Tobias Wolff não virá e no lugar dele vem James Salter. É claro que é sempre uma surpresa quando um autor cancela sua participação. É comum um sorriso de canto quando lemos que os motivos são “problemas de saúde” (quando não são problemas de família). Seja como for, um dos melhores pontos desta edição da FLIP é seu diretor de programação. No texto de Flavio Moura sobre Tobias Wolff e nas boas vindas a James Salter, cala-se o sorriso de canto e nos absorve uma sensação boa que é a essência de todas as FLIPs, ou pelo menos, o que nos fica de bom de cada uma delas.
Archive for the ‘Autores FLIP2009’ Category
No Blog Oficial
Tuesday, June 16th, 2009Tobias Wolff não vem
Tuesday, June 16th, 2009Abaixo reproduzimos e-mail enviado pela assessoria de imprensa da FLIP:
A organização da FLIP informa que o escritor Tobias Wolff não poderá vir à Festa Literária devido a questões de saúde.
Para substituí-lo, a FLIP convidou o norte-americano James Salter, que dividirá a mesa Segredos de Família com Anne Enright, no sábado (04/07), às 15hs.
Salter (1925, Passaic, New Jersey, Estados Unidos) iniciou sua carreira como escritor após servir durante vinte anos como piloto da Força Aérea norte-americana e participar de mais de cem missões na Guerra da Coreia (1950), experiência que resultou em seu primeiro romance, The Hunters (1956). O livro ganhou adaptação para o cinema em filme homônimo de 1958, estrelado por Robert Mitchum. Desde então, Salter abandonou a carreira militar e publicou romances como Solo faces (1979) e Um esporte e um passatempo (1997) e as reuniões de contos Dusk and other stories (1988, prêmio PEN/Faulkner) e Last night (2005), cujas histórias foram selecionadas para o volume brasileiro Última noite, publicado em 2008. O escritor contribui na revista New Yorker e, entre suas influências, são citados Ernest Hemingway e William Faulkner.
Matérias, vídeos e tal.
Sunday, June 14th, 2009Na página de Matérias acrescentamos algumas com Simon Schama, Rodrigo Lacerda e Catherine Millet.
Há novos vídeos interessantes: Gay Talese conversa com o jornalista Nelson Dean da Point Loma Nazarene University e dá dicas sobre a arte da profissão; Tatiana Salém Levy conversa com Francisco José Viegas e José Vieira Mendes sobre A chave de casa. Também é bom dar uma espiada nos chineses que estarão na FLIP, a jornalista e escritora Xiran está num vídeo falando sobre seu último livro China Witness e há uma matéria na NTDTV sobre Beijing Coma (Pequim em Coma), livro mais recente de Ma Jian.
Bate-papo entre leitores freqüentadores da FLIP, sugestões, idéias e dicas em nossa Comunidade no Orkut.
Informações rápidas, quentinhas e interação em tempo real acontecem no Twitter Não Oficial da FLIP.
E por falar em Twitter, está ótimo o Época na FLIP. com suas inteligentes e divertidas “resenhas haicai” e o Blog Festa em Paraty da Época. Imperdível.
Sophie Calle - cuide de você
Saturday, June 13th, 2009Exposição:
De 10 de julho a 07 de setembro de 2009
SESC Pompeia, São Paulo.
De 22 de setembro a 22 de novembro de 2009
Museu de Arte Moderna, Salvador.
“A escolha de Cuide de você para ocupar o SESC Pompeia e, a partir de setembro, o Museu de Arte Moderna da Bahia – dentro da programação do Ano da França no Brasil – considera as possibilidades criadas pelo amplo espectro de irradiação da obra de Calle. Exemplo da mais conceituada produção atual, a exposição é, ao mesmo tempo, um desafio ao preconceito que reputa a arte contemporânea como manifestação de difícil comunicação e acesso restrito aos iniciados códigos, práticas e personagens. Nascida de uma situação comum a todos, – quem nunca sofreu uma desilusão amorosa? –, Cuide de você serve de introdução ideal à poética de uma importante artista”
Trecho sobre a exposição no site Sophie Calle - Cuide de Você, onde é possível conhecer muito mais sobre a artista, sua obra e a exposição no Brasil.
