Archive for the ‘Livros FLIP 2008’ Category

Livros para escolher

quarta-feira, junho 25th, 2008

 

Há quem leve seus livros de casa para que sejam autografados pelos autores na FLIP (eu faço isso, confesso). A vantagem é que comprar antes pode ser muito mais em conta tendo em vista a possibilidade de comparar preços e tal (afinal, há muitas livrarias no mundo e na FLIP só tem uma!). Além disso, pode-se ler antes, o que é ótimo! Mas a desvantagem fica por conta do peso da bagagem. Se as rodinhas forem boas, passe na nossa estante e dê uma olhadela. Temos ali uma lista de autores, livros e lançamentos. Ah, evidentemente não tivemos a pretensão de listar todos os livros de cada autor, mas uma dica pode levar a outra, para a alegria das livrarias! E por falar em livrarias, também fizemos uma rápida pesquisa para ter uma idéia do tamanho das diferenças de preços praticados hoje. Não vamos esticar mais a tal pesquisa porque é algo que cada leitor e comprador de livros pode fazer ao seu modo, observando vantagens como descontos, prazos, parcelamentos, tempo para entrega, taxas, enfim! o importante é ter olhos abertos, certo? Aproveite bem as dicas!

Predadores

segunda-feira, junho 23rd, 2008

Lançamento de Pepetela na FLIP pela Língua Geral:

Com 16 romances publicados, o angolano Pepetela (pseudónimo de Artur Pestana) é um dos mais conhecidos e respeitados escritores da África. Em 1997 foi galardoado com o prémio Camões pelo conjunto da sua obra.

Mediante a ascensão de um homem de origem humilde, Vladimiro Caposso, que se serve da estrutura partidária e do aparelho de Estado para se transformar num poderoso empresário, Predadores desenha um retrato irónico, freqüentemente cáustico, da actual sociedade angolana. A linguagem é simples e direta, o enredo preciso, segurando o leitor da primeira à última página.

Com este romance Pepetela fecha, de certa forma, um ciclo de desencanto com a forma como evoluiu o regime angolano desde 1975. Sabendo-se que Pepetela combateu, de armas na mão, pela independência do seu país, e que integrou os primeiros governos angolanos, compreende-se melhor onde foi buscar a força e a revolta para escrever Predadores, grande sucesso de vendas e de crítica em Portugal.
(José Eduardo Agualusa)

Quem disse o quê

“Predadores não se lê, devora-se. Este trabalho para além de estar embebido de uma ironia formidável, é uma denúncia muito lúcida e muito sofrida ao arrisvismo que tomou conta dos centros de poder angolanos. Hilariante e arrepiente.”
(Francisco Nunes, Planície Heróica, Alentejo)

“Tenho muita admiração e muito respeito por ele [Pepetela]. Pelo homem. E acho que a obra dele é profundamente honesta. Isto é a melhor qualidade que um escritor pode ter.”
(António Lobo Antunes, Ler, maio de 2008, Lisboa)

Título: Predadores
Autor: Pepetela
Coleção: Ponta-de-lança
ISBN: 978-85-60160-27-3
Brochura, 552 p.
R$ 45,00

Informação: Língua Geral

Livros na FLIP

quarta-feira, junho 18th, 2008

Dica. Peguem seus bloquinhos e anotem os livros que estão sendo lançados por esses dias, alguns já nas livrarias, outros chegando por aí a qualquer momento, outros já circulando há algum tempo. Notem e anotem que não estamos recomendando, estamos apenas observando que há lançamentos para vários gostos e eles devem estar na FLIP junto com seus respectivos autores, certo? Boa leitura!

