Precisamos ser francos e dizer que não houve grande novidade em relação aos problemas com a venda de ingressos. Se houve de fato alguma, o nome dela é Twitter. Sim, porque nos anos anteriores as pessoas que faziam suas tentativas de compra nos pontos de venda, telefone ou internet arrancavam seus cabelos do mesmo modo, mas não havia tanto eco. Em 2009, o Twitter fez a “boca no trombone” e, aliado aos celulares e computadores em casa, simultaneamente todos sabiam de tudo. Já sabemos que a melhor forma de obter algum sucesso é em dupla: um fica grudado no telefone e no site, enquanto o outro vai para a fila de algum ponto de venda. Em torpedos, um vai avisando o outro sobre o andamento da situação até que um deles consiga efetivar a compra.
Neste ano, percebemos que as duplas se transformaram em grupos. Pelo Twitter as pessoas iam jogado informações minuto a minuto: sistema parado no ponto de venda, uma pessoa conseguiu comprar, fulano é o número 55 na fila do telefone, site não mostra informações, agora o site está congelado e não finaliza a compra, enfim… tudo com riqueza de detalhes em informações de ser humano para ser humano. Não era nenhuma “divulgação oficial”, era a verdade dos fatos sendo anunciada por todos em tempo real.
Percebe-se claramente que quem conseguiu comprar ingressos para Tenda dos Autores o fez por telefone. Desconfio, pela série numérica impressa nos bilhetes, que fui uma das últimas a comprar mesas muito procuradas (quase onze e meia da manhã). Com o sistema falhando nos pontos de venda, impossível conter a frustração e o stress de quem ficou horas na fila. Mas toda a procura estava perfeitamente prevista e já era perfeitamete conhecida de todos que acompanham a FLIP, por isso não vejo razão nenhuma para “surpresas” por parte de quem administra a venda de ingressos.
Em nossos arquivos aqui, podemos olhar para trás à procura de motivos que sustentem alguma surpresa.
Por exemplo, no ano passado, 2008, a programação oficial foi anunciada em coletiva à imprensa apenas no dia 04 de junho, com previsão para início de venda dos ingressos para às 9h do dia 10 de junho. Quem tentou comprar pela Internet ou telefone no horário marcado, depois de um bom tempo na linha, ouviu um atendente pedir para tentar mais tarde porque a programação da FLIP ainda não estava no sistema. Não foi diferente nos pontos da Ingresso Rápido e o real início das vendas ocorreu entre 10h e 10h30. Mesmo assim, houve erro na venda para o show de abertura e muita gente comprou “gato por lebre”: conferência ao invés de show; situação que teve lá sua repercussão no momento de entrada para o show de Luiz Melodia em Paraty. O problema com os ingressos do show só foi resolvido no sistema por volta de meio dia. Outras tantas pessoas passaram pelo mesmo sufoco e Fernando Molica tem um belo terrível relato pessoal.
Em 2007, a venda de ingressos foi anunciada para começar no dia 04 de junho. No dia da venda (pela operadora de sempre), pode-se perceber com clareza o mesmo tipo de situação apresentada nos dias atuais. Nada mudou. Nada mesmo.
Tanto em 2007 quanto em 2008, os ingressos para Tenda de Autores foram esgotados na manhã do primeiro dia. Em 2008 havia um temor por causa da presença anunciada de Neil Gaiman, mas o maior problema (se é que se pode chamar problema) foi a extensa fila de autógrafos no dia de sua palestra. O mesmo temor se repete com a presença de Chico Buarque em 2009. Mas o temor não poderia ser transformado em surpresa. Existe uma previsão clara. O problema não é o fato de que os ingressos se esgotam nas primeiras horas todos os anos. O problema é o mau funcionamento do sistema (todos os anos) que acaba transformando a venda num jogo de sorte e azar já que não temos todos a mesma possibilidade de comprar ingressos e não adianta correr, chegar mais cedo, perder o trabalho, mandar a vó para a fila.
Quanto ao número de ingressos oferecidos, temos uma explicação (graças ao bom trabalho da assessoria de imprensa que trabalhou para a FLIP em 2007 ) que nos dá alguma luz, embora alguns desses dados possam ter mudado. Em 2007 a informação era: a Tenda dos Autores possui apenas 840 lugares e a do Telão (antiga Matriz) possui 1200 lugares. Há uma cota reservada aos patronos (que pagam e pagam bem por seus ingressos), outra cota reservada para venda antecipada, e finalmente uma cota para venda na bilheteria em Paraty.
Seja como for, devemos todos ter em mente que os ingressos para Tenda dos Autores sempre vão ser vendidos integralmente nas primeiras horas do primeiro dia de vendas antecipadas. Sempre foi assim. Não há surpresa alguma nisto. O que parece claro é que a operadora, em conjunto com a organização do evento, deve contar com um aumento gradativo da procura e encontrar modos eficazes que possibilitem que os ingressos sejam vendidos de forma justa. Se oferecem três possibilidades de compra, as três precisam funcionar simultaneamente e de forma eficaz. Se isto não é possível, talvez seja melhor optar por uma única possibilidade que seja acessível a todos.
Não foi surpresa a procura. Isto é límpido. Foi surpresa a repercussão das falhas. E isto significa que para o próximo ano, é melhor pensar com carinho sobre o modo como está sendo feita a venda antecipada. Se o sistema da Ingresso Rápido não for melhor que o sistema dos compradores, as tais surpresas só vão aumentar em sua complexidade.

E ainda acontece essa venda para tenda dos autores lá em Paraty, isso é, esse ano?
Sim, Aryana.
A idéia é esta. Pelo menos sempre foi assim em todos os anos e não acredito que isso vá mudar.
Há uma cota de ingressos reservada para a venda antecipadas (esta que já esgotou); outra parte é destinada aos patronos e, finalmente há uma cota que a organização disponibiliza na bilheteria de Paraty.
É bom ter em mente que o número não é grande e que para algumas mesas a procura é maior. Não podemos ser demasiado otimistas, mas também não dá para descartar a possibilidade. É bom chegar cedo em Paraty e checar quando vão abrir a bilheteria.
Obrigado, Ane. Agora que estou ciente das dificuldades históricas que cercam a compra de ingressos, não perderei mais meu tempo pensando em ir à FLIP.
Lamento, Pedro.
De verdade.
A FLIP tem nome de Festa. É para ser uma festa. Tem ótimos momentos, posso dizer com sinceridade; mas é preciso mais do que paciência, sorte, boa vontade e uma boa quantidade de dinheiro. Para entrar na festa é preciso um exercício enorme de equilíbrio interior. Coisa que com o passar dos anos a gente acaba perdendo também. Repito: lamento profundamente.
Aryana,
É meu dever dizer que aparentemente tudo mudou nesta edição da FLIP, inclusive no que se refere à venda de ingressos para Tenda Autores na própria bilheteria de Paraty. A organização do evento não tem se posicionado com clareza a respeito deste fato que em todos os outros anos ocorreu sem problemas nem mudanças. Há um tópico no Twitter da Organização que diz que a bilheteria em Paraty estará vendendo ingressos para o Telão - omitindo qualquer informação para Tenda dos Autores. Perguntei e a resposta é silêncio. Então, segundo o antigo ditado (sobre calar e consentir) é preciso concluir que não há mais possibilidade de compra para Tenda dos Autores em Paraty.
Peço desculpas pelo meu entusiasmo com todas as FLIPs e por ter, de alguma forma, colaborado para que as pessoas sentissem vontade de participar da festa. Eu também erro. Peço desculpas… e vou errar de novo. Um dia aprendo.