiva com jornalistas.

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FLIP: Sala de Imprensa.

Nas ruas, Seu Tiago
Nas ruas, Seu Tiago.

Coletiva com jornalistas
FLIP: Coletiva com jornalistas.

Nas ruas, FabrÃcio Corsaletti.
Nas ruas, Fabrício Corsaletti.

Fotos: Sergio Fonseca

Paraty, 04-07-2007

julho 4th, 2007

Hoje, primeiro dia oficial da FLIP, a cidade já está movimentada,  faz calor. Abaixo, imagens da FLIPINHA e preparativos da FLIP.

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FLIPINHA: Esculturas de papel machè.

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FLIPINHA: Regata.

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FLIPINHA: Esculturas de papel machè.

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FLIPINHA: Bonecos Gigantes.

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Tenda da FLIPINHA.

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Tenda dos Autores: Livraria.

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Tenda dos Autores: Painés sobre o homenageado.

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Tenda dos Autores: Cafeteria.

Fotos: Sergio Fonseca

Projeto Paraty Digital

julho 4th, 2007

Hoje, 4 de julho, às 15h, haverá a solenidade de inauguração da fase piloto do projeto Paraty Digital, que atenderá ao município com uma moderna rede de comunicação de dados, voz e imagem em banda larga. A solenidade deverá contar com a presença do Governador deo Estado do Rio de Janeiro, Sergio Cabral.

Local: Rua Angra dos Reis, s/n - Praça São José do Operário.

Troca de horários

julho 4th, 2007

A Mesa 20, De Macondo a McCondo, com Ignacio Padilla e Rodrigo Fresán, marcada para acontecer no domingo, 08/07, às 17h, foi transferida para o mesmo dia, às 10 horas da manhã.

Bosco Brasil e Mário Bortolotto, portanto, se apresentarão no domingo, às 17h.

Ainda pouco, pelas ruas de Paraty

julho 3rd, 2007

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Foto: Sergio Fonseca

Está quase na hora!

julho 3rd, 2007

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Tenda dos Autores

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Hoje à tarde. Mas amanhã estará tudo pronto.

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Estúdio da TV Cultura

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Tenda Matriz.

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Tenda dos Autores

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A FLIP é assim. Ninguém pára.

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FLIP: Meninas da Equipe 5

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Esculturas da FLIPINHA começam a alegrar a praça.

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Programas da FLIP e FLIPINHA.

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Detalhe do cartaz da 5a. FLIP.

Fotos: Sergio Fonseca, 3-7-2007

Parati, 03-07-2007

julho 3rd, 2007

lula_a_dore.jpgApós uma ótima viagem, chegamos à Paraty.  O visual da Rio-Santos é deslumbrante. A cidade ainda vazia já respira a FLIP. Uma breve passada na pousada para deixar as malas e a dica da chegada é comer uma porção de lula à doré acompanhada de um bom chopp gelado no Restaurante Sabor do Mar. Depois é andar pelas ruas.

Foto: Ane Aguirre (celular)

Ingressos à venda para a Mesa 16 “O Beijo no Asfalto”

julho 2nd, 2007

Leitura da peça “O beijo no asfalto”, de Nelson Rodrigues, na Tenda dos Autores, tem ingressos disponíveis para compra por telefone, internet e nos postos autorizados. Com direção de Bia Lessa, a leitura está programada para o dia 7 de julho, às 22 horas .

Até amanhã, terça-feira dia 3, os interessados poderão comprar os ingressos para a Mesa 16, na Tenda dos Autores, com a leitura dramática de “O beijo no asfalto”, marcada para sábado, dia 7 de julho, às 22h, como parte das homenagens da V FLIP a Nelson Rodrigues. A partir de quarta (4), os ingressos só poderão ser encontrados nas bilheterias da FLIP, em Paraty. A Festa Literária Internacional de Parati acontece de 4 a 8 de julho, com a participação de mais de 70 escritores nacionais e internacionais.

A proposta de Bia Lessa é dar vida aos personagens desta tragédia, encenada pela primeira vez em 1961. No palco sem cenários, os personagens terão suas falas lidas por Sergio Sant’Anna, André Sant’Anna, Carlito Azevedo, Nelson Motta,  Jorge Mautner, Liz Calder – idealizadora da FLIP –, Flora Süssekind, Angela Leite Lopes, Suzana Macedo, Adriana Armony, Chacal, Silviano Santiago e Veronica Stigger, estes três últimos escritores também convidados para outras mesas da FLIP.

