Sophie Calle - cuide de você

June 13th, 2009 por Ane Aguirre

expo-sophie 

Exposição:
De 10 de julho a 07 de setembro de 2009
SESC Pompeia, São Paulo.

De 22 de setembro a 22 de novembro de 2009
Museu de Arte Moderna, Salvador.

“A escolha de Cuide de você para ocupar o SESC Pompeia e, a partir de setembro, o Museu de Arte Moderna da Bahia – dentro da programação do Ano da França no Brasil – considera as possibilidades criadas pelo amplo espectro de irradiação da obra de Calle. Exemplo da mais conceituada produção atual, a exposição é, ao mesmo tempo, um desafio ao preconceito que reputa a arte contemporânea como manifestação de difícil comunicação e acesso restrito aos iniciados códigos, práticas e personagens. Nascida de uma situação comum a todos, – quem nunca sofreu uma desilusão amorosa? –, Cuide de você serve de introdução ideal à poética de uma importante artista”

Trecho sobre a exposição no site Sophie Calle - Cuide de Você, onde é possível conhecer muito mais sobre a artista, sua obra e a exposição no Brasil.

FLIP Casa da Cultura

June 13th, 2009 por Ane Aguirre

O jornalista americano Jon Lee Anderson, autor de “Che Guevara - Uma Biografia”, será um dos convidados da FLIP Casa da Cultura, evento que integra a programação oficial da Festa Literária Internacional de Paraty (de 1° a 05/07). Haverá homenagens ao poeta Manuel Bandeira, debates sobre literatura e cinema e mesas com os autores franceses David Foenkinos e Ollivier Pourriol.

Nota da Folha de São Paulo, Caderno Folha Ilustrada E7, 13/06/2009

Euclides pelos quatro cantos de Paraty

June 9th, 2009 por Sergio Fonseca

Em homenagem ao centenário da morte de Euclides da Cunha, a organização da FLIP informou que haverá uma mesa sobre o autor na FLIP Casa da Cultura, com a presença de Walnice Nogueira Galvão, professora de Teoria Literária da USP, do crítico literário Francisco Foot Hardman e do escritor Milton Hatoum, mediados pelo jornalista Daniel Piza que esteve na Amazônia recentemente, percorrendo o mesmo caminho feito por Euclides da Cunha no início do século XX.

Este é apenas um dos eventos que fazem parte da FLIP Casa da Cultura (programação paralela que em 2008 era chamada FLIP Etc), já confirmado pela organização, embora a programação completa ainda não tenha sido divulgada na íntegra (tudo indica que deve entrar no site oficial nos próximos minutos).

Outro evento da programação paralela que também envolve Euclides da Cunha deve ser confirmado nos próximos dias (ou horas, ou minutos, quem sabe!):

Euclides também marca presença em evento ligado à FLIPINHA

O espetáculo Quatro Cantos de Euclides, baseado no livro de mesmo nome, de Thiago Cascabulho, percorrerá as ruas de Paraty em procissão na noite de 3 de julho, sexta-feira.

Produzido pelo Coletivo Teatral Sala Preta, o espetáculo conta com a participação de 60 atores e músicos de vários grupos, que apresentarão cinco músicas sobre a vida e obra do Euclides, cantadas em diferentes ritmos e pontos da cidade.

  • Música de Abertura, um maculelê, em frente a igreja do Rosário
  • Canto I, samba de roda do reconcavo, em frente à Casa da Cultura, fala sobre o início da vida de Euclides como militar, engenheiro e poeta
  • Canto II, baião sobre Os sertões, em frente da Igreja de Santa Rita
  • Canto III, moda de viola que canta o Euclides Amazônico, será apresentado perto do cais
  • Canto IV, ciranda sobre a morte e herança cultural de Euclides, na praça da Bandeira.

O projeto Quatro Cantos de Euclides está ligado ao Movimento 100 anos sem Euclides.

