A questão da venda antecipada dos ingressos para a sétima edição da FLIP passou por todos aqueles velhos e conhecidos problemas. Mas talvez tenha sido pior.
É preciso considerar que “estrelas” na FLIP causam frisson e que naturalmente haveria congestionamento e desespero de fãs atrás de pelo menos uma das mesas. Mesmo assim, as FLIPs já se tornaram o lugar comum das estrelas e, no ano passado, Neil Gaiman também prometia raios e trovoadas. Mas, para além do que se esperou em 2008, ontem foi bem pior. Não sendo a primeira vez que Chico Buarque se apresenta numa FLIP, não seria justo pensar que é ele o culpado de tudo, pobre homem. A operadora Ingresso Rápido está sendo trucidada (justa ou injustamente) por todos que tentaram comprar ingressos em todo e qualquer canal oferecido.
É verdade que o site não funcionou. Simplesmente não funcionou. Houve momentos em que parecia melhorar, mas ao final, a compra não se completava. Enquanto isso, o tempo gasto em telefonema aguardando uma senha 65 ou 43 e ouvindo uma gravação meiga e gentil agradecendo com veemência a paciência de quem conseguiu o milagre de completar a ligação, tirou do sério muita gente que precisa trabalhar, educar crianças, dar rumo à vida, ganhar dinheiro e tudo mais.
Mas muito pior que isso foram as experiências narradas aos quatro cantos sobre a compra de ingressos nos pontos de venda. [E, sinta-se à vontade para deixar aqui seu relato se considerar que possa colaborar para a melhora do serviço nos próximos eventos.]
Na FNAC Rio, que fica dentro de um Shopping Center, algumas pessoas aguardavam antes do shopping abrir, evidentemente. Mas, para a surpresa de todos, ao entrarem no posto de venda, eis que surgem vários (6, 7 ou 10, o número não me parece mais importante que o fato) funcionários da Livraria Travessa que já estavam dentro do shopping e se posicionaram na frente de todos os que estavam antes, do lado de fora do shopping. Parece justo? Parece realmente uma atitude ética e decente? Cada um deles, segundo conversa ouvida na fila, estava ali para comprar a quantidade limite (dois ingressos por mesa para todas as mesas) porque a Livraria da Travessa estaria patrocinando sua ida à FLIP. Parabéns à Livraria, de fato é um ato bonito para com seus funcionários. Mas furar fila não é bonito, gente. Não é esperto. Não é inteligente. Não é civilizado. Especialmente diante de toda a falta de civilidade a qual vamos sendo submetidos e que nos condiciona a pensar todos os anos “isso é normal”. Pois não é. Não é normal. Assim como não deveria ser normal uma senhora saudável que consegue se manter alegre e bem vestida em cima de suas saudáveis pernas, aproximar-se do balcão de vendas com o seu “direito de idosa” e debochar alegremente de todos os cidadãos da fila, mesmo que eles tenham 64 anos e meio. É justo que idosos se divirtam, certo? É justo que tenham privilégios nas horrorosas filas de farmácias, mercados, hospitais… porque enfim, ser idoso significa não ter saúde suficiente para as longas esperas em serviços essenciais. Pois há senhoras levemente idosas para quem a FLIP é um serviço essencial. Deveriam pensar em candidatar-se a Patrono, que tal a idéia?
Houve todo tipo de histórias, de atitudes indecentes, de desrespeito, de despreparo e de desespero na venda de ingressos através de todos os canais oferecidos ontem. As filas nos pontos de venda aumentaram porque, além dos “privilegiados” numa fila única, havia um sistema que não funcionava. “A primeira pessoa da fila do posto Piraquê (Rio) acabou de conseguir comprar ingressos!”, comemorava uma pessoa às 11h da manhã de ontem pelo Twitter. Lembrem: o posto de vendas abriu à 10h! Às 11h35 corria a informação daqueles que conseguiram ser atendidos ao telefone: “não há mais ingressos na Tenda dos autores para a Mesa 10 com Chico Buarque”. A partir de então, enquanto os heróis - que vão pagar uma conta telefônica bem mais alta este mês - choravam as ausências das mesas que se esgotavam, os mortais que não são funcionários de livrarias em shopping center, não possuem um bebê na barriga e não podem debochar dos que têm menos de 65 anos, iam pouco a pouco descobrindo o amargo gosto de uma festa ao velho e bom estilo Cazuza.
