Pierre Bayard

Nascido na França em 1954, o professor de literatura da Universidade de Paris VIII na periferia parisiense, Pierre Bayard é também psicanalista e autor de 15 livros. Seu tempo divide-se entre a redação de novelas e ensaios sobre literatura. Vem conquistando um público cada vez maior e heterogêneo justamente por saber combinar sabiamente intrigas policiais e reflexões teóricas sobre literatura. É um autor contemporâneo que não ignora a dimensão lúdica em seus escritos. Segundo a crítica e o público, o êxito e as ambições literárias originais são as qualidades com que constrói suas linhas através de intertextualidade rica em informações. Aos 52 anos, sua habilidade é ligar literatura e psicanálise. Ele admite que é tudo menos um leitor assíduo e confessa que muitas vezes faz referências em palestras e reuniões a obras que não leu sem que este detalhe seja descoberto. Assim, na França, sua obra mais recente “Comment parler des livres que l’on n’a pas lus?” (2007) já teve mais de dez mil exemplares vendidos, além de ter sido publicada em mais de 23 países. No Brasil, Como falar dos livros que não lemos foi lançado pela Editora Objetiva (2008, 208 pág., R$29,90).

Sobre a obra do escritor, Isabelle Rüf tece argumentos interessantes aqui resumidos:

Pierre Bayard não hesita em restabelecer a ordem (ou a desordem, dependendo de ponto de vista). Propõe-se, entretanto a retificar não a natureza, mas as obras literárias. Já ousou revelar Quem matou Roger Ackroyd? (Qui a tué Roger Ackroyd? - Minuit, 1998), e ainda propôs Como melhorar as obras erradas? (Comment améliorer les œuvres ratées? - Minuit, 2000) além de ter efetuado um Inquérito sobre Hamlet (Enquête sur Hamlet. Le Dialogue de sourds - Minuit, 2002). Então ataca a Sherlock Holmes, detectando as obcecações que impediram o famoso detetive de reconhecer a verdade em O Negócio do cão do Baskerville (L’Affaire du Chien des Baskerville - Minuit, 2008). “Como Conan Doyle pôde enganar-se à este ponto?” - É que faltava-lhe, explica Bayard, “os instrumentos da reflexão contemporânea sobre os personagens literários”, seres autônomos, agindo freqüentemente ao conhecimento do autor. Investigador por sua vez, o ensaísta refaz o caminho de Sherlock Holmes e do doutor Watson, com a sua meticulosidade habitual: o que chama a “crítica policial”, intervencionista “visa ser mais rigoroso que os detetives da literatura e os escritores”. As teorias de Pierre Bayard prestam-se largamente à discussão, conduzem às vezes a impasses como em Pode-se aplicar a literatura à psicanálise? (Peut-on appliquer la littérature à la psychanalyse - Minuit, 2004) - ou parecem reduzir-se a jogos de paradoxo, como em Como falar dos livros que não lemos? (Comment parler des livres que l’on n’a pas lus? – Minuit, 2007). Mas sempre são subjazidas por um fio útil. Afinal a verdade é que qualquer leitura do real é enviesada pelo “a priori” do leitor, passível assim de ser entregue em questão.
(Fonte: Payot Libraire

Obra:

  • Balzac et le troc de l”imaginaire. Lecture de La Peau de chagrin (Lettres modernes-Minard, 1978).
  • Symptôme de Stendhal. Armance et l’aveu (Lettres modernes-Minard, 1980).
  • Il était deux fois Romain Gary (Presses universitaires de France, 1990).
  • Le Paradoxe du menteur. Sur Laclos (Minuit, 1993).
  • Maupassant, juste avant Freud (Minuit, 1994).
  • Le Hors-sujet. Proust et la digression (Minuit, 1996).
  • Qui a tué Roger Ackroyd? (Minuit, 1998 et « Reprise », 2002).
  • Lire avec Freud. Pour Jean Bellemin-Noël, dir. Pierre Bayard (Presses universitaires de France, 1998).
  • Comment améliorer les œuvres ratées? (Minuit, 2000).
  • Enquête sur Hamlet. Le Dialogue de sourds (Minuit, 2002).
  • Le Détour par les autres arts. Pour Marie-Claire Ropars, dir. Pierre Bayard et Christian Doumet (L’Improviste, 2004).
  • Peut-on appliquer la littérature à la psychanalyse (Minuit, 2004).
  • Demain est écrit (Minuit, 2005).
  • Comment parler des livres que l’on n’a pas lus? (Minuit, 2007).
  • L’Affaire du Chien des Baskerville (Minuit, 2008).