Já imaginou?
Thursday, June 4th, 2009“O que seria de nós, não é, se fôssemos, de facto, felizes? Já imaginou como isso nos deixaria perplexos, desarmados, mirando ansiosamente em volta em busca de uma desgraça reconfortadora, como as crianças procuram os sorrisos da família numa festa de colégio?”
Trecho de Os Cus de Judas de Lobo Antunes.
Leia mais aqui.
Anne Enright e a vontade de escrever
Tuesday, June 2nd, 2009
Em vídeo do New York State Writers Institute gravado em 2008, Anne Enright diz que olhando para os últimos 20 anos, o fator mais importante no desenvolvimento de sua habilidade para escrever é “a vontade de escrever”. Observando seus ex-alunos e os autores que conheceu ao longo do tempo, ela se dá conta de que a única coisa que pode transmitir para que eles sigam em frente, tornem-se bons ou ainda melhores é a vontade: é este grande desejo. Ela não saberia dizer de onde surge nela esse desejo. Hoje, é um hábito de sua existência “desejar escrever”. Anne desenvolve essa capacidade escrevendo diariamente.
A grande história da evolução
Friday, May 29th, 2009
A grande árvore da vida percorrida numa peregrinação de 4 bilhões de ano. Os integrantes da jornada se encontram a cada entroncamento, contam suas histórias e ressaltam as maravilhas da natureza e as revelações da biologia evolutiva. Um trabalho enciclopédico por um dos maiores evolucionistas da atualidade.
A grande história da evolução é uma peregrinação ao longo da árvore genealógica da vida. Partindo de onde estamos hoje, passamos por quarenta entroncamentos onde nos deparamos com ancestrais e peregrinos que vêm de outros ramos. O ponto de chegada situa-se há 4 bilhões de anos, na origem da vida.
Ao longo do trajeto, peregrinos contam suas histórias e descortinam as maravilhas da diversidade biológica que habita este planeta e os mistérios da evolução que ainda hoje desafiam biólogos. O humano ancestral “Little Foot” investiga como surgiu a possibilidade de andarmos sobre dois pés; o gibão ajuda a entender por que não temos que fazer calças com um furo para a cauda; o camundongo deixa claro que o que torna um organismo diferente do outro não são exatamente os genes, mas como sua atividade é regulada; castores explicam o conceito de fenótipo estendido, em que a represa é uma extensão do próprio castor; e o gafanhoto discute se existem raças.
A paisagem que se descortina durante a viagem expõe uma amostra da diversidade da natureza e também explora como entendê-la. O leitor chega ao fim do percurso maravilhado e enriquecido com novas ideias e reflexões. Uma enciclopédia da vida para ler, reler e consultar.
Richard Dawkins nasceu em Nairóbi, Quênia, em 1941, e cresceu na Inglaterra. Formou-se pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, e deu aulas de zoologia na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Em Oxford foi o primeiro titular da cátedra de Compreensão Pública da Ciência, criada em 1995 por iniciativa de Charles Simonyi para dar a um pesquisador de primeira linha a oportunidade de se dedicar à divulgação de ciência além da pesquisa. Modelo para sua idealização, Dawkins ocupou a cátedra até setembro de 2008. Recebeu inúmeras homenagens e honrarias, incluindo o prêmio da Royal Society of Literature em 1987, o prêmio Michael Faraday em 1990 e o prêmio Shakespeare em 2005. Entre seus livros publicados pela Companhia das Letras estão o já clássico O gene egoísta, O relojoeiro cego e Deus, um delírio.
Richard Dawkins
Tradução: Laura Teixeira Motta
760 pgs
Companhia das Letras
Previsão de lançamento: 28 de maio
Fonte: Companhia das Letras
Mudança na programação
Thursday, May 28th, 2009Os organizadores da sétima edição da FLIP que ocorre entre 01 e 05 de julho informam alguns ajustes na programação do evento.