Do palco também participarão músicos, que contribuirão com sons e ruídos para a dramaticidade da  leitura. A banda “Os ritmistas”, formada por três bateristas, fará intervenções para valorizar a musicalidade dos diálogos e intensidade das cenas. Imagens de Miguel Rio Branco – pintor, fotógrafo e artista multimídia – deverão integrar as diferentes linguagens (escrita, falada, musical e visual).

A leitura será gravada, convertendo-se em um documento no qual o olhar de cada autor estará presente com seu discurso e linguagem, a partir do texto do dramaturgo pernambucano.

Vendas

A venda antecipada para a Mesa 16 é limitada a dois ingressos por pessoa (mediante apresentação do CPF). Os ingressos são vendidos pelo site www.ingressorapido.com.br, ou pelos telefones: 11/2163-2000 (São Paulo), 21/2169-6600 (Rio de Janeiro), 41/4063-6290 (Curitiba), 31/4062-7244 (Belo Horizonte). Horário de atendimento: de segunda a sábado das 9h às 22h, domingos e feriados das 11h às 19h.

Pontos de venda da Ingresso Rápido: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Vitória e Belo Horizonte (consulte endereços, horários de atendimento e formas de pagamento no site da Ingresso Rápido).
 
Outros pontos de venda autorizados em São Paulo: Livraria da Vila (V. Madalena, Lorena e Casa do Saber Itaim). Ponto de venda em Paraty: Paraty Tours (tel. 24/3371-1327), apenas para moradores de Parati, mediante comprovante de residência. Os ingressos custam R$ 20 e R$ 6 – para acesso ao telão instalado na Tenda da Matriz, que transmitirá a leitura ao vivo.
 
Mais informações para a imprensa com Ivani Cardoso/Alexandre Agabiti (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 3814-4600

TV Cultura em Paraty

julho 2nd, 2007

Mais uma novidade na quinta edição da FLIP.  Além das tendas Matriz e Autores, a TV Cultura montará uma terceira tenda para abrigar um estúdio de tv. Durante o evento, a emissora de São Paulo fará entrevistas com escritores e intelectuais convidados, além de gravar os programas Entrelinhas, Metrópolis, Planeta Cidade, Roda Viva e Vitrine.

O prazer quase sensual de contar histórias - Entrevista com Mia Couto

junho 30th, 2007

Entrevista publicada no O Globo, caderno Prosa & Verso, pág. 6, em 30.06.2007

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O GLOBO: Em “Terra sonâmbula”, um dos personagens diz que “escrever é ensinar alguém a sonhar”. Para o senhor, o que significa ser escritor?

MIA COUTO: O verbo “estar” se aplica melhor e dever-se-ia dizer que alguém “está” escritor. Não é do domínio da essência, não é uma natureza em nós. O que está imperiosamente gravado em todos nós é a necessidade de criar, de inventar. Quero estar escritor na medida em que estou disponível para essa espécie de embriaguez que é a inspiração e o prazer quase sensual de criar histórias. Acreditei, num dado tempo, que o escritor tinha uma missão. Depois, desacreditei e olhei a escrita como se olha o amor, para além de qualquer serviço ou funcionalidade. Agora, sendo parte de um país que ressuscitou de uma guerra fratricida, creio, de novo, que o escritor pode ter um papel na reconciliação dos homens com o seu tempo. Em Moçambique, ninguém parece recordar-se desse período de horror tão recente (a guerra terminou em 1992). Vivemos dominados pelo medo de despertar demônios. A literatura pode ajudar a sarar essa ferida, pode ser um convite para revisitar esse tempo, sem medo da culpa e do ressentimento.

O GLOBO: Em vários livros seus, os velhos são guardiões da cultura popular pois trazem o registro dos costumes e do passado. Hoje cada vez mais se valoriza rupturas de valores e envelhecer é demérito. Como avalia o resgate das tradições e os ensinamentos dos antepassados?