Cada paralelepípedo da velha cidade vai se arrepiar

June 8th, 2009 por Sergio Fonseca

Esta é a terceira vez que Chico Buarque participa da FLIP. Em 2003 cantou, ao lado de Adriana Calcanhoto,  na tímida abertura da primeira edição. Em 2004 participou como autor, lançando Budapeste. Chico e Paul Auster dividiram,  na noite de sábado, a mesa mais concorrida da FLIP, assistida aproximadamente por 700 pessoas numa Tenda de Autores concebida para 550 lugares. Isso num tempo em que a divulgação do evento na mídia ainda era pequena e Liz Calder, organizadora da festa, dizia “A impressão que temos é de que já chega. Está de bom tamanho para Parati e para esse tipo de evento”. Terminada a mesa, Chico partiu para a antiga mesa de autógrafos onde já era aguardado por uma legião de fãs, digna de um show de rock.  Permaneceu lá por exatos 30 minutos e apenas os 113 primeiros sairam de lá com a caligrafia do autor no livro. Se houvesse uma canção tema para as andanças de Chico Buarque em Paraty, esta seria, Você vai me seguir, aonde quer que eu vá.

autografos_chico_2004   chico_2004

Em 2008 foi a vez de Neil Gaiman levar uma multidão de fãs de Sandman à Paraty. Tranquilo e bem-humorado, Gaiman  disse que estava disposto a bater seu próprio recorde em autógrafos. Após o término da mesa A mão e a luva, ao lado de Richard Price, Gaiman encaminhou-se para a Tenda dos Autógrafos e cumpriu o prometido. Chegou lá por volta das 13h e a organização teve que criar uma fila especial para ele. Richard Price, Alessandro Baricco, Contardo Calligaris, Cees Noteboom e Fernando Vallejo entraram e sairam da Tenda. Gaiman autografou até às 19h.

autografos_gaiman_2008   gaiman_2008

Cinco anos após a declaração de Liz Calder sobre o tamanho da FLIP, o evento continua crescendo, a mesa de autógrafos agora é uma espécie de “Tenda dos Autógrafos”. Os organizadores continuam dizendo que a FLIP não pode ficar maior do que já está e buscam meios de levar a festa a um público cada vez maior, sem sufocar a cidade. A transmissão ao vivo pela Internet  foi uma das soluções encontradas. Assim,  presença de Chico Buarque em Paraty soa contraditória. Os fãs suspiram e desejam ter, ao menos dentro de um livro, a cicatriz, risonha e corrosiva, marcada a frio, ferro e fogo, em carne viva.

Imagens FLIP

June 8th, 2009 por Ane Aguirre

flip2008-tenda-publico-by-sergiofonseca

O que acontece durante uma Festa Literária? Mesas de debates e palestras entre os autores, sim, é a idéia principal, além do encontro com os livros, escritores, livrarias e tal. Mas há mais numa festa assim. Há comida, bebida, diversão, amigos, encontros, música, programas paralelos, holofotes, imprensa, entrevistas, curiosidades, arte, brincadeiras e gente: muita gente!

As imagens da festa são registradas por muitas pessoas. Cada um com seu olhar, com seu objetivo e sempre de algum ponto diferente. As nossa imagens estão por aqui e no Flickr da FLIP. Mas, dentro do Flickr há um Grupo FLIP onde outras pessoas podem entrar e participar com seus cliques da festa. Para a festa deste ano, está surgindo um grupo específico que vai permitir a concentração de fotos somente da FLIP 2009. Entre na festa e mostre o seu olhar também. Bora?

Curtinhas

June 5th, 2009 por Ane Aguirre

Lobo Antunes está de novo na página de Matérias.

Alguns vídeos bem legais com participantes da FLIP estão na página de Vídeos. Lá estão Angélica Freitas, Richard Dawkins, Romulo Fróes, entre outros.

Ótimos vídeos do trabalho de Sophie Calle estão em página à parte. Não deixe de conferir: são realmente ótimos.

A organização da FLIP ainda não anunciou a programação da Casa de Cultura, mas já solta algumas notas de participações anunciadas pela imprensa como: os franceses Anne-Solange Noble e Françoise Nyssen na parte literária (ver em Matérias), a pré-estréia do filme de Domingos de Oliveira (posts abaixo) e os músicos da Osesp no Quinteto de sopros Kaleidos.

Update:
Há um show na Tenda dos Autores marcado para às 21h de sexta-feira, dia 03 (logo após a mesa do Chico): “Estrela para toda vida” com Olivia e Francis Hime apresentando canções cujas letras são poemas de Bandeira musicados, entre outros, por Tom Jobim e Milton Nascimento. Ingressos disponíveis somente na bilheteria de Paraty. Preços ainda não divulgados.

A programação da sétima edição da FLIP vem sendo muito bem trabalhada e, independente da questão dos ingressos, a organização do evento faz um ótimo trabalho nesta edição, sem sombra de dúvidas.