Surgiu um desesperado poema (ali logo abaixo) relembrando Manuel Bandeira numa agonia de quem quer sorrir de tudo. Queremos, sim. Queremos sorrir melhor. Não queremos culpados. Queremos soluções. Porque se assim continuar ano após ano, o incentivo à histeria é crescente. E é por isso que, num momento em que se está diante da possibilidade milagrosa da compra de ingressos, as pessoas compram até o que não querem comprar. E lá estarão essas pessoas, nas filas de Paraty oferecendo ingressos que não queriam aos que hoje são do MSI, movimento dos sem ingresso.
Não é uma reclamação. São muitas. Mas afinal, era para ser uma Festa, não? Vamos fazer a festa, então. Sem esquecer que civilidade a gente aprende (é a nossa parte como público). Organização e bons serviços é algo que existe para vender e para comprar, pelo menos, deveria existir. Não é assim?
Parabéns pelo post, Ane; você soube resumir tudo que aconteceu. As atitudes descritas são uma versão da famosa “Lei de Gérson”….
Ótimo post. Resume muito bem o tormento. Andei pesquisando pela net e até agora não consegui encontrar ninguém que tenha comprado ingressos pelo site. Todos por telefone ou num posto de atendimento. Seria interessante os organizadores cobrarem essa informação do Ingresso Rápido, o que certamente vai dar a dimensão real do fracasso que é esse site.
Ah, que tristeza! Acabei de receber a notícia por minha irmã no Rio que tb não conseguiu. Lamentável, se acontece assim na FLIP imagina na Copa!
Novamente, mais um post real sobre a compra de ingressos, eu tive 3 vezes a experiência pelo telefone, váaaaaaaaaaaaaaaarias pelo site e uma na fila da FNAC, o caos realmente!! Valem os protestos e o alerta para o Ingresso Rápido, que tal melhorar o atendimento????
Enfim… Que venha a FESTA!!!!!!!!!!
É a compra de ingressos foi mesmo um caos. Mas eu, que sou leitora desse blog, vou dar também a minha opnião: não é nada estranho que existissem funcionários da Travessa na fila, é esperado que pessoas que trabalham com livros frequentem eventos literários. Outro fato é o de que todos entraram na loja, quem estava dentro ou fora do shopping as 10h, isso é, quando a loja abriu; sinceramente, isso é furar fila? Você acha que não conseguiu algum ingresso por conta deles, ou da incompetência da ingresso rápido e da Fnac?
Digo isso por que estava lá na fila, e inclusive, aí na foto um pouco acima. O que, aliás, me incomoda muito, não saber que fui fotografada e ver minha imagem ser usada num site sem meu parecer. Bem, sai de lá as 15:30 sem nenhum ingresso e, no dia seguinte, ainda tenho que deparar com a minha foto em cima de comentários de uma pessoa que tratou com total ignorância uma funcionária da Fnac ue nada tinha a ver com a confusão bem no início do dia. Isso sim é lamentável!
Aryana,
Sim, se há uma fila do lado de fora do ponto de venda que obrigatoriamente precisa ser do lado de fora do shopping (já que este está fechado), então qualquer pessoa (independente de onde trabalha) ao entrar na frente das pessoas que estão na fila, estaria furando a tal fila.
Os motivos pelos quais as pessoas não conseguiram (ou conseguiram) comprar ingressos são vários e estão citados. Os atos de todas as pessoas (eu, você, os trabalhadores, os idosos) não são, ao meu ver, a razão para panes no sistema. O nosso modo de agir pode agravar certas situações que já são caóticas. Então, de forma objetiva, não colaborar para este agravamento me parece bom.
