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Aplausos para o mediador
domingo, julho 6th, 2008
No sábado, Angel Gurría-Quintana foi fortemente aplaudido quando entrou novamente na Tenda dos Autores para assistir Tom Stoppard e Verissimo, após a ótima mediação na Mesa Paraíso Perdido. Voltou para fazer as apresentações da última mesa no domingo. Em muitos, na platéia, ele deixa a certeza de ser o melhor mediador de todas as FLIPs.
É porque são italianos?
sábado, julho 5th, 2008Eu devo estar errada. Não me importo. Mas diante da apresentação da mesa 13 só posso mesmo concluir que minha pergunta procedia (quando deparei-me com a programação) sobre o que deveria ser o objetivo da mesa. Os dois são italianos: Alessandro Baricco e Contardo Calligaris. Tá e daí? Durante a conversa a coisa não flui. Um é escritor, o outro psicanalista. Não falam a mesma língua (e não estou falando de idioma) e a mediação do jornalista Manuel da Costa Pinto não conseguiu unir as pontas das histórias mesmo puxando o nome de uma cidadezinha italiana onde nasceu o pai de um e o outro passava as férias na infância. Evidentemente é preciso mais para que uma mesa de conversa entre pessoas inteligentes mostre a que veio. Não mostrou. O que é uma pena, já que Alessandro Baricco é um dos melhores escritores dos nossos dias, talvez não tão conhecido e lido no Brasil como deveria. E quem perde com uma mesa assim é, infelizmente, o leitor: de literatura.
Literatura feminina, não.
quinta-feira, julho 3rd, 2008Se não é para falar do rótulo “literatura feminina”, por que alguém trouxe o assunto à baila? Para dizer que não queremos e não suportamos mais tais rótulos. Pode ser. Ou simplesmente para ter um fio condutor entre três mulheres que escrevem. E falam. E fazem. E cada uma diz a que veio. Aí está a mesa “Sexo, mentiras e videotape”, conduzida pelo escritor português José Luis Peixoto (corajoso!). O mediador apresenta as escritoras que vão começar lendo trechos de seus livros: Cíntia Moscovich, Zöe Heller e Inês Pedrosa.

Ao contrário do que se imaginava (eu, pelo menos imaginava isso ao ler a sinopse.), Cíntia não lê trechos dos livros Duas iguais ou Arquitetura do Arco-íris; mas ainda está dentro do chamado “universo feminino” (da mesa, claro) suas linhas em “Por que sou gorda, mamãe?” e foi este o livro escolhido. É um livro espetacular, apetitoso e foi o último lançado por Cíntia. Eu não diria que ele trata do feminino ou do feminismo, mas trata do humano. Se foi escrito pelas pontas dos dedos de uma mulher? Foi. E daí? Fosse homem: um “por que sou gordo, papai?” seria classificado como literatura masculina? Bem, a conversa foi mais ou menos por aí (só não contou com estes bedelhos que eu vou rascunhando em papel aqui debaixo da tenda pouco iluminada, estou calada e sou toda ouvidos). O trecho que Cíntia lê está no capítulo um do livro e fala sobre o codidiano da família judia em torno da comida e da importância disso para as famílias que passaram pela guerra:
“Se havia cinco pessoas na mesa, de bifes deveria haver por baixo, dez. Para que não passássemos pela dureza de medir o que estávamos comendo, quantos bifes são meus, quantos bifes são seus. Se isso acontecesse, papai simplesmente não comia bifes para que mais houvesse para dividir. Numa mesa feliz não se contam os bifes.” E eu aqui com meus botões pensando que de tal parágrafo bem que poderíamos tecer o início de uma tese sobre o papel masculino na literatura feminina. Cíntia prossegue até o final do capítulo que é o que deve ser grudado em geladeiras, armários de cozinha, portas de restaurantes e junto aos números de telefones de tele-entrega: “Gordos são pulsânimes. Gordos são suspeitos de ter caráter fraco e determinação quebradiça. Covardes. Mentirosos. Gordos se escondem para comer. Não têm um pingo de vergonha na cara. Gordos são simpáticos porque nunca serão bonitos”. E não termina aí. A mulherzinha bate forte e sem medo (só lamento pelos que se sentem ofendidos!). Eu me vejo como a gorda que concorda com a moça que pergunta certas coisas à sua mãe. Só não “peguei” direito o ponto em que tais questionamentos fazem desta uma literatura pertencente ao universo feminino. Mas tudo bem: tem a mãe no meio disso. Se você achar que explica, que bom. Eu discordo. E tem mais: se Cíntia Moscovich continuar relatando detalhes sobre a comida de vovó magra, vou escrever um livro para contar “Por que sou gorda, Cíntia?” Experimente fazer dieta e ler um capítulo do livro dela antes de dormir. E então? Isso seria literatura feminina por quê? Não! É simplesmente literatura. Rótulo é excesso.