Por questões de agenda, a escritora francesa Catherine Millet, que antes dividia mesa na sexta-feira com Edna O´Brien, estará na programação do domingo. Deste modo, a programação terá alterações na sexta, dia 03, e no domingo, 05 de julho, conforme abaixo:
Sexta-feira, 03 de julho
15h
Mesa 8
Sentidos da transgressão
Edna O’Brien em conversa com Liz Calder
No início dos anos 1960, a irlandesa Edna O’Brien teve exemplares de seu livro Country girls queimados pela comunidade religiosa local, incapaz de aceitar que a vida sexual das personagens fosse descrita com tanta crueza. Desde então, compôs uma obra densa e multifacetada, marcada pelo confronto com o conservadorismo da Igreja Católica, pela luta em favor da autonomia feminina no meio artístico e pela análise da obra de um de seus mentores literários, James Joyce.
Domingo, 05 de julho
11h30
Mesa 16
As sem-razões do amor
[Esta mesa mudou de horário e agora passa a ser Mesa 17 às 14h30]
Catherine Millet em conversa com Maria Rita Kehl
Em 2001, a crítica de arte francesa Catherine Millet fez de sua vida sexual movimentada o tema de um livro – e sacudiu as hostes conservadoras na Europa e nos Estados Unidos. Em 2008, publicou um livro que é o reverso do primeiro: um relato de como foi dominada pelo ciúme ao saber das aventuras sexuais do marido. Nessa mesa em Paraty, ela discute sua trajetória literária incomum com a psicanalista Maria Rita Kehl.
14h30
Mesa 17
[Esta mesa mudou de horário e agora passa a ser Mesa 16 às 11h30]
O futuro da América
Simon Schama em conversa com Lilia Moritz Schwarcz
O futuro da América, livro mais recente do historiador inglês Simon Schama, revê a história dos Estados Unidos a partir dos temas da guerra, da religião, da imigração e da fartura. Os protagonistas são personagens comuns que atravessam momentos-chave da história do país – atores da “história narrativa” de que Schama é um dos mais notórios praticantes no mundo. Sobre esse trabalho, Schama conversa com a historiadora e antropóloga brasileira Lilia Schwarcz – um dos nomes fortes dessa corrente historiográfica no Brasil.
16h15
Mesa 18
Antologia pessoal
Edson Nery da Fonseca e Zuenir Ventura
A memória afetiva é o mote desta mesa que encerra a homenagem a Manuel Bandeira. Amigo e correspondente do poeta, o professor Edson Nery da Fonseca relembra os anos de convivência no Rio e em Pernambuco. Ex-aluno de Bandeira, Zuenir remonta aos tempos de aprendizado com o mestre. Na mediação, o jornalista Humberto Werneck, biógrafo de Jaime Ovalle e bandeiriano de primeira linha.
Mediação: Humberto Werneck
18h
Mesa 19 - Livro de cabeceira
Autores da Flip leem trechos de seus livros prediletos
Autores FLIP 2009
* * * * *
Outra mudança ocorrida foi em relação ao título e tema da Mesa 7, às 11h45 de sexta-feira, dia 03, compartilhada pelos autores Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho.
O título da mesa, “A névoa da guerra” agora é “O avesso do realismo”.
A sinopse anterior:
O afegão naturalizado francês Atiq Rahimi ganhou o prêmio Goncourt pelo romance Syngué sabour (2008), centrado na história de uma mulher e do marido agonizante em meio ao conflito civil no Afeganistão. O filho da mãe (2009), de Bernardo Carvalho, também enquadra a violência da guerra por lentes sutis – o sofrimento das mães para saber sobre os filhos enviados para regiões de conflito. Esse é apenas um dos diversos pontos de partida para o debate entre os autores em Paraty.
A sinopse atual:
No trabalho de Bernardo Carvalho e de Atiq Rahimi invenção e experimentalismo falam mais alto do que as aspirações à prosa realista. Ambos não abrem mão da imaginação e do artifício como pilares da literatura – e levam ao limite a exploração das possibilidades abertas pela criação literária. Esse é apenas um entre os diversos pontos de partida para o debate entre os dois em Paraty.
Talvez a mudança (certamente para melhor) tenha ocorrido diante desta percepção: “esse é apenas um entre os diversos pontos de partida para o debate entre os dois”. Eu preferi este ponto, confesso.
Mais sobre todos os dias da programação principal aqui.
