A literatura como forma de enfrentar as questões mais delicadas
Em O filho eterno, Cristovão Tezza conta a história de um casal num momento de ruptura na vida: a chegada do primeiro filho. No entanto, nas palavras do narrador, uma criança com “um pequeno problema. Ele tem mongolismo.” A fronteira entre a ficção é a realidade se esgarça, sabendo que a base do romance é a própria história do relacionamento entre o escritor e seu filho Felipe no decorrer de mais de duas décadas. Autor consagrado nacionalmente, Cristovão Tezza investiga sua própria memória neste romance, que marca o retorno do escritor à Editora Record. “Foi o livro mais difícil da minha vida — justamente por correr o risco, pela proximidade emocional, de soçobrar no lugar-comum — mas eu sabia que teria de escrevê-lo. Finalmente me senti maduro para enfrentá-lo.” O filho eterno é o décimo segundo romance do autor, o primeiro após a publicação de O fotógrafo, aclamado com os prêmios da Academia Brasileira de Letras e da Bravo! de melhor romance de 2004. O livro anterior do autor, Breve espaço entre cor e sombra, de 1998, também foi agraciado com um prêmio importante, o Machado de Assis, da Biblioteca Nacional. Porém, Tezza afirma que os prêmios recebidos pelos últimos romances nada influenciaram na escrita de O filho eterno. “O impulso que me leva a escrever um livro tem sido sempre mais forte que as circunstâncias”, disse. Apesar da história ser calcada na relação entre um pai, escritor, e um filho com síndrome de Down, Tezza deixa claro que sempre existe espaço para a ficção. Cita para tanto uma das epígrafes do livro, de Thomas Bernhard: “queremos dizer a verdade e, no entanto, não dizemos a verdade”. Junto com O filho eterno chegam às livrarias os relançamentos de Aventuras provisórias, Trapo, e O fantasma da infância, três outros romances do autor que foram originalmente publicados nas décadas de 1980 e 1990.
O texto acima faz parte da entrevista com Cristovão Tezza, no site da Editora Record. Leia na íntegra aqui.