A leitura da escritora inglesa foi um trecho de seu livro que ficou mais conhecido no Brasil pelo filme “Anotações sobre um escândalo” e trata do envolvimento entre uma mulher de 42 anos e um garoto de quinze, sendo ela uma mulher casada e mãe. Peixoto questiona Zöe sobre não perceber em seu livro uma ortodoxia sexual. A escritora sorri e diz que há mais publicidade que verdade sobre seu livro e avisa aos jovens: é um livro que tem bem pouco sexo. Uma das idéias no livro seria levantar essa questão que existe no discurso popular sobre existência de sexo sujo, ou sexo não sadio. Zöe se opõe às questões muito restritas a respeito disso e diz que: “se você entontra um cordeirinho e quer ter relações com ele, tudo bem, desde que ele consinta”. Salienta que na sociedade contemporânea, se um homem age assim, ele é visto apenas como um predador, mas se quem agir assim for uma mulher, ela é motivo para piadas.
Inês Pedrosa lê um trecho do seu último livro, A eternidade e o desejo em que a protagonista vive as lembranças de um amante que morreu violentamente e reparte seus sentimentos com amigo e companheiro de viagem com quem não tem relacionamento físico: “Temos sensibilidades gémeas, sim - mas não é isso que nos tornará um casal, nunca. Poderia até fazer amor contigo, se não te amasse tanto de uma forma tão envergonhada, transparente, pouco conjugal. O amor físico é feito de desvergonha e intimidade, e eu não posso ser íntima de uma pessoa que é feita de minha própria massa”. Atenção você que está imaginando aqui neste trecho qualquer semelhança com o amor vivido pelos protagonistas de “Fazes-me falta“. Engano seu, segundo Inês, é melhor que leia este livro até o final e descubra por si a diferença (esta foi uma resposta a uma pergunta da platéia). Se há dificuldades em Portugal sobre descrever situações de sexo, Peixoto se dirige à Inês. Ela lembra uma expressão cantada por Caetano Veloso “estou a vir”, que em Portugal é dizer “estou gozando”. Ao cantar, Caetano provocou um mal estar em algumas pessoas porque lá tais manifestações ainda são consideradas estranhas. “Mas é bom lembrar que nós também fazemos sexo em Portugal”, diz Peixoto. Inês Pedrosa rapidamente responde: “Nós não!”. Entre gargalhadas da pláteia, Inês explica a Peixoto que não é nada pessoal. Enfim, em Portugal ainda se fala pouco de sexo, fala-se de tudo, menos de sexo.
Mais de Cíntia. Quando Peixoto questina o fato da narradora dirigir-se a um narratário que é a mãe, sendo que a mãe é uma figura feminina marcante e pergunta quem seriam as outras pessoas para quem ela se dirige - se essas pessoas existem. Cíntia responde (gosto particularmente da introdução “assim ó”, sotaque muito gaúcho!) que na verdade há algo de Kafka em “Carta ao pai” e revela ser uma pretensão idiota, tudo por culpa do Modesto Carone (que traduziu Kafka). Enfim: “claro que eu queria acertar contas com ela, mas não tem mais problema agora porque já escrevi o livro e sobrevivemos!”. Comenta que não foi tão elegante quanto Kafka, afinal: “eu sou mais faca na bota”. No entanto, essa ficção confessional altamente biográfica sempre lhe pareceu desnecessária uma vez que sua vida pessoal não interessa a ninguém. Mas se há um narratário, essa figura a quem o narrador se endereça, deve ser afinal porque todo mundo tem mãe!

