Na Flipinha, o Bruxo do Cosme Velho

 

Luiz Antônio Aguiar, Bia Hetzel e Luciana Sandroni na Flipinha.
[Fotografia de Ane Aguirre]

Imaginávamos que seria assim. Não porque Machado de Assis não seja lido e compreendido pelas crianças, sabemos muito bem que lido ele é (obrigatoriamente ou não). A questão talvez seja a faixa de idade dessas crianças e o modo como se pode oferecer Machado de Assis a elas. Fato é que na Flipinha o espaço está muito melhor destinado às crianças pequenas (muito pequenas), que são facilmente cativadas pelo colorido, pelas ilustrações e pelas brincadeiras e jogos. Talvez, se houver algum dia uma divisão por temas e idades, certas mesas de debates possam ser melhor aproveitadas. Como é o caso da conversa que aconteceu na tarde desta quarta-feira entre ótimos escritores.

Talvez seja o formato da Tenda Azul que desperte nos professores a idéia de que devem levar suas crianças a um passeio: como se fossem visitar um museu ou um parque. Entram e saem por ela, sentam uns minutos e levantam para, em seguida, brincar de outra coisa. A postura das crianças é natural se assim são conduzidas. O que acontece é que no meio do passeio há uma fala que deveria estar sendo dirigida a quem se interessa por ela. Outras crianças, um pouco maiores, talvez pudessem aproveitar disso se não fosse o clima de dispersão da tenda. Creio que os poucos adultos que insistiram e colocaram foco no tema não devem ter saído dali insatisfeitos. Lamentável apenas o fato de que algo tão bom como as histórias de Sandroni, a experiência de Bia Hetzel e o modo brilhante como Luiz Antônio Aguiar conduziu o cotidiano de Machado de Assis e as lendas que giram em torno do Bruxo não tenham sido aproveitadas eficientemente na programação adulta. Um pena mesmo.

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