Vamos aproveitar o que é bom, então.

Números e o lugar comum

June 5th, 2009 por Ane Aguirre

ingressos_flip2009

Precisamos ser francos e dizer que não houve grande novidade em relação aos problemas com a venda de ingressos. Se houve de fato alguma, o nome dela é Twitter. Sim, porque nos anos anteriores as pessoas que faziam suas tentativas de compra nos pontos de venda, telefone ou internet arrancavam seus cabelos do mesmo modo, mas não havia tanto eco. Em 2009, o Twitter fez a “boca no trombone” e, aliado aos celulares e computadores em casa, simultaneamente todos sabiam de tudo. Já sabemos que a melhor forma de obter algum sucesso é em dupla: um fica grudado no telefone e no site, enquanto o outro vai para a fila de algum ponto de venda. Em torpedos, um vai avisando o outro sobre o andamento da situação até que um deles consiga efetivar a compra.

Neste ano, percebemos que as duplas se transformaram em grupos. Pelo Twitter as pessoas iam jogado informações minuto a minuto: sistema parado no ponto de venda, uma pessoa conseguiu comprar, fulano é o número 55 na fila do telefone, site não mostra informações, agora o site está congelado e não finaliza a compra, enfim… tudo com riqueza de detalhes em informações de ser humano para ser humano. Não era nenhuma “divulgação oficial”, era a verdade dos fatos sendo anunciada por todos em tempo real.

Percebe-se claramente que quem conseguiu comprar ingressos para Tenda dos Autores o fez por telefone. Desconfio, pela série numérica impressa nos bilhetes, que fui uma das últimas a comprar mesas muito procuradas (quase onze e meia da manhã). Com o sistema falhando nos pontos de venda, impossível conter a frustração e o stress de quem ficou horas na fila. Mas toda a procura estava perfeitamente prevista e já era perfeitamete conhecida de todos que acompanham a FLIP, por isso não vejo razão nenhuma para “surpresas” por parte de quem administra a venda de ingressos.

Em nossos arquivos aqui, podemos olhar para trás à procura de motivos que sustentem alguma surpresa.

Por exemplo, no ano passado, 2008, a programação oficial foi anunciada em coletiva à imprensa apenas no dia 04 de junho, com previsão para início de venda dos ingressos para às 9h do dia 10 de junho. Quem tentou comprar pela Internet ou telefone no horário marcado, depois de um bom tempo na linha, ouviu um atendente pedir para tentar mais tarde porque a programação da FLIP ainda não estava no sistema. Não foi diferente nos pontos da Ingresso Rápido e o real início das vendas ocorreu entre 10h e 10h30. Mesmo assim, houve erro na venda para o show de abertura e muita gente comprou “gato por lebre”: conferência ao invés de show; situação que teve lá sua repercussão no momento de entrada para o show de Luiz Melodia em Paraty. O problema com os ingressos do show só foi resolvido no sistema por volta de meio dia. Outras tantas pessoas passaram pelo mesmo sufoco e Fernando Molica tem um belo terrível relato pessoal.

Em 2007, a venda de ingressos foi anunciada para começar no dia 04 de junho. No dia da venda (pela operadora de sempre), pode-se perceber com clareza o mesmo tipo de situação apresentada nos dias atuais. Nada mudou. Nada mesmo.

Tanto em 2007 quanto em 2008, os ingressos para Tenda de Autores foram esgotados na manhã do primeiro dia. Em 2008 havia um temor por causa da presença anunciada de Neil Gaiman, mas o maior problema (se é que se pode chamar problema) foi a extensa fila de autógrafos no dia de sua palestra. O mesmo temor se repete com a presença de Chico Buarque em 2009. Mas o temor não poderia ser transformado em surpresa. Existe uma previsão clara. O problema não é o fato de que os ingressos se esgotam nas primeiras horas todos os anos. O problema é o mau funcionamento do sistema (todos os anos) que acaba transformando a venda num jogo de sorte e azar já que não temos todos a mesma possibilidade de comprar ingressos e não adianta correr, chegar mais cedo, perder o trabalho, mandar a vó para a fila.