E lá vem novamente a questão sobre existir ou não uma literatura feminina (coisa meio chata isso, dá para ver na fisionomia de todos). Inês é direta: não existe. Sobre ela ter dirigido a revista Marie Clair faz questão de reforçar: eu dirigia uma revista feminista e não feminina. A escritora portuguesa acha extraordinário que no Brasil as mulheres não se manifestem a respeito da interrupção da gravidez (bedelho meu: por que chamar assim aquilo que conhecemos pela palavra “aborto”?) e que se submetam aos pastores evangélicos, tendo seus filhos em condições precárias ou sofrendo riscos por conta de clínicas clandestinas (sim, é aí que eu volto a me lembrar do mal falado Vallejo). Homens e mulheres precisam se olhar de igual para igual, segundo ela (pouparei você do que eu penso porque esta é uma questão nada simplista). Peixoto revela o quanto aprendeu com Zöe sobre o trecho em que ela relata a masturbação feminina, algo que era completamente desconhecido para ele. Entre gargalhadas do público, Zöe responde: “estou encantada com sua ignorância, José! Fico feliz em transmitir este conhecimento a você”.
Certo, vamos finalizar esta longa história de mulheres, ok? A mesa foi boa. Sério. Foi boa mesmo! E talvez por ser boa tenha rendido tanto. Então para terminar, Peixoto puxa Clarice Lispector e lembra a necessidade de se conhecer, falar de si mesmo para poder falar do outro ou para o outro. Pergunta: até que ponto conseguimos ou podemos nos afastar de nós para escrever? Cíntia cita algo de Inês: “cada pessoa é uma harmonia de solidão” e completa dizendo que cada um de nós é um abismo e é o conhecimento de tal abismo que nos fornece elementos para trabalhar a literatura porque, enfim, o drama da existência não é tão vasto assim e como disse Quintana: “o pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso”. Então, diz Cíntia, a verdade é que é preciso, sim, buscar o essencial dentro de si, lá nos arquivos na memória e dos afetos para escrever de tal forma que uma solidão se comunique com a do outro.
A materialização de uma fada
quinta-feira, julho 3rd, 2008Crônica de Walter Galvani* sobre Inês Pedrosa
Foi assim: era uma Jornada de Literatura de Passo Fundo e eu tinha que chegar a tempo de coordenar uma oficina sobre Crônica, minha especialidade predileta durante mais de cinqüenta anos de jornalismo. Não que eu fosse exclusivista, até gostei de fazer outras coisas, afinal fui e continuo sendo repórter, fui redator, editor, chefe de reportagem, secretário de redação e, finalmente, diretor de jornal, durante esses anos todos, passando, portanto, por todos os postos e situações.
Na chegada à Passo Fundo, onde se daria a Jornada, conheci Inês Pedrosa, de quem já tinha referências, mas nenhum conhecimento direto. Bem, foi conhecer e pronto: nos declaramos “amigos de infância” imediatamente.
Claro que a infância dela, passada entre Lisboa e Cascais, foi muito mais recente. Mas, lá estava eu, como um soldado seguindo prazerosamente tudo o que a Inês tinha para fazer em Passo Fundo. Dali nasceu uma ligação de compreensão e de ajuda recíproca. Talvez ela nem saiba o quanto me auxiliou com o seu texto sobre a minha oficina de crônica, denominada “O vôo da gaivota”, por que é assim que a intitulo querendo significar a busca do assunto numa frase que a escritora Valesca de Assis me pediu e eu tratei de produzir. A compreensão imediata de Inês me deu a tranqüilidade: eu estava certo.
E além de estar certo acabara de fazer uma conquista transatlântica, havia incorporado uma irmã, uma companheira de ideais e de combate.
Quando a vi, preparada para a palestra daquela noite, justamente com a apresentação da mesma Valesca de Assis, vestida com um terninho, de gravata e tudo, e quando a ouvi, vibrante e decidida, falando como um homem, aliás mulher, aliás sem sexo, com precisão e caráter, vi que minha opção estava certa.
Agora, me especializei em seguir a Inês: aonde ela vai, vou atrás, nem que seja em espírito. Assim como estou em Paraty, estou em Lisboa na Casa Fernando Pessoa que ela preside. E estarei por aí, no mundo lusófono, onde ela é uma estrela e uma fada bondosa, que ajuda os periféricos.