Alessandro Baricco – Sem sangue - Companhia das Letras;

Cees Nooteboom – Paraíso perdido – Companhia das Letras;

Chimamanda Ngozi Adichie – Meio sol amarelo - Companhia das Letras;

David Sedaris – Eu falar bonito um dia – Companhia das Letras (aguardando lançamento);

Elisabeth Roudinesco - A parte obscura de nós mesmos - Zahar;
Jacques Lacan - esboço de uma vida - Companhia das Letras

Fernando Vallejo - O despenhadeiro - Alfaguara;

Gabrielle Walker- O tema quente - Objetiva;

Inês Pedrosa - A eternidade e o desejo - Alfguara;

Ingo Schulze – Celular – Cosac Naify;

Martín Kohan - Ciências morais – previsão para julho, Companhia das Letras;

Misha Glenny – McMáfia – Companhia das Letras;

Nathan Englander - Para alívio dos impulsos insuportáveis - Rocco;

Neil Gaiman - Coisas frágeis - Conrad;

Pepetela - Predadores - Língua Geral;

Pierre Bayard - Como falar dos livros que não lemos? - Objetiva;

Richard Price - Lush life – previsão de lançamento na FLIP, Companhia das Letras;

Contardo Calligaris – O conto do amor – Companhia das Letras;

Emílio Fraia e Vanessa Bárbara – O verão do Chibo – Alfaguara;

Humberto Werneck – Santo sujo – Companhia das Letras;

João Gilberto Noll - relançamentos pela Record:
O cego e a dançarina, A céu aberto, A fúria do corpo, Rastros do verão, Acenos e afagos, Bandoleiros.

José Miguel Wisnik – Veneno remédio – Companhia das Letras;

Lorenzo Mammí - Três canções de Tom Jobim - Cosac Naify;

Vanessa Barbara - O livro amarelo do terminal - Cosac Naify;

Vitor Ramil – Satolep – Cosac Naify.

Se esquecemos algum, usem o espaço de comentários que a nossa memória agradece! (thanks, Diana e Paula!) E tem mais. No perfil dos autores ali na lateral é possível fazer lista para encher a cesta.

Veja mais livros aqui e outros preços aqui.

Paraíso Perdido

quarta-feira, maio 28th, 2008

“Hipnótico. [...] Os personagens de Nooteboom são cativantes,
seu diálogo é cheio de humor e sua narrativa
transborda de reflexões sobre identidade e redenção.”
[The Washington Post]

capa-paraiso-perdido-cees Com mão delicada e precisa, circulando entre vários narradores, tempos e espaços, Cees Nooteboom, um dos maiores escritores holandeses em atividade, cria uma bela fábula de encontros e desencontros, pontuada de aventuras amorosas e existenciais.

Alma e Almut são brasileiras, jovens e bonitas. Netas de alemães, historiadoras da arte, viajadas, vivem no conforto dos Jardins, em São Paulo, até Alma ser estuprada nas imediações de uma favela. As duas amigas resolvem, então, buscar outros ares num país que sempre as deslumbrara: Austrália.
Ali, as duas pretendem entrar em contato com a cosmogonia e a cultura milenar do país. Porém, enquanto Alma, a mais espiritual, busca “exorcizar um demônio”, sua amiga Almut se ocupa em levantar algum dinheiro trabalhando. Depois que Alma se envolve num rápido affaire com um inescrutável pintor aborígene, as duas amigas partem para a cidade de Perth, onde arranjam trabalho vestidas de anjos em uma performance artística durante um festival, episódio inspirado num fato real.

Da Austrália, a trama, habilmente construída com avanços e recuos no tempo e no espaço, deságua em Amsterdã, onde encontraremos Erik Zondag, um amargo, cético e divertido crítico literário. De partida para um spa na Áustria, onde tentará perder peso e se curar de um insidioso alcoolismo, ele não imagina que o acaso o levará a um reencontro com o passado.

Cees Nooteboom, “um dos maiores romancistas modernos”, na opinião da escritora e crítica inglesa A. S. Byatt, e certamente um dos mais importantes autores da Holanda, faz jus, em Paraíso perdido, à reputação que tem de “estilista cuidadoso da prosa, com notável inclinação filosófica”, nas palavras do Nobel de literatura J. M. Coetzee.

