Cada paralelepípedo da velha cidade vai se arrepiar

Esta é a terceira vez que Chico Buarque participa da FLIP. Em 2003 cantou, ao lado de Adriana Calcanhoto,  na tímida abertura da primeira edição. Em 2004 participou como autor, lançando Budapeste. Chico e Paul Auster dividiram,  na noite de sábado, a mesa mais concorrida da FLIP, assistida aproximadamente por 700 pessoas numa Tenda de Autores concebida para 550 lugares. Isso num tempo em que a divulgação do evento na mídia ainda era pequena e Liz Calder, organizadora da festa, dizia “A impressão que temos é de que já chega. Está de bom tamanho para Parati e para esse tipo de evento”. Terminada a mesa, Chico partiu para a antiga mesa de autógrafos onde já era aguardado por uma legião de fãs, digna de um show de rock.  Permaneceu lá por exatos 30 minutos e apenas os 113 primeiros sairam de lá com a caligrafia do autor no livro. Se houvesse uma canção tema para as andanças de Chico Buarque em Paraty, esta seria, Você vai me seguir, aonde quer que eu vá.

autografos_chico_2004   chico_2004

Em 2008 foi a vez de Neil Gaiman levar uma multidão de fãs de Sandman à Paraty. Tranquilo e bem-humorado, Gaiman  disse que estava disposto a bater seu próprio recorde em autógrafos. Após o término da mesa A mão e a luva, ao lado de Richard Price, Gaiman encaminhou-se para a Tenda dos Autógrafos e cumpriu o prometido. Chegou lá por volta das 13h e a organização teve que criar uma fila especial para ele. Richard Price, Alessandro Baricco, Contardo Calligaris, Cees Noteboom e Fernando Vallejo entraram e sairam da Tenda. Gaiman autografou até às 19h.

autografos_gaiman_2008   gaiman_2008

Cinco anos após a declaração de Liz Calder sobre o tamanho da FLIP, o evento continua crescendo, a mesa de autógrafos agora é uma espécie de “Tenda dos Autógrafos”. Os organizadores continuam dizendo que a FLIP não pode ficar maior do que já está e buscam meios de levar a festa a um público cada vez maior, sem sufocar a cidade. A transmissão ao vivo pela Internet  foi uma das soluções encontradas. Assim,  presença de Chico Buarque em Paraty soa contraditória. Os fãs suspiram e desejam ter, ao menos dentro de um livro, a cicatriz, risonha e corrosiva, marcada a frio, ferro e fogo, em carne viva.

6 Responses to “Cada paralelepípedo da velha cidade vai se arrepiar”

  1. says:

    Adorei o texto. Deu até pra sentir o clima daqui… ai, ai… ê ansiedade!

    Mocinha, uma coisa que me perguntaram ontem e eu não soube dizer… a FLIP emite certificado pra quem assiste às mesas?

    Sabe q eu não tinha me perguntado isso antes?

    Um abraço.

  2. Ane Aguirre says:

    Oi, Jô!
    Boa pergunta. Tem um pessoal que precisa comprovar freqüência para fins universitários. A FLIP não fornece nenhum certificado, não. O que ocorre, é que geralmente as universidades aceitam os bilhetes de ingresso como comprovação. Pelo menos, foi o que me disse uma moça que trabalhava para o evento no ano passado. Então, para esses casos, é preciso verificar qual o procedimento adotado por cada universidade.
    Beijo e boa FLIP!

  3. Laura says:

    Post delicioso mesmo.
    Ah! o Chico… mas eu não iria atr´s, ficaria olhando de longe, já fiz isto;)
    Abs,
    Laura

  4. Ane Aguirre says:

    É, Laura…
    Também sou adepta ao ficar de longe.
    ;) Vejo você lá no mesmo ponto, então!

  5. Regina says:

    Será que conseguiremos enfrentar a fila para autógrafos? Tomara que não esteja tão frio em Paraty, como tem sido os últimos dias aqui em VR.

  6. Ane Aguirre says:

    Ai, Regina…
    Eu acho que vou ficar bem longe da fila. Vou para a pousada tomar chá quentinho. Sim, estou imaginando o frio de Paraty numa noite dessas. Brrrr!!! Haja saúde. E muita vitamina C! :)

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