Celular

Epifanias do cotidiano

Primeiro autor de língua alemã a participar da FLIP lança livro de contos

Um dos seis melhores romancistas jovens da Europa.
[New Yorke Yorker]

Convidado da Festa Literária Internacional de Paraty, Ingo Schulze, 46, é um cidadão em constante deslocamento. O escritor natural de Dresden já visitou dezenas de países para fazer leituras públicas e participar de eventos literários. Seus livros também circulam bastante pelo mundo nas 27 línguas em que foram traduzidos. Depois de escritores da Espanha, França e Argentina, a Cosac Naify leva à 6ª edição da FLIP um grande talento da literatura alemã atual Schulze foi considerado pela New Yorke um dos seis melhores escritores jovens da Europa contemporânea.

Com diversos prêmios e elogios da crítica internacional, Schulze foi chamado pelo seu conterrâneo Günter Grass de “o nosso novo escritor de épicos”. Celular - treze histórias à maneira antiga recebeu o prêmio de melhor livro de ficção na Feira de Leipzig de 2007. Nessa coletânea de contos, Schulze narra os encontros e desencontros de personagens comuns, com simplicidade e linguagem saborosa, desmistificando a fama de que a literatura alemã seja cerebral demais e para poucos.

O pano de fundo da antiga Alemanha Oriental, onde o escritor nasceu e morou, aparece às vezes com toques do filme Adeus Lênin!, porém sem a Ostalgie, a dita nostalgia do Leste, mostrando como a vida de ocidentais e orientais se transformou nesses quase vinte anos após a queda do Muro. Na verdade, tudo mudou. Sejam as novas configurações da família quando o homem cuida da casa, e a mulher trabalha fora, ou histórias de paternidade descoberta tardiamente, o vandalismo gratuito, o medo do terrorismo, das guerras, a decadência do Leste Europeu pós-comunista.

Em Celular, muitas vezes basta um olhar mais irritado para mudar profundamente a aparência harmônica de um novo amor, a relação entre vizinhos ou uma descontraída viagem de férias. Seja num cabeleireiro em Manhattan ou em uma casa de campo perto de Berlim, há sempre uma atmosfera de tensão pairando nas histórias que aparentam tratar das coisas mais banais. Mas essas situações, quando vistas pelas lentes do grande observador que é Schulze, são tratadas com humor e linguagem apurada.

Os contos falam desses deslocamentos da felicidade, nos quais os personagens se defendem contra um mundo em constante aceleração, o mundo do celular, do tempo do celular, este aparelho que nos torna excessivamente comunicáveis e que não nos permite sumir ou ficar em silêncio. E Schulze reflete justamente sobre isso, e sobre sua condição de escritor diante dessa realidade.

Assim, ele constrói essas complexas teias de relações do cotidiano prosaico com extrema habilidade, e com este livro moderno se mostra um grande narrador - à maneira antiga.

Celular – Treze histórias à maneira antiga
Ingo Schulze
Tradução e posfácio: Marcelo Backes
Orelha: Márcio Seligmann-Silva
Brochura - 352 páginas
R$ 45,00
ISBN 978-85-7503- 713-3

Fonte: Cosac Naify

Leave a Reply