Paraíso Perdido
Cees Nooteboom
Companhia das Letras, 2008.
Tradução: Cristiano Zwiesele do Amaral
Capa: warrakloureiro
Brochura, 160 páginas
ISBN: 9788535912296
R$ 32,00

Fonte: Companhia das Letras

Pós-Guerra

quarta-feira, maio 28th, 2008

“Ritmo de thriller e alcance de uma enciclopédia. Brilhante.”
[New York Review of Books]

“Este é o melhor livro de história sobre a Europa no período após a
Segunda Guerra Mundial, e não deverá ser superado por muitos anos.”
[Publisher's Weekly]

“Impressionante. O texto evoca a vida real; seu alcance - que
abrange países tanto pequenos como grandes - é sem igual.”
[The New Yorker]

O inglês Tony Judt, um dos historiadores e intelectuais mais respeitados da atualidade, dedicou pelo menos uma década de pesquisa e reflexão à desafiadora tarefa de escrever a primeira História da Europa contemporânea. Ao longo de novecentas páginas, Pós-Guerra vai de Portugal à Rússia, abrangendo 34 países e cobrindo um período de sessenta anos em uma só narrativa.

Com uma abordagem inovadora, Judt trata praticamente todo o século XX como “o epílogo da Segunda Guerra” e considera o ano de 1989, marcado pelo colapso do comunismo e a queda do muro de Berlim, este sim o começo do fim do pós-guerra.

Apesar do tamanho e complexidade do continente, Judt criou um relato coeso de seu passado recente. Sofisticado e ao mesmo tempo acessível leigos no assunto, Pós-guerra reúne relações internacionais, políticas internas, pensamentos e teorias, mudanças sociais e aspectos culturais numa grandiosa narrativa.

Cada país tem seu momento de entrar em cena, ainda que os chamados grandes temas estejam sempre em foco - a guerra fria, a relação de amor e ódio dos países europeus com os Estados Unidos, a decadência e o renascimento cultural e econômico, o mito e a realidade da unificação econômica na Comunidade Européia, nenhum deles ofusca o grande personagem que é este continente como um todo.

Uma das conclusões mais interessantes a que Judt chega é apresentada no último capítulo, “Da casa dos mortos”, no qual analisa o efeito do Holocausto sobre a personalidade coletiva do continente. Ainda que tenha levado mais de quarenta anos para ser assimilada, é exatamente a tragédia da Segunda Guerra que confere unidade à Europa.

Seguindo essa linha de raciocínio, o autor critica também a atual posição política de Israel, que, apoiado pelos Estados Unidos, distorce o significado do Holocausto e o simplifica ao nível de uma matança de judeus. Judt, que também é judeu e viveu o período do pós-guerra na Europa, afirma que, com isso, o momento histórico fica esvaziado de significado. Para ele, a compreensão da importância do Holocausto passa pela percepção da universalidade do mal que um povo pode impingir a outro em qualquer genocídio. Ele destaca o drama do Kosovo e da Iugoslávia, por exemplo, como um alerta: a lição ainda está por ser aprendida.

Mas Pós-Guerra não se detém a uma só conclusão. Judt analisa assuntos tão diferentes e tão importantes na formação e na unificação do caráter da Europa contemporânea - os movimentos estudantis, culturais e de independência, o cinema e até o futebol.

Pós-Guerra foi eleito um dos dez melhores livros do ano de 2005 pelo New York Times e escolhido pela revista Time como o melhor livro do ano.