COUTO: A idéia de que, em África, os velhos são sempre respeitados resulta de uma mistificação. Isso nem sempre sucede, mesmo em sociedades que não foram desarrumadas pela colonização. Subsiste na visão sobre a África ainda uma idéia cor-de-rosa, certa romantização do “bom selvagem”. Mas é verdade que, em certas sociedades — e muitas delas estão vivas em Moçambique — o lugar dos mais velhos é fonte de prestígio e saber. Não são todos os mais velhos. A idade deve ser cruzada com a linhagem, a família, o sexo (geralmente, a mulher é excluída desse pedestal). Essa tradição está sendo reconstruída pela atualidade. A modernidade africana convive de modo atribulado com isso que chamamos de tradição e está refabricando rituais e crenças. Mas isso sucede num universo em que a miséria absoluta vai corroendo aquilo que antes era dominado pelo respeito. Num mundo ajoelhado perante a mercadoria, sucede na África aquilo que sucedeu em outros continentes: velhos e crianças estão desvalorizados porque produzem pouco e compram ainda menos.

O GLOBO: O personagem Vinticinco de Junho, o Junhito, tem este nome porque nasceu no dia da independência de Moçambique. Para sobreviver aos horrores da guerra ele se transforma num galo, uma ave doméstica. Há algum sentido simbólico?

COUTO: Há simbolismos, no plural. No saber rural, de Moçambique, não é ficção aceitar-se que um homem se converte em bicho. O fluir de identidades entre pessoas, bichos e árvores faz parte do imaginário rural. E depois, há idéia de que a própria independência nacional se domesticou e ficou, como se diz metaforicamente no livro, aprisionada num galinheiro. Toda uma irreverência que existiu na luta de libertação nacional, todo um sentido épico e utópico, tudo isso foi desvanecendo.
O GLOBO: O sobrenatural e as assombrações circulam na sua obra. É uma forma de entrar num realismo mágico? No universo alegórico?

COUTO: O recurso ao “fantástico” não resulta de estratégia ou decisão pensada. Acontece no Brasil como em Moçambique, na América Latina como em África: a fronteira entre realidade e magia é uma outra e não obedece aos padrões da racionalidade européia. Aliás, quem deu nome e estudou essa corrente do “realismo mágico” não fomos nós, escritores, não fomos nós, do Terceiro Mundo.

O GLOBO: A África foi contaminada pela sombra do colonialismo, por anos de guerra civil e miséria. Sua literatura combate a retórica de “vítima” e propõe uma visão crítica. Como construir uma narrativa onde os africanos afirmem uma singularidade histórica?

COUTO: Essa afirmação está sendo feita a todos os níveis. A literatura é apenas um espaço onde se exerce essa proposta de inventar uma História em que nós, africanos, surgimos como sujeitos e parceiros do que aconteceu e deixamos de ser apenas vítimas e coitados. É importante assumir essa responsabilidade histórica, com base na verdade e na coragem de aceitar que uma parte de nós, africanos, fomos cúmplices das atrocidades cometidas no passado. A escravatura e o colonialismo foram praticados não apenas por mão de fora: houve conivência ativa de elites da África. Essa mesma conivência está prosseguindo hoje na dilapidação dos recursos em benefício das grandes companhias multinacionais. A visão vitimista só serve às atuais elites corruptas.

O GLOBO: O mundo atual está saturado de imagens e informações. Ainda há uma carência de narrar histórias e lançar luzes sobre a História através da literatura?

COUTO: Creio que a literatura é exatamente isso: levar a que a história case com a História. A apetência em escutar e contar histórias está dentro de nós. Eu seria uma pessoa pobre se não fosse capaz de produzir histórias, de fazer da minha própria vida uma narrativa que posso emendar, apagar e enfeitar. E eu não sou diferente de ninguém. Uma certa racionalidade nos fez envergonhar deste apetite, atirando a história para o domínio da infantilidade. Essa estigmatização da pequena história está presente na própria literatura: veja-se a forma como se secundariza o conto em relação ao romance. O advento e a hegemonia da escrita são também responsáveis por essa marginalização da oralidade.

O GLOBO: J.M.Coetzee e Nadine Gordimer são escritores sul-africanos que estarão na Flip, e têm estilos distintos do seu. É possível dimensionar a diversidade da literatura africana?