* Walter Galvani, gaúcho, jornalista e escritor consagrado, patrono da 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, RS, em crônica especialmente para este site. Nossos agradecimentos ao Walter, à Inês e também à querida Valesca que, citada no texto, já participa de uma constante festa literária. Gracias!
Na mesa do botequim
quinta-feira, julho 3rd, 2008
Paulo Roberto Pires puxou as cadeiras para Humberto Werneck (à esquerda) e Xico Sá (direita) na mesa “Conversa de Botequim”, no finalzinho de tarde desta quinta-feira. Era de se esperar o toque de irreverência e o papo solto, isso não se pode negar. O botequim abriu com Azulão, composição de Jayme Ovalle com poema de Manuel Bandeira sobre a música. Humberto Werneck está lançando o livro O Santo Sujo pela Cosac Naify, uma biografia de Jayme Ovalle para dizer pouco sobre o livro. Na verdade é um livro que revela o homem, o talento, o momento do país, as situações criadas, os artistas influenciados, a arte acariciada por Ovalle de quem se sabia pouco. E aí todos podiam estar falando sério mesmo, até que Xico Sá diz alguma coisa que faz estourar gargalhadas na platéia. Vai ser assim do começo ao fim.
Werneck lê um trecho do livro, quando Ovalle está em Londres, observando que o inglês foi uma língua que o compositor nunca dominou mesmo tendo morado em N.York por quatro anos. Xico Sá, antes de ler o seu texto, faz uma observação sobre o papel do jornalista-escritor, alguém “que não consegue fazer efetivamente uma coisa nem outra”. Explica que vai ler dois trechos de textos diferentes, um que está no seu computador denominado “trecho flip” e outro que ele gosta mais. Salienta que sua obra pode ser encontrada na Internet e que todo autor deveria ter uma generosidade mínima em deixar circular seu livro (na Internet, por exemplo), para que chegue a conhecimento dos leitores, podendo até render. Sobre a leitura do texto predileto, começa a explicar que se trata de um ponto do corpo humano para o qual não há nome: “aquele entre o cu e a buceta”; sendo imediatamente informado da existência do nome: “Períneo!”, solta Werneck. E com a fisionomia de espanto de Xico, novamente a platéia cai em gargalhadas. E mais gargalhadas durante as leituras e observações de Xico Sá. Unânimes sabemos que essas risadas não foram. Houve quem reclamasse de tamanha ousadia num auditório tão misto. Afinal, quem veio saber sobre Jayme Ovalle talvez não estivesse tão interessado em palavrões ou explicações escatológicas. Mas Werneck segurou a onda e foi adiante com o Santo Sujo - que neste caso é Jayme Ovalle.
E por que Werneck resolveu escrever sobre Ovalle? Porque não havia nada sobre ele, um personagem singular que influenciara vários poetas, músicos, compositores, sem que tivesse deixado uma única obra sua. Jayme Ovalle é um grande artista que não teve meio adequado; teve pouco estudo e uma epilepsia em forma branda. Foi Mário de Andrade quem percebeu o artista e a sua incapacidade de colocar para fora sua arte. Assim, Mário fez com que a arte de Ovalle “vazasse” em algumas conversas de botequim. Sabe-se hoje que Jayme Ovalle influenciou Manuel Bandeira, Dante Milano e chegou a dar-lhes histórias inteiras. Xico Sá lembra que Ovalle chegou a se apaixonar por uma pomba (é sério!) e que ficara desesperado quando descobriu que havia um pombo na vida da pombinha. Mais risadas. A conversa de botequim rendeu. Mesmo para quem não gosta de períneos… ou nem sabia que não gostava.
Botequim com Santo Sujo não poderia ser uma mesa totalmente inocente, mas foi interessante. E para quem não quer conhecer o tal pedacinho do corpo humano: esqueça isso e vá ler O Santo Sujo, um livro belíssimo!
Em branco e preto
quinta-feira, julho 3rd, 2008

Carlos Lyra na mesa 3, cujo objetivo era conferir “um caráter mais analítico à efeméride”. Isto em relação às comemorações dos cinqüenta anos da Bossa Nova. Assim, a mesa conta com a participação do crítico Lorenzo Mammì.