Então, seguimos esperando a programação Casa da Cultura sair do forno a qualquer momento. E quem sabe, a OFF FLIP nos traga boas notícias também. Esperemos com amor no coração, não é mesmo? ;o)
James Joyce por Edna O’Brien
Tuesday, May 26th, 2009Era uma vez um homem que andava por uma rua de Dublin e se denominava Dédalo, o feiticeiro, construtor de labirintos e das asas de Ícaro, que voou até tão próximo do sol que caiu, como o apóstolico dublinense James Joyce iria mergulhar fundo num mundo de palavras – das “epifanias” da juventude às “epistoloucologias” dos anos seguintes.
***
Um homem de gostos indecentes e incoerências gritantes, que tinha medo de cachorros e trovões, mas impunha medo e submissão àqueles que conhecia; um homem que aos trinta e nove anos chorava por não ter tido uma grande família própria e, apesar disso, maldizia a sociedade e a Igreja para a qual sua mãe, como tantas mães irlandesas, era um ” vaso de parir rachado”.
***
A morte, porém, nem queima nem mata a mãe da lembrança, e em sua ficção ela volta para atormentá-lo repetidas vezes, a mortalha atirada longe, os olhos vidrados fitando-o do além túmulo para sacudir e dobrar sua alma. Só para ele. Era como se fosse um filho único, o que num certo sentido ele sentia ser, embora também se descrevesse como um filho adotivo. Que tinha medo dela, não há dúvida, e que fez tudo para reprimir esse medo, é igualmente certo, mas o efeito dela nele era de longo alcance. O beijo de língua de uma prostituta, a hóstia na língua e a ternura da mãe eram os três símbolos que combatiam por sua alma. Se ela não houvesse morrido então, ele, por sua arte, teria tido de matá-la. Escritores e suas mães – profundezas não cartografadas.
Edna O' Brien: James Joyce - Breves Biografias
Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1999, pgs. 9, 30.
Alex Ross: O resto é ruído.
Tuesday, May 19th, 2009Alex Ross nasceu na cidade de Washington em 1968. Aos dez anos, começou a tocar piano e a compor. Depois, estudou música e chegou a tocar oboé em orquestras escolares. Na faculdade, porém, além de apresentar programas de rádio dedicados à música erudita contemporânea, iniciou-se na crítica musical. Em 1992, depois de se mudar para Nova York, atuou como crítico do New York Times, até ser contratado pela revista New Yorker, da qual é crítico de música.
“Em uma narrativa envolvente, de interesse tanto para o especialista como para o leigo, O resto é ruído conduz o leitor por esse labirinto da música contemporânea, buscando elucidar os contextos social e político que lhe deram origem. Crítico brilhante, Alex Ross nos leva da Viena do início do século até a Paris dos anos 1920; da Alemanha de Hitler e da Rússia de Stálin à Nova York dos anos 60 e 70, mesclando o erudito e o popular, a música e a política de um século tão fecundo quanto conturbado. O resultado, mais do que uma história da música, é uma leitura da história do século XX por intermédio da música que ele produziu.”
Fonte: Companhia das Letras
Leia aqui um trecho de O Resto é Ruído: escutando o século XX.
O resto é ruído: escutando o século XX
Autor: Alex Ross
Editora: Cia. das Letras
Tradução: Claudio Carina, Ivan Weisz Kuck
Capa: Retina _ 78
Páginas: 688
Formato: 16,00 x 23,00 cm
Peso: 0,922 kg
Acabamento: Brochura
ISBN: 9788535913934
Preço: R$ 64,00
Livraria da Travessa: por R$ 50,90 (s/ frete para R. de Janeiro)
Livraria Submarino: por R$ 50,90 (livre de frete)
Livraria Cultura: R$ 64,00
Heitor Ferraz comenta Leite Derramado
Tuesday, May 19th, 2009
Neste vídeo do programa Entrelinhas da TV Cultura, podemos assistir aos comentários do poeta Heitor Ferraz de Mello ao novo livro de Chico Buarque: Leite derramado. Chico também lê trechos do livro. Os dois estarão na sétima edição da FLIP.
