Archive for the ‘Autor homenageado FLIP2009’ Category

Manuel Bandeira, novas edições.

Saturday, June 27th, 2009

manuelbandeira-capa1    manuelbandeira-capa2    
 

As editoras Nova Fronteira e Nova Aguilar vão apresentar durante a sétima edição da FLIP as novas edições de Poesia completa e prosa e Estrela da vida inteira, de Manuel Bandeira, o autor homenageado deste ano.

Organizada por André Seffrin, Poesia completa e prosa, com mais de 1.700 páginas, é uma edição revista e ampliada de um trabalho que estava há mais de três décadas ausente das livrarias. Estrela da vida inteira compila as obras A cinza das horas, Carnaval, O ritmo dissoluto, Libertinagem, Estrela da manhã, Lira dos cinquent’anos, Belo belo, Opus 10, Estrela da tarde, Mafuá do malungo e Poemas traduzidos, além de incluir, neste relançamento, um CD de áudio com leituras de poemas feitas pelo próprio Manuel Bandeira.

Comment poema

Monday, June 1st, 2009

Fabio says:
01/06/2009 at 15:39

A Flip homenageia Manuel Bandeira

Febre, irritação, caos e suores noturnos.
A Flip inteira que podia ter sido e que não foi.
Falha, falha, falha.

Mandou chamar o telefonista:
- Aguarde na linha, você é o cliente trinta e três.
- Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
- Respire.

- O senhor tem uma escavação no Ingresso Rápido e uma fila de três horas infiltrado na Fnac.
- Então, doutor, não é possível tentar a tenda dos autores?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Seu cheiro dentro de um livro

Sunday, May 31st, 2009

Entre por essa porta agora
e diga que me adora
Você tem meia hora
pra mudar a minha vida
Vem vambora
que o que você demora
é o que o tempo leva

Ainda tem o seu perfume pela casa
ainda tem você na sala
porque meu coração dispara
quando tem o seu cheiro
dentro de um livro
“ Dentro da noite veloz”

Ainda tem o seu perfume pela casa
ainda tem você na sala
porque meu coração dispara
quando tem o seu cheiro
dentro de um livro
na “Cinza das horas”

Vambora 1998
Adriana Calcanhotto
in: Maritmo 04:14, in: Público 03:49, in: Público (DVD)

Uma voz

Sua voz quando ela canta
me lembra um pássaro mas
não um pássaro cantando:
lembra um pássaro voando

Ferreira Gullar in: Dentro da noite veloz - Toda Poesia
11a ed.Rio de Janeiro: José Olympio, 2001 p.179

Dentro da noite

Dentro da noite a vida canta
E esgarça névoas ao luar…
Fosco minguante o vale encanta.
Morreu pecando alguma santa…
          A água não pára de chorar.

Há um amavio esparso no ar…
Donde virá ternura tanta?…
Paira um sossego singular
          Dentro da noite…

Sinto no meu violão vibrar
A alma penada de uma infanta
Que definhou do mal de amar…
Ouve… Dir-se-ia uma garganta
Súplice, triste a soluçar
          Dentro da noite…

Manuel Bandeira, in: A cinza das horas -Estrela da vida inteira,
20a. ed Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998, p. 57

Bandeira na Nova Fronteira

Saturday, May 16th, 2009

nova_fronteira

 Toda a poesia de Manuel Bandeira está na Editora Nova Fronteira

A Editora Nova Fronteira tem em seu catálogo toda a obra poética de Manuel Bandeira, o grande homenageado da Flip deste ano. As obras A cinza das horas, Carnaval, O ritmo dissoluto, Libertinagem, Estrela da manhã, Lira dos cinquent’anos, Belo belo, Opus 10, Estrela da tarde, Mafuá do malungo e Poemas traduzidos estão compilados no livro Estrela da vida inteira.

Além disso, a Editora Nova Aguilar, em parceria com a Nova Fronteira, lançará no evento um único volume com cerca de 1.600 páginas, organizado pelo ensaísta e crítico literário André Seffrin, reunindo a poesia completa e uma seleção das melhores prosas de Bandeira, além de extensa fortuna crítica.

Fonte:  Approach

Às mãos

Saturday, May 9th, 2009

Com o pensamento em Manuel Bandeira, talvez não por acaso o texto abaixo tenha deslizado nos caminhos da memória às vesperas desses dias de mães e mãos. O texto faz parte de um livro de Ítalo Moriconi e nos absorve pelo desenho poético das linhas. Então, o transcrevemos em homenagem aos poetas, à poesia, às mãos de Marias Luizas e Anas e Manueis.