O espelho
quinta-feira, julho 3rd, 2008
Elisabeth Roudinesco apresenta o livro A parte obscura de nós mesmos - uma história dos perversos, salientando que é “uma” e não “a história”, uma vez que ela focalizou apenas o ocidente em seus estudos. Observa que os perversos são assim designados pela sociedade para que esta se mantenha afastada deles, segundo a psicanalista, uma preocupação em “se distanciar de uma parte maldita de si mesmos”. A mesa dois, “O Espelho”, com mediação de Eliane Moraes, talvez tenha sido um bom ponto de partida nesta sexta edição da FLIP e provavelmente seja um bom espelho para todas as demais mesas e programações debaixo da lona ou fora dela.
Leia mais no Portal Literal.
Muito barulho por nada?
quinta-feira, julho 3rd, 2008
Não é que eu não tenha nada a dizer sobre Fernando Vallejo. Certo é que tenho mais a ler dele. Antes da coletiva com a imprensa, por tudo o que os jornais e revistas já tinham se encarregado de escrever, eu me perguntava quem de fato era o homem que atraía tantos jornalistas. Vi um homem comum. Talvez um pouco menos comum, é verdade: ele fala coisas que as pessoas “boas” não falariam. Como eu acredito tanto em pessoas boas quanto no papai noel, parece-me que andam fazendo estardalhaço demais sobre essa figura. Há uma coisa que é simples de entender. Ele é um prato cheio para os jornalistas. E depois reclamam do que o cara fala! Mas por que perguntam? Tanta estrela no céu!
Mais sobre isso no Portal Literal.
Primeiro tempo
quinta-feira, julho 3rd, 2008Lucrecia, una mujer con cabeza.
quinta-feira, julho 3rd, 2008
Na manhã de quinta-feira os jornalistas tiveram a primeira conversa em coletiva com Lucrecia Martel. A cineasta argentina é aguardada pelo público que vai assistir à mesa 4, Ficções, contando ainda com a presença do escritor João Gilberto Noll e a mediação de Samuel Titan Jr. Segundo os organizadores, “um diálogo que tem tudo para cativar o público em Paraty”.
Lucrecia traz à FLIP o seu último longa-metragem, La mujer sin cabeza, numa mostra que acontecerá durante a programação paralela, FLIP ETC, às 23 horas de sábado. Na coletiva comentou sobre a importância de um país ter uma política cultural como base e observou o quanto é difícil fazer um filme enquanto se está cercado por outro tipo de cultura, referindo-se às políticas de mercado que absorvem o cinema americano. Chama a atenção para o pouco espaço nas salas de cinema disponíveis, mesmo num espaço cultural que ofereça oito ou dez salas é possível que um único filme infantil ocupe quatro salas (duas para o filme dublado e duas para não dublado).
Esclarecimento necessário
quinta-feira, julho 3rd, 2008Em primeiro lugar, pedimos desculpas a quem vinha acompanhando as informações sobre a sexta edição da FLIP por aqui desde fevereiro e encontrou-nos fora do ar justamente nos dias da Festa.
É preciso confessar que fomos ingênuos e crédulos além da conta por hospedar este site com uma empresa que não cumpre com suas promessas. As instabilidades com a hospedagem aconteceram antes, mas ao entrarmos em contato com a Hostlocation (muitas e muitas vezes mesmo!), recebemos uma série de justificativas e, por fim, o pedido de um voto de confiança, já que o Sr. Fernando Machado de Oliveira prometia, ele mesmo, dar atenção especial para este caso.
Lamentamos a existência desse tipo de serviço (que serviço?!) e lamentamos a falta de profissionalismo que ocorreu justamente quando já estávamos em Paraty, dependendo de contato via telefone celular e com um serviço de Internet Wi-fi na sala de imprensa. Fizemos todos os contatos que foram possíveis. E não era o caso de pedir, implorar suplicar, mas receber simplesmente o serviço contratado. Então, depois de horas e dias de grande estresse e desgaste, o Sr. Fernando diz não entender a hostilidade com que ele e sua competente equipe vem sendo tratada. Causa-nos espanto que ele não entenda, quando agora começamos a descobrir que tal desrespeito aos clientes ocorre pelo menos desde 2003 (basta uma busca ao Google e por isso pedimos mais uma vez desculpas por nossa ingenuidade), como se pode perceber pelas inúmeras reclamações de usuários através de fóruns de discussão e ações na justiça.