Poetas na FLIP: Angélica Freitas
Monday, May 18th, 2009Rito de passagem
agora que raspei a cabeça
não vou demorar nas esquinas
irritarei os velhinhos
assustarei as meninas
e os cachorros já latem antes de me avistar.
os vizinhos na escada
pensam: coitada! que azar
perguntarão se eu peguei piolho
ou tive queda capilar.
tranco a porta e as janelas
deixo o mundo e seu bedelho
estranha a rua minha cabeça nua
me estranhará o espelho?
Angélica Freitas in: Rilke shake, Coleção Ás de colete São Paulo: Cosac Naify; Rio de Janeiro: 7 Letras, 2007, p. 42
Poetas na FLIP: Eucanaã Ferraz
Monday, May 18th, 2009O ator
Pensei em mentir, pensei em fingir,
dizer: eu tenho um tipo raro de,
estou à beira,
embora não aparente. Não aparento?
Providências: outra cor na pele,
a mais pálida; outro fundo para a foto:
nada; os braços caídos, um mel
pungente entre os dentes.
Quanto à tristeza
que a distância de você me faz,
está perfeita, fica como está: fria,
espantosa, sete dedos
em cada mão. Tudo para que seus olhos
vissem, para que seu corpo
se apiedasse do meu e, quem sabe,
sua compaixão, por um instante,
transmutasse em boca, a boca em pele,
a pele abrigando-nos da tempestade lá fora.
Daria a isso o nome de felicidade,
e morreria.
Eu tenho um tipo raro.
Eucanaã Ferraz in Cinemateca São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p. 131
Poetas na FLIP: Heitor Ferraz
Monday, May 18th, 2009Um problema de imagem
Ele gostaria de segurar o tempo
não como a ampulheta do velho
entre as mãos
mas apenas segurar o rosto
que o tempo havia revelado
diante de seus olhos.
Não apenas o rosto, mas as coxas
o jeans e a comissura dos lábios
que logo fugiriam pela porta.
Flores cresceriam por convicção
em vasinhos de flores nos beirais das janelas
e os siriris voltariam com o tempo seco
e o calor atípico em pleno inverno.
Heitor Ferraz Mello, Coisas imediatas* [1996-2004]
Coleção Guizos Rio de Janeiro: 7 Letras, 2004, p.18
*Esta edição reúne os livros Resumo do dia,
A mesma noite, Goethe nos olhos do lagarto,
Hoje como ontem ao meio-dia e Pré-desperto.
Mario Bellatin (outra vez)
Sunday, May 17th, 2009Aqui temos uma entrevista de Francisco Ángels (de Porta9, Peru) a Mario Bellatin. Em sua própria língua Bellatin fala de literatura, “algo complicado este prazer máximo e horror máximo dentro do mesmo” e afirma que nunca encontrou em toda sua vida algo que pudesse gostar mais de fazer do que escrever, ser um escritor. Ele passa horas dedicando-se à escritura apenas pela escritura. Sente que não tem nada a dizer, ele parte do fundamental que é para ele nao ter absolutamente nada a dizer. Para este escritor não há um discurso previsto, as coisas vão aparecendo ele vai se assombrando diante das palavras. Pensa na idéia comum à maioria das pessoas sobre a necessidade de estruturar algo de determinada maneira, no entanto, ele é uma pessoa que confia mais em si mesmo e num mundo onde não se pode estruturar de uma maneira lógica certas idéias e pensamentos a não ser deixá-los fluir, é assim que se pode ir descobrindo o que se está dizendo. Mas, afirma: “quando eu digo que não tenho nada a dizer, não quero dizer que não haja nada, mas sim que não é algo previsto, não é como se eu precisasse ter uma determinada missão”.
Para Bellatin, um dos grandes problemas de um gênero definido é que muitas vezes, por seguir regras de determinado gênero, o escritor pode trair-se e os elementos literários exigidos podem entorpecer ou anular muitas possibilidades de escrita. A literatura se faz escrevendo. Os estilos geram grandes discussões: isto é um conto? uma novela? um poema? Há um determinado momento em que isto parece ser o fundamental. No entanto, se alguém diz “Ah, isto não é teatro!”, a questão mais importante não é esta e sim: “Certo, não é um teatro, mas você gosta? acha interessante?” Enfim, para Bellatin, o principio fundamental de qualquer arte é a liberdade.
