Carlos Lyra na mesa 3, cujo objetivo era conferir “um caráter mais analítico à efeméride”. Isto em relação às comemorações dos cinqüenta anos da Bossa Nova. Assim, a mesa conta com a participação do crítico Lorenzo Mammì.
Elisabeth Roudinesco apresenta o livro A parte obscura de nós mesmos - uma história dos perversos, salientando que é “uma” e não “a história”, uma vez que ela focalizou apenas o ocidente em seus estudos. Observa que os perversos são assim designados pela sociedade para que esta se mantenha afastada deles, segundo a psicanalista, uma preocupação em “se distanciar de uma parte maldita de si mesmos”. A mesa dois, “O Espelho”, com mediação de Eliane Moraes, talvez tenha sido um bom ponto de partida nesta sexta edição da FLIP e provavelmente seja um bom espelho para todas as demais mesas e programações debaixo da lona ou fora dela.
Não é que eu não tenha nada a dizer sobre Fernando Vallejo. Certo é que tenho mais a ler dele. Antes da coletiva com a imprensa, por tudo o que os jornais e revistas já tinham se encarregado de escrever, eu me perguntava quem de fato era o homem que atraía tantos jornalistas. Vi um homem comum. Talvez um pouco menos comum, é verdade: ele fala coisas que as pessoas “boas” não falariam. Como eu acredito tanto em pessoas boas quanto no papai noel, parece-me que andam fazendo estardalhaço demais sobre essa figura. Há uma coisa que é simples de entender. Ele é um prato cheio para os jornalistas. E depois reclamam do que o cara fala! Mas por que perguntam? Tanta estrela no céu!
Na manhã de quinta-feira os jornalistas tiveram a primeira conversa em coletiva com Lucrecia Martel. A cineasta argentina é aguardada pelo público que vai assistir à mesa 4, Ficções, contando ainda com a presença do escritor João Gilberto Noll e a mediação de Samuel Titan Jr. Segundo os organizadores, “um diálogo que tem tudo para cativar o público em Paraty”.
Lucrecia traz à FLIP o seu último longa-metragem, La mujer sin cabeza, numa mostra que acontecerá durante a programação paralela, FLIP ETC, às 23 horas de sábado. Na coletiva comentou sobre a importância de um país ter uma política cultural como base e observou o quanto é difícil fazer um filme enquanto se está cercado por outro tipo de cultura, referindo-se às políticas de mercado que absorvem o cinema americano. Chama a atenção para o pouco espaço nas salas de cinema disponíveis, mesmo num espaço cultural que ofereça oito ou dez salas é possível que um único filme infantil ocupe quatro salas (duas para o filme dublado e duas para não dublado).
Em primeiro lugar, pedimos desculpas a quem vinha acompanhando as informações sobre a sexta edição da FLIP por aqui desde fevereiro e encontrou-nos fora do ar justamente nos dias da Festa.
É preciso confessar que fomos ingênuos e crédulos além da conta por hospedar este site com uma empresa que não cumpre com suas promessas. As instabilidades com a hospedagem aconteceram antes, mas ao entrarmos em contato com a Hostlocation (muitas e muitas vezes mesmo!), recebemos uma série de justificativas e, por fim, o pedido de um voto de confiança, já que o Sr. Fernando Machado de Oliveira prometia, ele mesmo, dar atenção especial para este caso.
Lamentamos a existência desse tipo de serviço (que serviço?!) e lamentamos a falta de profissionalismo que ocorreu justamente quando já estávamos em Paraty, dependendo de contato via telefone celular e com um serviço de Internet Wi-fi na sala de imprensa. Fizemos todos os contatos que foram possíveis. E não era o caso de pedir, implorar suplicar, mas receber simplesmente o serviço contratado. Então, depois de horas e dias de grande estresse e desgaste, o Sr. Fernando diz não entender a hostilidade com que ele e sua competente equipe vem sendo tratada. Causa-nos espanto que ele não entenda, quando agora começamos a descobrir que tal desrespeito aos clientes ocorre pelo menos desde 2003 (basta uma busca ao Google e por isso pedimos mais uma vez desculpas por nossa ingenuidade), como se pode perceber pelas inúmeras reclamações de usuários através de fóruns de discussão e ações na justiça.
Agradecemos a solidariedade do Alcelmo Gois em sua coluna no jornal O Globo que divulgou (já que não tínhamos condições de fazê-lo) que a cobertura ocorria também para o Portal Literal. Também agradecemos à equipe do Portal Literal por ter confiado no nosso trabalho apesar de termos prometido divulgação neste site, sem que houvesse possibilidade de acesso a ele. Agradecemos a paciência e a compreensão de quem nos encontrou pelas ruas de pedra e perguntava o que acontecera ao Recortes. Agradecemos aos amigos e ao moço do Café Submarino que nos serviu com gentileza e simpatia em um momento de nervos à flor da pele. Por fim, agradecemos aos amigos que nos indicaram bons serviços de hospedagem, especialmente à Fabiana pela indicação da equipe do LunarPages que nos oferece um ótimo serviço (rápido, eficiente e honesto) que também passamos a indicar a partir de agora.