Quanto ao número de ingressos oferecidos, temos uma explicação (graças ao bom trabalho da assessoria de imprensa que trabalhou para a FLIP em 2007 ) que nos dá alguma luz, embora alguns desses dados possam ter mudado. Em 2007 a informação era: a Tenda dos Autores possui apenas 840 lugares e a do Telão (antiga Matriz) possui 1200 lugares. Há uma cota reservada aos patronos (que pagam e pagam bem por seus ingressos), outra cota reservada para venda antecipada, e finalmente uma cota para venda na bilheteria em Paraty.

Seja como for, devemos todos ter em mente que os ingressos para Tenda dos Autores sempre vão ser vendidos integralmente nas primeiras horas do primeiro dia de vendas antecipadas. Sempre foi assim. Não há surpresa alguma nisto. O que parece claro é que a operadora, em conjunto com a organização do evento, deve contar com um aumento gradativo da procura e encontrar modos eficazes que possibilitem que os ingressos sejam vendidos de forma justa. Se oferecem três possibilidades de compra, as três precisam funcionar simultaneamente e de forma eficaz. Se isto não é possível, talvez seja melhor optar por uma única possibilidade que seja acessível a todos.

Não foi surpresa a procura. Isto é límpido. Foi surpresa a repercussão das falhas. E isto significa que para o próximo ano, é melhor pensar com carinho sobre o modo como está sendo feita a venda antecipada. Se o sistema da Ingresso Rápido não for melhor que o sistema dos compradores, as tais surpresas só vão aumentar em sua complexidade.

Já imaginou?

June 4th, 2009 por Ane Aguirre

bandeiras-by-sergiofonseca

“O que seria de nós, não é, se fôssemos, de facto, felizes? Já imaginou como isso nos deixaria perplexos, desarmados, mirando ansiosamente em volta em busca de uma desgraça reconfortadora, como as crianças procuram os sorrisos da família numa festa de colégio?”

Trecho de Os Cus de Judas de Lobo Antunes.
Leia mais aqui.

Todo mundo tem problemas sexuais

June 4th, 2009 por Sergio Fonseca

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Exibido no Festival de Cinema do Rio 2008, como hours concours, o filme de Domingos de Oliveira é a transposição da peça homônima dele próprio e Alberto Goldin e tem (como na peça) Pedro Cardoso como protagonista. Domingos quis levar ao cinema a magia do teatro. Todo mundo tem problemas sexuais é uma comédia rasgada dividida em cinco histórias que têm em comum sexo, desejo e as conseqüências dos problemas sexuais. Impotência, sedução, homossexualismo, perversão, traição são os temas abordados com bom-humor. Além de Pedro Cardoso, estão no elenco Cláudia Abreu, Priscilla Rozembaum, Orá Figueiredo, Paloma Riani e Ricardo Kosovski.

Com estréia prevista para julho nos cinemas, Todo mundo tem problemas sexuais terá pré-estréia durante a sétima edição da FLIP e é a primeira atração divulgada da FLIP Casa da Cultura.

Informação à imprensa sobre ingressos FLIP

June 3rd, 2009 por Ane Aguirre

Sobre a questão dos ingressos, a organização do evento pronuncia-se através de e-mail enviado hoje à imprensa e os esclarecimentos estão abaixo reproduzidos.

Ingressos para Tenda dos Autores acabam no primeiro dia

No primeiro dia de vendas para a 7a. edição da Festa Literária Internacional de Paraty, foram vendidos todos os ingressos para as mesas literárias na Tenda dos Autores. Às 14h30 de segunda-feira, dia 1 de junho, já não havia mais ingressos disponíveis para esse espaço.

A procura surpreendeu a FLIP e a Ingresso Rápido (responsável pela comercialização dos ingressos). De acordo com relatório produzido pela Ingresso Rápido e enviado à organização da FLIP na noite do dia 1, a procura por ingressos para a FLIP 2009 cresceu 60% em relação aos anos anteriores.

Diante deste cenário, a FLIP optou por ampliar a Tenda do Telão, o que permitiu a emissão de mais de 4 mil ingressos para este espaço, que foram liberados para a venda hoje, dia 2 de junho, pelo site, televendas e pontos de venda da Ingresso Rápido.

A FLIP investe constantemente em soluções que possam atender o público sem comprometer o formato da Festa Literária e a estrutura da cidade de Paraty. Desde o ano passado, realiza a transmissão dos eventos ao vivo pela internet, em alta qualidade de imagem, para que todos aqueles que não vão a Paraty possam acompanhá-los em tempo real.