Em chamas
Friday, May 15th, 2009Porque nós acreditamos que a literatura precisa dos olhos do leitor sobre as linhas. Porque ler é um exercício de visão muito particular, então recomendamos ler antes de ouvir.
Aqui está uma oportunidade de ler Em Chamas, capítulo II de Meus dias de escritor do escritor Tobias Wolff.
Tobias Wolff
Friday, May 15th, 2009
Tobias Wolff (1945, Birmingham) é considerado um dos mestres do gênero dos contos. Vencedor dos prêmios PEN/Faulkner, PEN/Malamud e Academia Americana de Artes e Literatura, Wolff dividirá a mesa Segredos de Família, com a irlandesa Anne Enright. Em comum, além da prosa curta de ficção, a fragmentação da família é o tema central em suas obras. Tobias Wolff lecionou da Universidade se Syracuse entre 1980 e 1997, quando passou a dar aulas na Stanford. Colaborador da revista The New Yorker, tem quatro livros publicados no Brasil. Entre eles, O despertar de um homem (Rocco, 1997), adaptado para o cinema em filme homônimo e Meus dias de escritor (Ediouro, 2006), que está sendo republicado.
Dramas em anéis de vidro
Friday, May 8th, 2009– Ai de mim – era vidro e logo se quebrou…
Assim também o eterno amor que prometeste,
– Eterno! era bem pouco e cedo se acabou.
(Manuel Bandeira)
Domingos de Oliveira e Rodrigo Lacerda conversarão na FLIP sobre crises e relacionamentos amorosos, assuntos freqüentes na vasta obra do primeiro e tema do novo livro de Rodrigo, Outra Vida, que deve ser lançado pela Alfaguara durante a sétima edição da FLIP.
Domingos de Oliveira foi um dos expoentes do teatro carioca, dirigiu grandes atores, recebeu o Prêmio Mambembe de melhor autor com Assunto de Família, prêmio de direção e cenografia com O Brilho da Gota de Sangue, o Molière de direção pelo conjunto de trabalhos - Conversas Íntimas, Escola de Mulheres e Irresistível Aventura - realizados em 1984. Lançou Confissões de Adolescente em 1992 e, na seqüência, Confissões das Mulheres de 30. Em meados da década de 90, assumiu a direção do Teatro Planetário, onde realizou espetáculos que misturavam humor, crítica e diálogo com o público até 2000. Atualmente Domingos apresenta o programa Swing, no Canal Brasil. Reveja um dos melhores momentos de Domingos Oliveira no cinema. Paulo José e Leila Diniz em Todas as Mulheres do Mundo.
Neto do jornalista e ex-governador do Rio de Janeiro, Carlos Lacerda; filho de Sebastião Lacerda, fundador da Editora Nova Fronteira e atualmente à frente da Nova Aguillar, o carioca Rodrigo Lacerda (1969) mudou-se para São Paulo aos 22 anos para concluir o curso de História na USP. Em 2005 concluiria seu Doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - USP. Rodrigo organizou a linha de literatura brasileira contemporânea na Cosac Naify. Ganhou o Prêmio Jabuti de 1995 com O Mistério do Leão Rampante (Ateliê Editorial, 1995). Lançou A dinâmica das larvas (Nova Fronteira, 1996), a coletânea de textos Tripé (Ateliê Editorial, 2000), Vista do Rio (Cosac Naify, 2004) e O Fazedor de Velhos (Cosac Naify, 2008). No vídeo abaixo, na Livraria Cultura, Rodrigo Lacerda conversa um pouquinho sobre literatura, sobre seu livro O Fazedor de Velhos e sobre o seu próximo romance, Outra Vida, lançamento aguardado para a Festa em Paraty.
A crua beleza de Mario Bellatin
Thursday, May 7th, 2009A matéria de Carlos André Moreira pode (deve) ser lida aqui.
Mais uma baixa
Monday, May 4th, 2009A organização da FLIP informa que o escritor Carlos Fuentes cancelou sua vinda ao festival devido a compromissos pessoais inadiáveis.