Aos nossos amigos e conhecidos apenas aconselhamos: não se aproxime nem confie em algo chamado Hostlocation ou Knal (o nome muda mas o tipo de trabalho é o mesmo). Nunca. Nunca mesmo. Mantenha distância. A máxima.
O primeiro dia da FLIP começou cedo. E estressante para nós, que ficamos praticamente o dia inteiro sem servidor. Mas mantivemos o ritmo e terminamos o dia exaustos, porém muito contentes com o show de abertura. Entre essas coisas que só acontecem na FLIP, caminhamos, eu e Niel Gaiman, sozinhos papeando pela rua. Por sorte, fui convidado pelo Delfin para fazer umas fotos do Niel. Essa história eu conto depois. Porque a correria já começou. Daqui a pouco, estaremos da Tenda dos autores.
Luiz Melodia em show sensacional.
Luiz Perequê, poeta e músico que surpeendeu com muito talento.
Luiz Antônio Aguiar, Bia Hetzel e Luciana Sandroni na Flipinha.
[Fotografia de Ane Aguirre]
Imaginávamos que seria assim. Não porque Machado de Assis não seja lido e compreendido pelas crianças, sabemos muito bem que lido ele é (obrigatoriamente ou não). A questão talvez seja a faixa de idade dessas crianças e o modo como se pode oferecer Machado de Assis a elas. Fato é que na Flipinha o espaço está muito melhor destinado às crianças pequenas (muito pequenas), que são facilmente cativadas pelo colorido, pelas ilustrações e pelas brincadeiras e jogos. Talvez, se houver algum dia uma divisão por temas e idades, certas mesas de debates possam ser melhor aproveitadas. Como é o caso da conversa que aconteceu na tarde desta quarta-feira entre ótimos escritores.
Talvez seja o formato da Tenda Azul que desperte nos professores a idéia de que devem levar suas crianças a um passeio: como se fossem visitar um museu ou um parque. Entram e saem por ela, sentam uns minutos e levantam para, em seguida, brincar de outra coisa. A postura das crianças é natural se assim são conduzidas. O que acontece é que no meio do passeio há uma fala que deveria estar sendo dirigida a quem se interessa por ela. Outras crianças, um pouco maiores, talvez pudessem aproveitar disso se não fosse o clima de dispersão da tenda. Creio que os poucos adultos que insistiram e colocaram foco no tema não devem ter saído dali insatisfeitos. Lamentável apenas o fato de que algo tão bom como as histórias de Sandroni, a experiência de Bia Hetzel e o modo brilhante como Luiz Antônio Aguiar conduziu o cotidiano de Machado de Assis e as lendas que giram em torno do Bruxo não tenham sido aproveitadas eficientemente na programação adulta. Um pena mesmo.
Era de se esperar. A festa só vale se houver esse clima, esses caminhos tortos, essas pessoas aos montes caminhando por todos os lados. Certeza de nada. Esperança de tudo. Hoje pela manhã tivemos sérios problemas com o provedor e não era para acontecer. Uns gritos podem estremecer um aparelho de telefone, depois a gente volta a sorrir. Tudo faz parte da festa. Nada pode ser completamente previsível. Nem sempre a Internet é amiga. A partir de agora nem temos certeza se poderemos comer, ficamos felizes em respirar. E o ar é dos bons, isso a gente garante. A cidade já está cheia e muita gente ainda está chegando. O certo é que a festa acontece. Boa, como sempre, em alegre loucura. Daqui a pouco a gente volta. Agora vamos ver o que têm a dizer os autores na Flipinha. Bia Hetzel e Luiz Antonio Aguiar falam às 15 horas na Tenda Azul sobre o Bruxo do Cosme Velho: programa de criança? Eu não apostaria nisso.
A FLIP 2008 realmente preparou novidades. Além da transmissão direta das mesas via internet, criou um blog oficial e fechou uma parceria com o Youtube, para divulgar ON DEMAND trechos de Mesas da Tenda dos Autores e outros eventos na programação da FLIPINHA e da FLIP ETC.
O cineasta Karim Ainouz cancelou participação na FLIP em razão de problemas familiares. Em seu lugar foi convidado o cineasta Sergio Machado, parceiro de Ainouz, com quem assinou o roteiro de Cidade Baixa (2007). Sergio participará da Oficina Literária ao lado da argentina Lucrécia Martel.