Não posso identificar absolutamente ninguém nas fotos (e há várias fotos espalhadas por vários sites, orkuts, twitters, flickrs, feitas por pessoas que estavam nas filas ontem). Acredito que todas as pessoas que usaram seus aparelhos para registrar o ocorrido tiveram apenas o objetivo de registrar o ocorrido simplesmente. É papel da foto acima. Mas é claro que eu não posso dizer que você não tem razão de não gostar de se reconhecer na foto… embora eu só saiba disso porque você está dizendo. Posso remover as fotos do post, por respeito à sua vontade, mas não posso remover todas as fotos que foram feitas em todos os lugares em que talvez você tenha estado.
De fato, eu não sei a que você está se referindo quando menciona “uma pessoa que tratou com total ignorância uma funcionária da Fnac”. Este é um sistema de comentários aberto e só posso imaginar que esteja falando de alguém cujo comentário está aqui. Não sei. Estou mesmo confusa com isso. Seja como for, concordo com você sobre ser lamentável tratar pessoas com ignorância. Talvez a melhor forma de evitar a agressividade seja lidar com certas situações complicadas com uma boa dose de bom senso. Este tem sido o ponto frágil dos pontos de venda e do sistema oferecido a quem compra ingressos para FLIP. Este é um dos pontos que estou sublinhando no post.
Peço desculpas por sua imagem estar em alguma das fotos. Eu estou retirando as fotos porque acredito que é o seu desejo e deve ser respeitado. Mas saliento, jamais saberia, nem a reconheceria.
Obrigada por seu comentário! É importante de verdade a sua posição.
Abraços, Ane.
A venda dos ingressos demonstrou um total despreparo dos pontos-de-venda e obviamente da Ingresso Rápido. Também não conheço uma pessoa que tenha conseguido comprar pela internet. Mas distribuir essa insatisfação para quem, efetivamente, não fez nada de errado não me parece certo. Eu estava na fila do lado de fora da FNAC e quando entramos vimos os funcionários da Travessa ainda do lado de fora da porta do shopping. As duas portas foram abertas no mesmo horário e a nossa ainda foi aberta alguns minutos antes. O pessoal da Travessa não furou fila, não foi o primeiro a chegar ao balcão e sei que muitos deles não conseguiram comprar os ingressos que queriam. O relato da falha nas vendas me parece correto e acertado, os demais, nem tanto…
Em tempo: eu não estava no ponto de venda da Fnac, Piraquê, Iguatemi, Br, ou qualquer outro. Sou uma dessas pessoas que vai pagar uma conta de telefônica altíssima.
Caro Mariano, estou gostando muito dessa movimentação e opiniões por aqui. Você tem todo o direito de se manifestar. Mas vou me permitir discordar de você. Fui o terceiro a chegar à FNAC. Fiquei na fila que normalmente se forma à porta externa da loja, como acontece todos os anos. A fila é formada ali exatamente para que não se tenha que cortar os corredores do shopping, descer escadas, etc. Estavamos ali, de forma ordeira e simpática. Não sei se havia outros funcionários da Travessa do lado de fora do shopping. Pelo menos ali não estavam. O que presenciei, não apenas eu, mas todos que aguardavam a abertura da loja e vieram caminhado pelo seu interior até a bilheteria, foram pessoas já grudadas na porta da FNAC que fica ao lado da bilheteria. O acesso àquele local antes das 10h, só é permitido aos funcionários do shopping. Eles já estavam lá. Ninguém estava chegando. De terceiro, passei a décimo primeiro na fila. Então, se você me perguntar se eles efetivamente furaram a fila, isto é, se meteram na frente dos outros, tenho que dizer que não. Mas eles se valeram de um expediente que eu não considero ético, mas claro, sei que não é culpa deles. São funcionários da livraria e estar ali na fila, na porta da bilheteira, enquanto os mortais aguardavam a uns 100m, certamente não foi idéia deles. Obedeciam ordens. Uma das funcionárias da Travessa me disse que chegou ali às 8h da manhã. Como é o nome disso? handicap? Enfim, o sistema de venda de ingressos precisa ser revisto com urgência. Tive sorte porque saí de lá cedo, ao ser informado que a compra havia sido efetivada por telefone. Pelo andar da carruagem, não teria conseguido um único ingresso para a tenda dos autores. Um abraço boa FLIP!