COUTO: Os dois escritores são já um exemplo dessa diversidade num único país. A escrita de Gordimer e Coetzee localizam-se em pólos e estilos absolutamente distintos. O continente africano está atravessado pela mesma diversidade cultural e artística de qualquer outro continente. Felizmente, está passando uma fase muito utilitária da literatura, como arma de afirmação política contra um tempo de negação. Era uma escrita datada, geralmente empobrecida pela obrigação assumida e fabricada pelos outros de ser “africana”. O texto literário era visto como uma espécie de prova de autenticidade étnica e racial. A feitiçaria, os velhos à volta da fogueira, as fábulas e lendas, tudo isso era receita obrigatória. Certa crítica literária européia ajuizava o valor desses textos como se estivesse perante um artesanato, como se tratasse de uma manifestação de folclore que os próprios africanos legitimavam. Hoje, uma grande parte dos escritores africanos libertou-se dessa pressão e quer apenas fazer literatura, debruçar-se sobre a luz e os abismos da alma humana, trabalhando temas intemporais e universais. 
 
Jornal: O GLOBO
Autor: Cristina Zarur 
Editoria: Prosa & Verso

Procedimento do Prazer - Entrevista com César Aira

junho 30th, 2007

 Entrevista publicada no O Globo, caderno Prosa & Verso, pág. 8, em 30.06.2007

Gazeta do Povo/23-05-2007

Prolífico
Como consegue publicar tanto? Tem uma rotina de muita disciplina? Acredita-se um obsessivo (tantos escritores assim se definem…)?

CÉSAR AIRA: Meu único sistema, e creio que é o melhor, consiste em escrever por prazer. Com nossos prazeres somos bastante estritos; são as obrigações que postergamos. Com o tempo, vi-me com uma rotina deliciosa, ao me dedicar a cada dia um pouco à invenção; aí tenho a liberdade que é tão escassa no resto da existência. Não sou obsessivo, porque posso passar semanas e meses sem escrever, e quando escrevo é apenas meia página ou uma página por dia. Sou muito lento, penso dez vezes cada palavra, e dou cem voltas a cada frase antes de escrevê-la. Na realidade, o segredo para ser prolífico não é escrever muito, mas escrever bem.

Procedimento
Segundo sua teoria, os grandes artistas do século XX foram os que inventaram “procedimentos”. A palavra é tão importante para o senhor que está no título do livro que lançou recentemente em Curitiba. É mais importante, pois, que a inspiração? Utiliza-os sempre?

AIRA: Em algum momento de minhas fantasias teóricas me entusiasmei com a idéia dos “procedimentos”, como os de Raymond Roussel, que geraram automaticamente os relatos. Era um modo de liberar-se da subjetividade burguesa, de toda a velha máquina psicológica. Mas nunca utilizei nenhum procedimento. E, olhando para trás, dou-me conta de que quase tudo o que escrevi é subjetivo, psicológico, autobiográfico e nasceu da mais velha e tradicional inspiração. A moral é que não se deve acreditar muito nos escritores quando teorizam.

Vanguarda
Na sua opinião, a única saída para a arte, hoje, é ser de vanguarda. Acredita, pois, ser um autor de vanguarda, um artista em busca da reinvenção da arte, como já definiu o artista de vanguarda?

AIRA: Queria considerar-me um escritor de vanguarda, se “vanguarda” se entende como a criação de novos paradigmas de gosto e qualidade. A “retaguarda” então seria ajustar-se ao gosto estabelecido, e eu sempre fui contra o gosto dos leitores, inclusive meus poucos e queridos leitores.

Gênero
Costuma aventurar-se por diferentes gêneros — novela, ensaio, teatro… Até um dicionário de literatura latino-americana escreveu. Que liberdade cada gênero lhe proporciona?

AIRA: Sempre fui narrador, e deveria ter sido só um narrador de histórias. Mas em certo momento obriguei-me a escrever ensaios. Fiz isso sobretudo para deixar um testemunho de minha experiência de leitor. Mas nunca consegui me acostumar. Um ensaísta deve dizer alguma espécie de verdade, e o narrador está mais bem comprometido com a mentira.

Segui escrevendo ensaios para desfrutar o contraste: quando termino um e volto ao romance, sinto melhor a imensa liberdade que tenho para mentir, para ser incoerente, absurdo.

Cânone
Parece-me que o senhor gosta muito de botar sempre o cânone em questão. É um “procedimento”?