Prevendo que a demanda da 7a. FLIP seria grande, a Ingresso Rápido aumentou a capacidade de processamento de seu sistema de vendas. Durante algumas horas pela manhã, porém, o público enfrentou lentidão nos procedimentos de compra por internet e por telefone, além de filas nos pontos-de-venda. O processo de venda, entretanto, não foi paralisado em nenhum momento e o problema de lentidão no sistema foi resolvido nas primeiras horas da tarde do dia 1.

Ainda que o interesse crescente do público seja motivo de orgulho e satisfação aos organizadores da FLIP, a equipe sugere aos que não possuem ingressos para os eventos que os acompanhem via internet evitando, dessa forma, passar por eventuais aborrecimentos em Paraty relativos à falta de ingressos à venda, bem como de vagas disponíveis em hotéis e pousadas.

Update:

Esta, entre outras notícias, está na página de notícias do Site Oficial. Bem como a notícia sobre suspeita de falsificação de ingressos para a FLIP2009.  É importante observar que para cada notícia divulgada no Site Oficial, há um sistema de comentários correspondente onde é possível deixar registrado suas impressões sobre a notícia, ou seja: há um canal de comunicação oficial que certamente foi elaborado com a intenção de colher impressões e sugestões dos participantes da festa.

Anne Enright e a vontade de escrever

June 2nd, 2009 por Sergio Fonseca

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Em vídeo do New York State Writers Institute gravado em 2008, Anne Enright diz que olhando para os últimos 20 anos, o fator mais importante no desenvolvimento de sua habilidade para escrever é “a vontade de escrever”. Observando seus ex-alunos e os autores que conheceu ao longo do tempo, ela se dá conta de que a única coisa que pode transmitir para que eles sigam em frente, tornem-se bons ou ainda melhores é a vontade: é este grande desejo. Ela não saberia dizer de onde surge nela esse desejo. Hoje, é um hábito de sua existência “desejar escrever”. Anne desenvolve essa capacidade escrevendo diariamente.

Mais um dia daqueles

June 2nd, 2009 por Ane Aguirre

A questão da venda antecipada dos ingressos para a sétima edição da FLIP passou por todos aqueles velhos e conhecidos problemas. Mas talvez tenha sido pior.

É preciso considerar que “estrelas” na FLIP causam frisson e que naturalmente haveria congestionamento e desespero de fãs atrás de pelo menos uma das mesas. Mesmo assim, as FLIPs já se tornaram o lugar comum das estrelas e, no ano passado, Neil Gaiman também prometia raios e trovoadas. Mas, para além do que se esperou em 2008, ontem foi bem pior. Não sendo a primeira vez que Chico Buarque se apresenta numa FLIP, não seria justo pensar que é ele o culpado de tudo, pobre homem. A operadora Ingresso Rápido está sendo trucidada (justa ou injustamente) por todos que tentaram comprar ingressos em todo e qualquer canal oferecido.

É verdade que o site não funcionou. Simplesmente não funcionou. Houve momentos em que parecia melhorar, mas ao final, a compra não se completava. Enquanto isso, o tempo gasto em telefonema aguardando uma senha 65 ou 43 e ouvindo uma gravação meiga e gentil agradecendo com veemência a paciência de quem conseguiu o milagre de completar a ligação, tirou do sério muita gente que precisa trabalhar, educar crianças, dar rumo à vida, ganhar dinheiro e tudo mais.

Mas muito pior que isso foram as experiências narradas aos quatro cantos sobre a compra de ingressos nos pontos de venda. [E, sinta-se à vontade para deixar aqui seu relato se considerar que possa colaborar para a melhora do serviço nos próximos eventos.]