Pós-Guerra
Tony Judt
Tradução: José Roberto O’Shea
Brochura - 880 páginas
R$ 79,90
ISBN 978-85-7302-879-9

Fonte: Objetiva

BEM-VINDO À SATOLEP!

terça-feira, maio 27th, 2008

No caminho para o sul, a paisagem ganha o peso dos sonhos. A cerração, a planície, o vento frio. Tudo isso se intensifica quando nos aproximamos de Satolep, cidade que o gaúcho Vitor Ramil construiu a partir de sua Pelotas natal. A história do romance Satolep (anagrama da palavra “Pelotas”), de Ramil, começa com um retorno. No dia do seu aniversário de trinta anos, o fotógrafo Selbor volta à cidade onde nasceu, a úmida e fantasmática Satolep.

No início da década de 90, depois de cinco anos morando no Rio de Janeiro, Ramil fez movimento similar e voltou a viver no sul. Foi o momento em que começou a refletir de maneira mais vigorosa sobre sua identidade gaúcha, e lançou as bases do que viria a chamar de “estética do frio“. As palavras de Selbor (”voltar… Saiba que, seja o que for, significa muito”) encontram eco no famoso conto de Borges, “O sul”, em que o personagem retorna à estância de seus avós maternos e, durante a jornada austral, suspeita que viajava também ao passado.

É este encontro, do narrador e seu passado, que está em jogo em Satolep; uma espécie de encruzilhada onde a herança dos tempos idos e as tensões do presente convergem sem encontrar um equilíbrio (”às vezes, o lugar onde queremos chegar fica exatamente onde estamos”, reflete Selbor). Além de uma paisagem de vento, noites brancas e telhas enegrecidas, uma cidade “amiga dos silêncios e dos vazios”, o protagonista do romance se depara com personagens reais da história pelotense, caso do escritor João Simões Lopes Neto, autor dos livros Contos gauchescos e Lendas do sul; do poeta, jornalista e boêmio Lobo da Costa; e do cineasta Francisco Santos, autor de um dos primeiros filmes de ficção realizados no Brasil.

O próprio narrador, Selbor, tem uma origem real. Foi inspirado em um fotógrafo que documentou amplamente a cidade de Pelotas no início do século XX. Essas fotografias, publicadas originalmente em um livro chamado Álbum de Pelotas, organizado por Clodomiro Carriconde, em 1922, foram recolhidas por Ramil e serviram como ponto de partida para o romance. Em Satolep, elas ocupam um lugar central. Selbor é o autor das fotos, “uma espécie de diário de viagem, um relato indireto dessa minha volta a Satolep”. Essas imagens surgem intercaladas à narrativa, sempre acompanhadas de textos breves, instantâneos de neblina, lirismo e alucinação. Estes excertos são encontrados por Selbor dentro de uma pasta, esquecida por um rapaz na estação de trens. De maneira fantástica e misteriosa, eles parecem complementar os cliques de Selbor. “Os textos da pasta haviam sido tirados pelo rapaz a partir de imagens futuras de minha autoria”, espanta-se o personagem. Esses curtos relatos seguem os passos do narrador-fotógrafo pela cidade, reservando a ele uma espécie de narrativa poética de sua trajetória.

Explorar esses escritos, sua relação com as fotos, revela-se para Selbor como uma espiral vertiginosa de busca por si mesmo. “Nascer leva tempo”, sentencia Ramil. Entender o passado faz parte deste processo. A identificação entre o narrador e a cidade, que é transferida da “fotografia”, do espaço, para a memória, é o motor do romance (”o homem faz a cidade, a cidade faz o homem”, diz o escritor João Simões). Satolep se interpõe no caminho do narrador; está enraizada, é irremovível e condiciona os atos e sentimentos deste protagonista. O narrador e a cidade parecem feitos da mesma substância, uma certa neblina e vento frio, a “umidade que sai de noite e dorme de dia”.

Além de livro, Satolep é também nome de uma música, de um disco (”Satolep Sambatown”, de 2007) e de um personagem de Ramil, o Barão de Satolep, um nobre pelotense pálido e corcunda, alter-ego do músico e escritor. Pedaço de um Brasil muito particular, Satolep é presença fixa na obra de Vitor Ramil, um lugar a qual ele recorre, percorre e busca recriar para constituir a si próprio e “tornar nítido até o que não existe”.