Antes de Fuentes, o dominicano Junot Díaz desmarcou o compromisso porque precisava descansar de sua agenda muito cheia após recebimento do Pulitzer e as consequentes viagens pelo mundo.
Certo, é a vida.
Pero, Carlos… Nosostros estamos muy tristes.
Mario Bellatin - Entrevista
Saturday, May 2nd, 2009Em 2008 o Entrelinhas, programa exibido pela TV Cultura, entrevistou o escritor mexicano Mario Bellatin, que dividirá a mesa com o brasileiro Cristovão Tezza na FLIP 2009.
Bellatin fala sobre criatividade ilimitada, personagens, fantasmas, página em branco e outros mitos ligados à atividade dos escritores. Dono da Escola Dinâmica de Escritores, no México, diz que não é possível ensinar a escrever e, por isso mesmo, a necessidade de se ter uma escola onde exista uma única proibição: escrever.
Anne Enright
Friday, May 1st, 2009
Anne Enright nasceu em 11 de outubro de 1962, em Dublin, onde vive atualmente com o marido e dois filhos. Iniciou sua carreira de escritora aos 21 anos quando ganhou uma máquina de escrever de aniversário. Além de escritora, ela também trabalhou como produtora e diretora de TV na Irlanda e colabora para a revista “New Yorker” desde 2000.
Formada em filosofia pela Trinity College, tem 14 livros publicados, entre ensaios, contos e romances. Escreveu também a biografia de Eva Perón, The Pleasure of Eliza Lynch (2002) . Publicou uma colectânea de contos, com o título The Portable Virgin, galardoada com o Prémio Rooney. Também autora dos romances The Wig My Father Wore, finalista do Prémio Irish Times/Aer Lingus Irish Literature; What Are You Like?, vencedor do Prémio The Royal Society of Authors Encore e The Pleasure of Eliza Lynch.
Em 2007, O Encontro (The Gathering) recebeu o prêmio Man Booker Prize, derrotando favoritos como o britânico Ian McEwan com “On Chesil Beach” (”Na Praia”, Editora Companhia das Letras) e o neozelandês Lloyd Jones com “Mr. Pip” (”O Sr. Pip”, Editora Rocco). Em 2008 foi premiado com o Irish Novel of the Year.
O Man Booker Prize, criado em 1969 é um dos mais prestigiados prêmios literários internacionais, conferido à melhor obra de ficção publicada no ano por um autor do Reino Unido, da República da Irlanda ou dos países da Comunidade Britânica (Commonwealth).
O encontro, seu primeiro livro traduzido no Brasil, foi lançado aqui pela Alfaguara/Objetiva.
Título: O Encontro
Título Original: Gatherig, The
Autor: Anne Enright
ISBN: 9788560281541
Idioma: Português
Tradutor: Jose Rubens Siqueira
Encardenação: Brochura
Formato: 15 x 23,5 - 248 págs.
Ano da obra/Copyright: 2007
Ano edição: 2008
Preço:
Livraria Cultura: R$ 36,90
Livraria da Travessa: de R$ 36,90 por R$ 32,84
O Encontro
Friday, May 1st, 2009Eu gostaria de registrar o que aconteceu na casa de minha avó no verão em que eu tinha oito ou nove anos, mas não tenho certeza se realmente aconteceu. Tenho de testemunhar um acontecimento incerto. Que eu sinto rugir dentro de mim, essa coisa que pode nem ter acontecido. Não sei nem que nome dar a isso. Acho que se pode chamar de crime da carne, mas a carne há muito se desfez e não sei bem qual mágoa pode restar nos ossos.
Meu irmão Liam adorava pássaros e, como todo menino, adorava os ossos de animais mortos. Não tenho filhos homens, de forma que sempre que passo por qualquer pequeno crânio ou esqueleto eu hesito e penso nele, no quanto ele admirava os detalhes daquilo. Os braços antigos de uma gralha se projetando da massa de penas; duros, claros, limpos. Essa é a palavra que usamos para ossos: limpos.
