Ingo Schulze
Ingo Schulze, nasceu em Dresden em 1962, estudou a filologia clássica na universidade de Jena entre 1983 e 1988. Trabalhou como dramaturgo no teatro de Altenburg até 1990, depois na redação de um jornal, ocupação que o levou em 1993 a St. Petersburg onde permaneceu por meio ano, antes de firmar-se como escritor, tornando-se parte da nova geração de autores alemães. Tem vivido desde então em Berlim. Com um texto despojado, relata histórias, quase crônicas, de sua estada na antiga Alemanha Oriental pós-unificação. Sua narrativa fez com que ele se destacasse como um dos jovens autores mais importantes dos dias atuais. Sua primeira obra, em 1995, “33 momentos de felicidade” (33 Augenblicke des Glücks) deu-lhe a grande honra, há muito não obtida por um escritor alemão: o New Yorker reproduziu três dos relatos de sua prosa que logo depois seria publicada em versão para a língua inglesa. Com este livro ele recebeu o Prêmio Alfred Döblin e o Prêmio Ernst Willmer do Concurso Ingeborg Bachmann.
Seu trabalho como dramaturgo na pequena cidade de Altenburg inspirou-lhe o segundo livro: “Histórias simples”, contos de fragmentos biográficos de personagens que vivem nesta província da Alemanha Oriental, fatos do cotidiano de pessoas comuns que se deparam com a rápida e radical mudança nos seus dias. A crítica saudou-lhe com boas vindas: era a literatura da mudança que há muito se esperava. O êxito de sua obra rendeu-lhe traduções para mais de vinte línguas.
No romance “Vidas novas” (Neue Leben) , Schulze volta a se mostrar um narrador talentoso, refletindo de modo único a respeito do transtorno da reunificação. Como cronista da história alemã mais recente, ele domina o panorama da mudança entre 1989 e 1990, o momento em que passa a se produzir a nova conjuntura alemã. Em “Neue Leben”, o protagonista Enrico Türmer – escritor impedido de exercer seu ofício e redator de jornal em princípio de carreira – descreve sua vida na RDA no período da mudança através de cartas a um amigo de juventude, a sua irmã e a um amor impossível. São cartas escritas em 1990, durante as madrugadas entre 06 de janeiro e 11 de julho, documentando tanto a mudança de vida pessoal de Türner quanto os momentos de profunda transformação do país. Em 2001, Schulze recebeu o prêmio alemão de literatura Josef Breitbach, em 2006 Peter Weiss, assim como o prêmio de literatura Thüringer no ano seguinte. Desde 2006 também é membro da Academia de Artes de Berlim e da Academia Alemã de Línguas e da Arte Poética em Darmstadt.
No Brasil, apenas Histórias Simples foi publicado pela Lacerda Editores em 2002. Há também a participação de Schulze na coletânea de contos organizada por Nadine Gordimer em 2007 chamada “Contando Histórias”: 21 contos escolhidos pelos próprios autores, que abriram mão de seus direitos autorais (entre eles José Saramago, Gabriel García Márquez, Amós Oz, Arthur Miller, Woody Allen). Aguarda-se agora o lançamento de Celular - Treze histórias à maneira antiga, pela Cosac Naify.
Obras:
- 33 Augenblicke des Glücks, Berlin 1995 (”33 Moments of Happiness”)
- Simple Storys, Berlin 1998 [German text under an English heading]
- Der Brief meiner Wirtin, Ludwigsburg 2000
- Von Nasen, Faxen und Ariadnefäden, Berlin 2000
- Mr. Neitherkorn und das Schicksal, Berlin 2001
- Würde ich nicht lesen, würde ich auch nicht schreiben, Lichtenfels 2002
- Neue Leben, Berlin 2005
- Handy. Dreizehn Storys in alter Manier, Berlin 2007.
Publicações no Brasil:
História Simples da Alemanha Oriental
Lacerda Editores, 2002 (Na Cultura por R$49,00 e na Siciliano por R$ 36,00)
Contando Histórias - organização de Nadine Gordimer
Companhia das Letras, 2007







