A materialização de uma fada
quinta-feira, julho 3rd, 2008Crônica de Walter Galvani* sobre Inês Pedrosa
Foi assim: era uma Jornada de Literatura de Passo Fundo e eu tinha que chegar a tempo de coordenar uma oficina sobre Crônica, minha especialidade predileta durante mais de cinqüenta anos de jornalismo. Não que eu fosse exclusivista, até gostei de fazer outras coisas, afinal fui e continuo sendo repórter, fui redator, editor, chefe de reportagem, secretário de redação e, finalmente, diretor de jornal, durante esses anos todos, passando, portanto, por todos os postos e situações.
Na chegada à Passo Fundo, onde se daria a Jornada, conheci Inês Pedrosa, de quem já tinha referências, mas nenhum conhecimento direto. Bem, foi conhecer e pronto: nos declaramos “amigos de infância” imediatamente.
Claro que a infância dela, passada entre Lisboa e Cascais, foi muito mais recente. Mas, lá estava eu, como um soldado seguindo prazerosamente tudo o que a Inês tinha para fazer em Passo Fundo. Dali nasceu uma ligação de compreensão e de ajuda recíproca. Talvez ela nem saiba o quanto me auxiliou com o seu texto sobre a minha oficina de crônica, denominada “O vôo da gaivota”, por que é assim que a intitulo querendo significar a busca do assunto numa frase que a escritora Valesca de Assis me pediu e eu tratei de produzir. A compreensão imediata de Inês me deu a tranqüilidade: eu estava certo.
E além de estar certo acabara de fazer uma conquista transatlântica, havia incorporado uma irmã, uma companheira de ideais e de combate.
Quando a vi, preparada para a palestra daquela noite, justamente com a apresentação da mesma Valesca de Assis, vestida com um terninho, de gravata e tudo, e quando a ouvi, vibrante e decidida, falando como um homem, aliás mulher, aliás sem sexo, com precisão e caráter, vi que minha opção estava certa.
Agora, me especializei em seguir a Inês: aonde ela vai, vou atrás, nem que seja em espírito. Assim como estou em Paraty, estou em Lisboa na Casa Fernando Pessoa que ela preside. E estarei por aí, no mundo lusófono, onde ela é uma estrela e uma fada bondosa, que ajuda os periféricos.