Falo para minhas filhas não pisarem, claro, no crânio de camundongo que encontramos no bosque ou no tentilhão que se desmancha no muro do jardim. Não sei bem por quê. Embora a gente às vezes encontre, na praia, um osso de siba tão puro que não consigo deixar de enfiar no bolso, e minha mão sente conforto em seu branco arco secreto.
Não se pode difamar os mortos, acho, só se pode lhes dar consolação.
Então ofereço a Liam esta imagem: minhas duas filhas correndo na beira arenosa de uma praia de pedras, sob um céu baixo e turbulento, os ombros de seus casacos encolhidos para trás. Depois apago a imagem. Fecho os olhos e flutuo com a forte estática do mar. Quando os abro de novo, é para chamar as meninas de volta para o carro.
Rebecca! Emily!
Não importa. Não sei qual é a verdade e não sei como contar a verdade. Tudo o que tenho são histórias, idéias noturnas, as súbitas convicções que a incerteza desova. Tudo o que tenho são delírios, é mais isso. Ela o amava! digo. Devia amar! Espero pelo sentido que o amanhecer nos traz quando não se dormiu nada. Fico no andar de baixo enquanto minha família ressona acima de mim e escrevo, deposito todos em lindas frases, todos os meus ossos limpos, brancos.
Primeiro Capítulo do livro O Encontro de Anne Enright.
Meias Verdades
Wednesday, April 29th, 2009Começou esta semana no Oi Futuro a mostra Meias Verdades, como parte das comemorações do Ano da França no Brasil. Composta de trabalhos fotográficos Valérie Belin, instalações videográficas de Pierrick Sorin e um longa de Sophie Calle, os três maiores nomes do cenário artístico francês da atualidade. A mostra fica em cartaz até o dia 28 de junho, de terça a domingo, das 11h às 20h. O Oi Futuro fica na Rua Dois de Dezembro, 63 - próximo à Estação do Metrô Largo do Machado. A entrada é franca.
Sophie Calle é uma das convidadas da festa m Parati. O longa Double Blind, feito em parceria com o inglês Gregory Shepard é um diário íntimo dos dois durante uma viagem de carro de Nova Iorque a Califórnia. Na montagem Sophie mistura literatura, fotografia, instalações e produz um filme delicioso, divertido e, ao mesmo tempo, cheio de questionamentos.
Nós, aqui no Rio, adoramos o que vimos. Agora, estamos apostando todas as nossas fichas na exibição de Double Blind na FLIP Casa da Cultura. (Será?) Se isso não acontecesse, seria uma grande perda. De qualquer modo, fica a dica antecipada para quem estiver no Rio de Janeiro ou passar pela cidade antes do final de junho: a boa é assistir antes, no Oi Futuro (economizando não só os prováveis R$ 10,00 do ingresso, mas um tempo precioso, já que na FLIP há uma profusão de eventos).
Clique na tela abaixo e assista os recortes de Double Blind, de Sophie Calle.
Quadrinhos na FLIP
Monday, April 27th, 2009
Desde sua segunda edição, A FLIP vem buscando um caráter mais abrangente, fazendo links entre a literatura e as demais formas de expressão. Em 2004 Angeli e Ziraldo dividiram a mesa Humor, do traço à palavra, com Luis Fernando Veríssimo. Em 2008, A mão e a luva reuniu Neil Gaiman, autor de romances e histórias em quadrinhos e o escritor e roteirista Richard Price. Mas em 2009 a FLIP terá a primeira mesa unicamente dedicada aos quadrinhos.
Os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá cresceram e trabalham juntos. Começaram há quase 10 anos, publicando o fanzine 10 Pãezinhos. De lá para cá, os dois vem colecionando prêmios. Em 2008, com O Alienista, ganharam o Prêmio Jabuti de melhor livro didático e paradidático de ensino fundamental ou médio. Junto com Rafael Grampá, foram vencedores na categoria Melhor Antologia do prêmio Eisner - uma espécie de Oscar dos quadrinhos - com 5. Além do Brasil, seus trabalhos foram publicados nos Estados Unidos, Itália e Espanha.
Fábio, Gabriel e Rafael participarão da festa ao lado de Rafael Coutinho, em mesa mediada por Joca Reiners Terron. Tem tudo para dar certo.