!satolep á sodniv-meB.

 

SATOLEP
Vitor Ramil
ISBN 978-85-7503- 709-6
Capa dura, 21 x 11,5 cm
288 páginas, 28 ilustrações
R$ 39,00

Fonte: Cosac Naify

Celular

terça-feira, maio 27th, 2008

Epifanias do cotidiano

Primeiro autor de língua alemã a participar da FLIP lança livro de contos

Um dos seis melhores romancistas jovens da Europa.
[New Yorke Yorker]

Convidado da Festa Literária Internacional de Paraty, Ingo Schulze, 46, é um cidadão em constante deslocamento. O escritor natural de Dresden já visitou dezenas de países para fazer leituras públicas e participar de eventos literários. Seus livros também circulam bastante pelo mundo nas 27 línguas em que foram traduzidos. Depois de escritores da Espanha, França e Argentina, a Cosac Naify leva à 6ª edição da FLIP um grande talento da literatura alemã atual Schulze foi considerado pela New Yorke um dos seis melhores escritores jovens da Europa contemporânea.

Com diversos prêmios e elogios da crítica internacional, Schulze foi chamado pelo seu conterrâneo Günter Grass de “o nosso novo escritor de épicos”. Celular - treze histórias à maneira antiga recebeu o prêmio de melhor livro de ficção na Feira de Leipzig de 2007. Nessa coletânea de contos, Schulze narra os encontros e desencontros de personagens comuns, com simplicidade e linguagem saborosa, desmistificando a fama de que a literatura alemã seja cerebral demais e para poucos.

O pano de fundo da antiga Alemanha Oriental, onde o escritor nasceu e morou, aparece às vezes com toques do filme Adeus Lênin!, porém sem a Ostalgie, a dita nostalgia do Leste, mostrando como a vida de ocidentais e orientais se transformou nesses quase vinte anos após a queda do Muro. Na verdade, tudo mudou. Sejam as novas configurações da família quando o homem cuida da casa, e a mulher trabalha fora, ou histórias de paternidade descoberta tardiamente, o vandalismo gratuito, o medo do terrorismo, das guerras, a decadência do Leste Europeu pós-comunista.

Em Celular, muitas vezes basta um olhar mais irritado para mudar profundamente a aparência harmônica de um novo amor, a relação entre vizinhos ou uma descontraída viagem de férias. Seja num cabeleireiro em Manhattan ou em uma casa de campo perto de Berlim, há sempre uma atmosfera de tensão pairando nas histórias que aparentam tratar das coisas mais banais. Mas essas situações, quando vistas pelas lentes do grande observador que é Schulze, são tratadas com humor e linguagem apurada.

Os contos falam desses deslocamentos da felicidade, nos quais os personagens se defendem contra um mundo em constante aceleração, o mundo do celular, do tempo do celular, este aparelho que nos torna excessivamente comunicáveis e que não nos permite sumir ou ficar em silêncio. E Schulze reflete justamente sobre isso, e sobre sua condição de escritor diante dessa realidade.

Assim, ele constrói essas complexas teias de relações do cotidiano prosaico com extrema habilidade, e com este livro moderno se mostra um grande narrador - à maneira antiga.

Celular – Treze histórias à maneira antiga
Ingo Schulze
Tradução e posfácio: Marcelo Backes
Orelha: Márcio Seligmann-Silva
Brochura - 352 páginas
R$ 45,00
ISBN 978-85-7503- 713-3

Fonte: Cosac Naify

Como não falar?

quinta-feira, maio 15th, 2008

Vou ser franca. É a minha opinião, portanto sinta-se livre para discordar: se você quer aprender a falar de livros que não leu - e que não pretende ler - deve procurar ajuda médica urgente. Um psicanalista talvez possa ajudar? Por que não?