Sim, claro, sei que não se pode conter nossa imagem na internet com a proliferação de câmeras, talvez seja só uma espécie de espanto, sabe, saber que sua imagem pode ilustrar textos com os quais, por vezes, você discorda, entende? Desculpe-me se pareceu hostil.
Abraços e boa FLIP a todos (inclusive pra galera que só verá telão, como eu! rs)
Pois é, Aryana…
Confesso a você que também me causa espanto quando vejo algo tipo: “ei, aquela ali sou eu!” Não me sinto confortável. É algo pessoal esse sentimento, portanto vc está coberta de razão. Não pareceu hostil, não, apenas sincera.
Espero ver você na FLIP, se você me reconhecer, puxe-me pelo braço, por favor. Também vou estar na Tenda do Telão e pela praça durante a maioria das mesas. Comprei poucos ingressos para Autores.
A FLIP no Telão tem lá suas vantagens. Eu acho. E o clima em geral é o que faz a festa, não?
Super obrigada por seu comentário. Esta casa é sua também.
Ótima FLIP para nós! ;o)
Ane, estarei lá na Flip tbm. Comprei pro telão só pro Chico mesmo, pq já não tinha mais qdo consegui falar com um atendente. É a minha primeira flip e confesso minha indignação em relação à lentidão e falta de eficiência da venda de ingressos. Achei q os seis últimos anos tivessem ensinado algo sobre organização. Ademais, é curtir o evento q todos os leitores compulsivos gostariam de poder ir. Nos vemos lá.
Nossa, ótimo texto! Expôs toda a angústia minha e de todas as pessoas com quem convivo que se aventuraram na selva do site ingressorapido e da linha telefonica por um convite para a Flip.
Estou decepcionada. Uma feira que já está em sua 6ª edição deveria prever que o frisson por ícones, como Chico, congestionaria a compra de ingressos. Não é prazeroso saber que, para frequentar um evento literário de “alto padrão”, como a organização vive a frisar, tenha-se que passar por cotoveladas eletrônicas e horas ao telefone. Isso, com certeza, não é civilidade.
Olá, li muito sobre a saga na tentativa de adiquirir os ingressos pra Flip 2009. Eu consegui, na Ingresso Rápido (que de rápido) não há nada, pelo telefone.
Liguei as 10h52 e estava na posição de atendimento 28, fiquei supresa pois o atendimento foi ligeiro e as 10h em ponto falava com uma atendente.
Felicidade passageira, a culpa? O sistema, bendito sistema.
Até as 10h48 fiquei ao telefone e felizmente consegui.
Pontuo, como absolutamente desagradável a imensa espera, no entanto devo dizer que a atendimento da Ingresso Rápido a todo instante me passava o que estava acontecendo (sobre a máaaaximaaaa lentodão no sistema) e foi bastante gentil com todos os esclarecimentos necessários.
Jô,
se você conseguiu ingresso para o Chico no Telão já está de bom tamanho… tem gente que nem isso conseguiu. Aproveite bem seus bons momentos na FLIP!
Keila,
esta é a sétima edição. Enfim, é difícil entender, mas dia desses vai melhorar. Só pode melhorar!
Juliana,
Eu também fui atendida com gentileza e rapidez quando chegou minha vez. Os funcionários da Ingresso Rápido fazem bem o seu trabalho, sim, acredito. Quando eles não sabem do evento, vão atrás, procuram saber. Se ocorre algum problema no sistema, aí não podem fazer milagres. Imagino o que eles devem passar nessas horas de venda para a FLIP. Deve ser bem complicado. Mas agora já passou! Vamos pensar em dias melhores, né?
Boa FLIP, pessoal!