AIRA: Não sou crítico, nem professor, nem historiador da literatura. Sou um leitor, e um leitor agradecido porque a leitura foi a ocupação mais constante da minha vida, e meu maior prazer. O cânone de um leitor são todos os autores que amou, e eu os amei a todos, ou a quase todos. O que não aceito destes “cânones” de que se fala hoje é seu aspecto prescritivo e autoritário. A melhor leitura é a que não é obrigatória, e cada leitor deveria decidir por si o que é bom ou mal.

Preferência
No lugar de autores já canônicos, como Cortázar ou Saer, prefere, por exemplo, Manuel Puig, nem sempre tão canônico. Por que não Cortázar, nem Saer? O que acha de Borges?
 
AIRA: Tampouco gosto de Jorge Amado ou de García Márquez ou X ou Y ou Z. E, sim, gosto de Puig e Borges e A e B e C. E daí? Não pretendo impor meus gostos a ninguém. Os leitores somos democráticos por natureza, e também por conveniência. Como a única coisa que queremos é que nos deixem seguir lendo em paz, respeitamos os gostos alheios para que respeitem os nossos.

Polêmica
Também não teme a polêmica: por que as desavenças? Além de uma questão de personalidade, há nisso algo que se refere a uma postura de honestidade diante da obra?Fale-nos um pouco da literatura argentina hoje… O que acha de Ricardo Piglia?

AIRA: Se falo mal de Piglia, posso estar certo de que Piglia vai falar mal de mim, de modo que a polêmica é demasiado previsível e sem interesse.

Flores
Como é morar em Flores, o típico bairro portenho que inspira, entre outras, uma das narrativas lançadas no Brasil no ano passado (“As noites de Flores”)?

AIRA: Fui viver em Flores em minha juventude, por acidente, e lá continuei por inércia. É um bairro sem atrativos especiais, que além disso me fez invisível pelo hábito. É ideal para a classe de romancista que sou. Obriga-me a usar a fundo a imaginação. Ao ser tão cinza, tão neutro, todo o drama e a emoção de meus romances ambientados em Flores tenho eu mesmo de inventá-los.

Brasil x Argentina
Apesar de ter diversas obras publicadas, poucas foram editadas no Brasil. Como explica o abismo cultural que existe entre os países vizinhos?

AIRA: Não consigo explicar. Talvez se deva a que além de ter línguas distintas temos histórias e sociedades muito distintas. E estamos perto demais para que haja um atrativo de exotismo, como com o Japão. O leitor médio argentino sabe muito mais da literatura japonesa que da brasileira. Mas o bom leitor nunca é um leitor “médio”, e os bons leitores argentinos não precisamos esperar as traduções.

Literatura brasileira
O que acha das letras brasileiras?

AIRA: Sem ânimo de fazer demagogia, acredito sinceramente que a literatura brasileira é a mais rica do continente. Sempre e em todos os gêneros, incluídos os não especificamente literários, como a sociologia ou a história. No século XIX, nenhum país latino-americano teve um romancista tão grande quanto Machado de Assis. E, no XX, seria necessário reunir o máximo de vários países (Borges, Lezama Lima, César Vallejo) para haver um equivalente de Guimarães Rosa, Clarice, Mario de Andrade, Dalton Trevisan, João Cabral e tantos mais. E hoje não há em nenhuma parte um escritor com a grandeza de João Gilberto Noll.

Telefone
É verdade que detesta falar ao telefone? Por quê?

AIRA: Cresci no campo e falei ao telefone pela primeira vez aos 20 anos. Nunca me acostumei. Não consigo manter uma conversa por telefone. E notei que transmitem muito mais notícias ruins que boas. (Isso não impede que eu considere “O gorila”, de Sérgio Sant’Anna, uma obra-mestra do conto).

Temas
Até hoje, na sua literatura, como surgiram os temas sobre os quais escreveu? O que lhe seduz num tema?

AIRA: Não sei se saberia o que falar de “temas”. Meus romances nascem de uma ocorrência ou inspiração fugaz, e a partir daí eu improviso à medida que vou escrevendo, mudando a direção todo o tempo. Não sei qual será o “tema” que vai prevalecer no fim.

Nobel
Gosta de Coetzee, o Nobel sul-africano que virá à Flip também? Ou prefere Nadine Gordimer, outra Nobel?

AIRA: Não li nenhum dos dois. O último Prêmio Nobel que li foi Beckett, e não o li porque ganhou o Prêmio Nobel.
 
 
Jornal: O GLOBO
Autor:  Raquel Bertol
Editoria: Prosa & Verso