Tive dúvidas sobre ler ou não ler o livro “Como falar dos livros que não lemos?”. Mas eu transformei uma única dúvida em milhares no decorrer de minha leitura. E ao final de tudo, concluo que posso deixá-las todas em alguma gaveta junto com o livro de Pierre Bayard. Por fim, dediquei-me a ler e ouvir algumas entrevistas do autor a jornalistas e descobri que ele nunca teve intenção de propor as conclusões que obtive com minha leitura de seu livro. Também me pareceu estranho a descoberta (através de uma das matérias) de que o narrador do livro é, por coincidência, um professor universitário na França, mas evidentemente não é o autor do livro - trata-se apenas de um personagem, algo como uma estratégia para melhor conduzir a leitura. O livro que eu li como se fosse uma série de ensaios de um professor, era de fato um livro de ficção tratando de ensaios relatados por um determinado personagem. Certo. Sim, eu fiquei confusa com a informação, mas admito que me tranqüilizou.

Então eu de fato não li o livro que pensei ter lido. Enfim, ainda poderia falar sobre ele. Sim, porque é possível (disse o professor imaginário) e até mesmo desejável falar sobre os livros que não lemos. Se alguém quisesse saber minha opinião eu diria que “como?” não seria tão adequado como “por quê?”. E aconselharia uma pequena mudança no título do livro. Acredito que o livro que não li explica muito bem “o porquê” de uma criatura precisar falar daquilo que nunca leu: “leitura não é somente conhecimento de um texto ou aquisição de um saber” (oh, desculpe, concordo plenamente até aqui!), mas a essência de “CFDQNL” está em provar o quanto é importante demonstrar cultura e conhecimento, para além da leitura, passando sobre ela, voando sobre a infinita biblioteca do conhecimento e sabendo exatamente onde encontrar a peça necessária para o discurso convincente nas boas rodas sociais (e viva o Google, então!).

Se eu estiver errada, perdoem-me, eu nem tenho certeza de ter lido o livro ao qual me refiro. Vejo nas margens dele a minha caligrafia em lapiseira nervosa e sei que estou falando de um livro que inventei. Porque é isso que fazemos quando lemos. Os olhos passam sobre aquelas linhas, mas o pensamento vai misturando aquilo que já está dentro com aquilo que se adiciona naquele instante, bate tudo e serve em copos limpos uma outra coisa: um livro novo, inventado, algo que outra pessoa não leu, que você mesmo não vai ler novamente e que vai ser modificado a cada olhar e cada tempo. Ótimo. Para mim é a perfeição. Fiquei horas sobre o capítulo IV lendo e relendo e pensando: como alguém pode me trazer tais referências para me dizer exatamente o contrário do que elas significam para mim?

Mas há uma lição que pode ser tirada do tal coquetel. Entendi. Acho. No epílogo, lá pelo pelos últimos parágrafos eu entendi que se cada leitura pode ser reinventada, e se o que você me contar sobre sua própria leitura de um livro que eu li (ou não li) tem validade por ser o seu próprio modo de ler e reinventar aquilo, então você também tem o direito de inventar e me contar algo sobre um livro que não leu. E a esta invenção chamamos de “um poder criativo”. Serve para tirar você de uma situação constrangedora, serve para você alimentar sua participação numa roda de intelectuais, serve para você ficar bem na foto. Seja como for, Bayard refere-se a tal capacidade criativa como um ingrediente necessário, e mais: “Como negar contudo que falar de livros não lidos constitui uma autêntica atividade criadora, sujeita às mesmas exigências das outras artes?”. Então está bem, deixemos que cada um desenvolva a melhor parte de suas capacidades criadoras. Eu prefiro ler.

Oceano mar

quarta-feira, abril 23rd, 2008

Oceano mar

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de Alessandro Baricco, direto do Arpoador.

Seda - de Alessandro Baricco

quarta-feira, abril 16th, 2008

Seda - de Alessandro Baricco

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Começando as leituras para a FLIP 2008.