 

A eternidade está longe
(Menos longe que o estirão
Que existe entre o meu desejo
E a palma da minha mão)
[Manuel Bandeira]

Ana Cristina se apaixonou pela palavra muito cedo. No início, não sabia escrever. A poesia era arte ouvida. (…) Ditava seus poemas à mãe, que os punha em forma caligráfica. A mão da mãe era o veículo pelo qual Ana podia expressar-se.

***

O sofá ainda é o mesmo, embora depois da perda da filha Wado e Maria Luiza tenham se mudado para um novo apartamento na Ladeira dos Tabajaras, um pouco maior que o da Toneleros. Maria Luiza lembra o estado de excitação em que Ana ficava quando bolava um poema na cabecinha e queria porque queria, gênio urgente, que a mão da mãe o passasse logo para o papel. Entre um verso e outro, ela pulava sobre o sofá, corria de lá para cá, era toda ofegância e gritos, cavalgando no sofá corcel da criação fome de açabancar o mundo pela palavra, cavalgando, cavalgante, cavalgada, cavalo recebendo o espírito da fenda aberta entre sua mão que ainda não tinha caligrafia e a mão da mãe, mão de carinho, mão de concretizar palavra falável, pathos da transmissão, eu sou o caminho, a verdade, a vida, lâmpada para meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho, posso ouvir a voz, a voz da poesia, eu sou papai, eu sou pastor, cavalo cavalgando, cavalgando como muito mais tarde Emily Dickinson cavalgará o alazão dos ritmos do hinário impondo sobre eles a violência do travessão, a censura da cicatriz, a ferida por onde verte sangue, luz, voz, ouro, ouro do Pai, ó pai, ouro de Itabira, bandeiras desfraldando, Ana correndo e gritando versos, para lá e para cá, de um lado a outro do sofá, os versos saindo da garganta como num concerto de rock, o corpo todo balança, o sofá é o palco, a cabeça gira, de lucidez e demônios.

E as mãos se entrelaçam, lucram, pelo trabalho das mãos o lucro se torna sagrado benfazejo, quem é mãe, quem a filha, “minha filha” diz Ana atrevida, posseira. Batizado. Um dia Ana menina já mais taluda, já possuída pela mão que escreve, escreve um conto e nele põe Manuel Bandeira como personagem, posseira atrevida, e todos lucram, ó sim, desta vez a terra será consagrada pelos dedos de um verdadeiro poeta, o pão do poeta já está no farnel, para todo o sempre. Maria Luiza estende a mão, por intermédio de uma pessoa conhecida consegue falar com Bandeira, de quem tinha sido aluna na Nacional, mostra-lhe o conto, ó pai, luz do meu caminho, cavalgando a cavalgar. Bandeira então manda para Ana seu certificado de nascimento, passaporte para o sempre mais, para o além, flores do mais, manda-lhe cópia manuscrita de dois poemas seus, as mãos de Bandeira chegam às mãos de Ana pelas mãos diligentes de Maria Luiza, “– Entra, Ana, você não precisa pedir licença”*

* Os poemas enviados à Ana foram “Debussy” e “Irene no Céu”.
Ítalo Moriconi, Ana Cristina Cesar – O sangue de uma poeta.
Rio de Janeiro: Relume-Dumará: Prefeitura, 1996 (Perfis do Rio n.14) p.77-79

 

E aí estão os poemas na caligrafia de Manuel Bandeira, enviados à Ana Cristina Cesar em 1963.  Ao clicar na imagem, estarão nas suas mãos.

Poemas de Bandeira enviados à Ana C.

Manuel Bandeira, o habitante de Pasárgada

Thursday, April 23rd, 2009

Voltando os olhos ao homenageado da FLIP 2009, convidamos você a assistir o curta-metragem Manuel Bandeira, o habitante de Pasárgada (1954). Com direção de Fernando Sabino, David Neves e Joaquim Pedro de Andrade, o filme faz parte de uma série de documentários sobre Literatura Nacional Contemporânea produzida pela Bem-te-vi filmes. São registros do cotidiano de um Bandeira solitário. Seus hábitos simples e momentos de inspiração. O poeta aparece caminhando pelas ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro. Compra leite, recita seus versos, faz café no apartamento escondido num canto da Lapa, rua Moraes e Valle, também conhecida como Beco do Rato. O documentário foi exibido em 2008 pela TV Camara.

If you can see this, then you might need a Flash Player upgrade or you need to install Flash Player if it's missing. Get Flash Player from Adobe.

FLIP 2009 homenageia Manuel Bandeira

Monday, February 11th, 2008

A FLIP 2009 acontecerá entre os dias 1º e 5 de julho. O homenageado desta edição é o escritor pernambucano Manuel Bandeira.