Na FNAC Rio, que fica dentro de um Shopping Center, algumas pessoas aguardavam antes do shopping abrir, evidentemente. Mas, para a surpresa de todos, ao entrarem no posto de venda, eis que surgem vários (6, 7 ou 10, o número não me parece mais importante que o fato) funcionários da Livraria Travessa que já estavam dentro do shopping e se posicionaram na frente de todos os que estavam antes, do lado de fora do shopping. Parece justo? Parece realmente uma atitude ética e decente? Cada um deles, segundo conversa ouvida na fila, estava ali para comprar a quantidade limite (dois ingressos por mesa para todas as mesas) porque a Livraria da Travessa estaria patrocinando sua ida à FLIP. Parabéns à Livraria, de fato é um ato bonito para com seus funcionários. Mas furar fila não é bonito, gente. Não é esperto. Não é inteligente. Não é civilizado. Especialmente diante de toda a falta de civilidade a qual vamos sendo submetidos e que nos condiciona a pensar todos os anos “isso é normal”. Pois não é. Não é normal. Assim como não deveria ser normal uma senhora saudável que consegue se manter alegre e bem vestida em cima de suas saudáveis pernas, aproximar-se do balcão de vendas com o seu “direito de idosa” e debochar alegremente de todos os cidadãos da fila, mesmo que eles tenham 64 anos e meio. É justo que idosos se divirtam, certo? É justo que tenham privilégios nas horrorosas filas de farmácias, mercados, hospitais… porque enfim, ser idoso significa não ter saúde suficiente para as longas esperas em serviços essenciais. Pois há senhoras levemente idosas para quem a FLIP é um serviço essencial. Deveriam pensar em candidatar-se a Patrono, que tal a idéia?

Houve todo tipo de histórias, de atitudes indecentes, de desrespeito, de despreparo e de desespero na venda de ingressos através de todos os canais oferecidos ontem. As filas nos pontos de venda aumentaram porque, além dos “privilegiados” numa fila única, havia um sistema que não funcionava. “A primeira pessoa da fila do posto Piraquê (Rio) acabou de conseguir comprar ingressos!”, comemorava uma pessoa às 11h da manhã de ontem pelo Twitter. Lembrem: o posto de vendas abriu à 10h!  Às 11h35 corria a informação daqueles que conseguiram ser atendidos ao telefone: “não há mais ingressos na Tenda dos autores para a Mesa 10 com Chico Buarque”. A partir de então, enquanto os heróis - que vão pagar uma conta telefônica bem mais alta este mês - choravam as ausências das mesas que se esgotavam, os mortais que não são funcionários de livrarias em shopping center, não possuem um bebê na barriga e não podem debochar dos que têm menos de 65 anos, iam pouco a pouco descobrindo o amargo gosto de uma festa ao velho e bom estilo Cazuza.

Surgiu um desesperado poema (ali logo abaixo) relembrando Manuel Bandeira numa agonia de quem quer sorrir de tudo. Queremos, sim. Queremos sorrir melhor. Não queremos culpados. Queremos soluções. Porque se assim continuar ano após ano, o incentivo à histeria é crescente. E é por isso que, num momento em que se está diante da possibilidade milagrosa da compra de ingressos, as pessoas compram até o que não querem comprar. E lá estarão essas pessoas, nas filas de Paraty oferecendo ingressos que não queriam aos que hoje são do MSI, movimento dos sem ingresso.

Não é uma reclamação. São muitas. Mas afinal, era para ser uma Festa, não? Vamos fazer a festa, então. Sem esquecer que civilidade a gente aprende (é a nossa parte como público). Organização e bons serviços é algo que existe para vender e para comprar, pelo menos, deveria existir. Não é assim?

Comment poema

June 1st, 2009 por Ane Aguirre

Fabio says:
01/06/2009 at 15:39

A Flip homenageia Manuel Bandeira

Febre, irritação, caos e suores noturnos.
A Flip inteira que podia ter sido e que não foi.
Falha, falha, falha.

Mandou chamar o telefonista:
- Aguarde na linha, você é o cliente trinta e três.
- Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
- Respire.

- O senhor tem uma escavação no Ingresso Rápido e uma fila de três horas infiltrado na Fnac.
- Então, doutor, não é possível tentar a tenda dos autores?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Ingressos no forno

May 31st, 2009 por Ane Aguirre

Todos já sabem direitinho como a coisa funciona, certo? Mas vale um último toque rapidinho.

Às 10h desta bela segunda-feira, dia primeiro de junho, abrem-se as portas para a venda dos ingressos antecipados da sétima edição da FLIP.

Amanhã, ok?

Conselho:
Confira a programação horas antes de sair de casa ou pegar o telefone. Nunca se sabe quando as coisas podem mudar (e já mudaram bastante nos últimos dias). Confira aqui. Confira no Site Oficial. Não confira nos jornais de ontem e hoje porque aquela página gigantesca está com horários equivocados para a programação de domingo.