Agradecemos a solidariedade do Alcelmo Gois em sua coluna no jornal O Globo que divulgou (já que não tínhamos condições de fazê-lo) que a cobertura ocorria também para o Portal Literal. Também agradecemos à equipe do Portal Literal por ter confiado no nosso trabalho apesar de termos prometido divulgação neste site, sem que houvesse possibilidade de acesso a ele. Agradecemos a paciência e a compreensão de quem nos encontrou pelas ruas de pedra e perguntava o que acontecera ao Recortes. Agradecemos aos amigos e ao moço do Café Submarino que nos serviu com gentileza e simpatia em um momento de nervos à flor da pele. Por fim, agradecemos aos amigos que nos indicaram bons serviços de hospedagem, especialmente à Fabiana pela indicação da equipe do LunarPages que nos oferece um ótimo serviço (rápido, eficiente e honesto) que também passamos a indicar a partir de agora.
Aos nossos amigos e conhecidos apenas aconselhamos: não se aproxime nem confie em algo chamado Hostlocation ou Knal (o nome muda mas o tipo de trabalho é o mesmo). Nunca. Nunca mesmo. Mantenha distância. A máxima.
Na Flipinha, o Bruxo do Cosme Velho
quarta-feira, julho 2nd, 2008

Luiz Antônio Aguiar, Bia Hetzel e Luciana Sandroni na Flipinha.
[Fotografia de Ane Aguirre]
Imaginávamos que seria assim. Não porque Machado de Assis não seja lido e compreendido pelas crianças, sabemos muito bem que lido ele é (obrigatoriamente ou não). A questão talvez seja a faixa de idade dessas crianças e o modo como se pode oferecer Machado de Assis a elas. Fato é que na Flipinha o espaço está muito melhor destinado às crianças pequenas (muito pequenas), que são facilmente cativadas pelo colorido, pelas ilustrações e pelas brincadeiras e jogos. Talvez, se houver algum dia uma divisão por temas e idades, certas mesas de debates possam ser melhor aproveitadas. Como é o caso da conversa que aconteceu na tarde desta quarta-feira entre ótimos escritores.
Talvez seja o formato da Tenda Azul que desperte nos professores a idéia de que devem levar suas crianças a um passeio: como se fossem visitar um museu ou um parque. Entram e saem por ela, sentam uns minutos e levantam para, em seguida, brincar de outra coisa. A postura das crianças é natural se assim são conduzidas. O que acontece é que no meio do passeio há uma fala que deveria estar sendo dirigida a quem se interessa por ela. Outras crianças, um pouco maiores, talvez pudessem aproveitar disso se não fosse o clima de dispersão da tenda. Creio que os poucos adultos que insistiram e colocaram foco no tema não devem ter saído dali insatisfeitos. Lamentável apenas o fato de que algo tão bom como as histórias de Sandroni, a experiência de Bia Hetzel e o modo brilhante como Luiz Antônio Aguiar conduziu o cotidiano de Machado de Assis e as lendas que giram em torno do Bruxo não tenham sido aproveitadas eficientemente na programação adulta. Um pena mesmo.
A loucura começou
quarta-feira, julho 2nd, 2008Era de se esperar. A festa só vale se houver esse clima, esses caminhos tortos, essas pessoas aos montes caminhando por todos os lados. Certeza de nada. Esperança de tudo. Hoje pela manhã tivemos sérios problemas com o provedor e não era para acontecer. Uns gritos podem estremecer um aparelho de telefone, depois a gente volta a sorrir. Tudo faz parte da festa. Nada pode ser completamente previsível. Nem sempre a Internet é amiga. A partir de agora nem temos certeza se poderemos comer, ficamos felizes em respirar. E o ar é dos bons, isso a gente garante. A cidade já está cheia e muita gente ainda está chegando. O certo é que a festa acontece. Boa, como sempre, em alegre loucura. Daqui a pouco a gente volta. Agora vamos ver o que têm a dizer os autores na Flipinha. Bia Hetzel e Luiz Antonio Aguiar falam às 15 horas na Tenda Azul sobre o Bruxo do Cosme Velho: programa de criança? Eu não apostaria nisso.
No Portal
quarta-feira, julho 2nd, 2008Você pode (e deve!) acompanhar a gente ali no Portal Literal, especial FLIP. É só clicar aqui ó.