Anote.
Antes de “entrar na fila”, faça um bilhetinho bem escrito e bem resolvido sobre as mesas para as quais pretente comprar ingressos contendo:
- número da mesa
- nome da mesa
- dia e horário
- autores

Não pense que o Site Ingresso Rápido já sabe tudo sobre a FLIP antes das 10h da manhã deste dia primeiro. Não é comum que essas informações que parecem óbvias estejam disponíveis aos funcionários da operadora. Normalmente o sistema só permitirá acesso às informações no horário combinado (quando não ocorre atraso). Não se desespere. Tentar se adiantar pode ser mais complicado. Respire.

Feito isso. Mantenha a mente sã, a paz e a esperança no coração. Tudo sempre dá certo no final. Acredite.

Novidades por aí

May 31st, 2009 por Ane Aguirre

Tem matéria ótima de Rafael Cariello como o Flavio Moura para Revista Serafina em 31/05/2009.

E um pouco mais sobre HQs em matéria de Leonardo Cruz (Folha Ilustrada) e o selo da Companhia das Letras com crítica do Rafael Grampá ao “Retalhos” de Craig Thompson em 31/05/2009.

Essas e outras na página de Matérias.

Seu cheiro dentro de um livro

May 31st, 2009 por Ane Aguirre

Entre por essa porta agora
e diga que me adora
Você tem meia hora
pra mudar a minha vida
Vem vambora
que o que você demora
é o que o tempo leva

Ainda tem o seu perfume pela casa
ainda tem você na sala
porque meu coração dispara
quando tem o seu cheiro
dentro de um livro
“ Dentro da noite veloz”

Ainda tem o seu perfume pela casa
ainda tem você na sala
porque meu coração dispara
quando tem o seu cheiro
dentro de um livro
na “Cinza das horas”

Vambora 1998
Adriana Calcanhotto
in: Maritmo 04:14, in: Público 03:49, in: Público (DVD)

Uma voz

Sua voz quando ela canta
me lembra um pássaro mas
não um pássaro cantando:
lembra um pássaro voando

Ferreira Gullar in: Dentro da noite veloz - Toda Poesia
11a ed.Rio de Janeiro: José Olympio, 2001 p.179

Dentro da noite

Dentro da noite a vida canta
E esgarça névoas ao luar…
Fosco minguante o vale encanta.
Morreu pecando alguma santa…
          A água não pára de chorar.

Há um amavio esparso no ar…
Donde virá ternura tanta?…
Paira um sossego singular
          Dentro da noite…

Sinto no meu violão vibrar
A alma penada de uma infanta
Que definhou do mal de amar…
Ouve… Dir-se-ia uma garganta
Súplice, triste a soluçar
          Dentro da noite…

Manuel Bandeira, in: A cinza das horas -Estrela da vida inteira,
20a. ed Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998, p. 57

Quadrinhos, Atiq e Romulo Fróes.

May 30th, 2009 por Ane Aguirre

Na página de Matérias:

  • Selo de Qualidade: chegam os primeiros títulos de coleção da Companhia das Letras dedicada às HQ’s, matéria de Telio Navega para o Prosa & Verso em  O Globo.
  • Atiq Rahimi revela uma “outra afegã”, na matéria de Eduardo Simões para Folha de São Paulo, conversando sobre o livro que está sendo lançado no Brasil: Syngué Sabour: Pedra-de-paciência, tradução de Flávia Nascimento, Editora Estação Liberdade, 152 págs.R$ 30,00.
  • Um pouco mais sobre Romulo Fróes, no Guia da Folha, o músico que abrirá o show de Adriana Calcanhoto no Show de abertura da FLIP 2009. A matéria de Ligia Sandrini, ”Guitarra Malemolente”, fala sobre o  lançamento do CD “No chão sem o chão” deste músico paulistano que agrega instrumentistas, compositores e artistas plásticos no terceiro álbum, e transforma samba melancólico em viagem de guitarras elétricas. Aliás, além de estar nas Matérias, Fróes também pode ser visto e ouvido na página de Vídeos.
  • Conferir é preciso.

    Mudança na programação (de novo)

    May 29th, 2009 por Ane Aguirre

    Pois é.
    São tantas emoções, diria o Rei.

    Não, nós não estamos nos divertindo horrores só porque a programação muda e temos que descobrir o que está acontecendo o tempo todo. Embora a emoção seja mesmo um fator importante para nossas almas amantes da literatura, preferíamos dizer que está tudo certo a poucas horas de abrir a bilheteria, quando todos já devem ter suas mesas escolhidas e horários decididos para a compra de seus ingressos. Desculpem aí, gente… Mas mudou de novo.

    Por conta de compromissos pessoais dos escritores (e todos sabemos que essas coisas acontecem mesmo), duas mesas de domingo trocam de horário. A mesa 16 e a mesa 17. Anotem aí como ficam as coisas até segunda ordem (que esperamos não aconteça!):

    Domingo, 05 de julho

    11h30
    Mesa 16
    O futuro da América

    Simon Schama conversa com Lilia Moritz Schwarcz
    O futuro da América, livro mais recente do historiador inglês Simon Schama, revê a história dos Estados Unidos a partir dos temas da guerra, da religião, da imigração e da fartura. Os protagonistas são personagens comuns que atravessam momentos-chave da história do país – atores da “história narrativa” de que Schama é um dos mais notórios praticantes. Sobre esse trabalho, Schama conversa com a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz – um dos nomes fortes dessa corrente historiográfica no Brasil.

    14h30
    Mesa 17
    As sem-razões do Amor

    Catherine Millet em conversa com Maria Rita Kehl
    Em 2001, a crítica de arte francesa Catherine Millet fez de sua vida sexual movimentada o tema de um livro – e sacudiu as hostes conservadoras na Europa e nos Estados Unidos. Em 2008, publicou um livro que é o reverso do primeiro: um relato de como foi dominada pelo ciúme ao saber das aventuras sexuais do marido. Nessa mesa em Paraty, ela discute sua trajetória literária incomum com a psicanalista Maria Rita Kehl.

    A grande história da evolução

    May 29th, 2009 por Ane Aguirre

    rd_01A grande árvore da vida percorrida numa peregrinação de 4 bilhões de ano. Os integrantes da jornada se encontram a cada entroncamento, contam suas histórias e ressaltam as maravilhas da natureza e as revelações da biologia evolutiva. Um trabalho enciclopédico por um dos maiores evolucionistas da atualidade.

    A grande história da evolução é uma peregrinação ao longo da árvore genealógica da vida. Partindo de onde estamos hoje, passamos por quarenta entroncamentos onde nos deparamos com ancestrais e peregrinos que vêm de outros ramos. O ponto de chegada situa-se há 4 bilhões de anos, na origem da vida.

    Ao longo do trajeto, peregrinos contam suas histórias e descortinam as maravilhas da diversidade biológica que habita este planeta e os mistérios da evolução que ainda hoje desafiam biólogos. O humano ancestral “Little Foot” investiga como surgiu a possibilidade de andarmos sobre dois pés; o gibão ajuda a entender por que não temos que fazer calças com um furo para a cauda; o camundongo deixa claro que o que torna um organismo diferente do outro não são exatamente os genes, mas como sua atividade é regulada; castores explicam o conceito de fenótipo estendido, em que a represa é uma extensão do próprio castor; e o gafanhoto discute se existem raças.

    A paisagem que se descortina durante a viagem expõe uma amostra da diversidade da natureza e também explora como entendê-la. O leitor chega ao fim do percurso maravilhado e enriquecido com novas ideias e reflexões. Uma enciclopédia da vida para ler, reler e consultar.

    Richard Dawkins nasceu em Nairóbi, Quênia, em 1941, e cresceu na Inglaterra. Formou-se pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, e deu aulas de zoologia na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Em Oxford foi o primeiro titular da cátedra de Compreensão Pública da Ciência, criada em 1995 por iniciativa de Charles Simonyi para dar a um pesquisador de primeira linha a oportunidade de se dedicar à divulgação de ciência além da pesquisa. Modelo para sua idealização, Dawkins ocupou a cátedra até setembro de 2008. Recebeu inúmeras homenagens e honrarias, incluindo o prêmio da Royal Society of Literature em 1987, o prêmio Michael Faraday em 1990 e o prêmio Shakespeare em 2005. Entre seus livros publicados pela Companhia das Letras estão o já clássico O gene egoísta, O relojoeiro cego e Deus, um delírio.

    Richard Dawkins
    Tradução: Laura Teixeira Motta
    760 pgs
    Companhia das Letras
    Previsão de lançamento: 28 de maio

    Trecho do livro

    Fonte: Companhia das Letras

    Mudança na programação

    May 28th, 2009 por Ane Aguirre

    Os organizadores da sétima edição da FLIP que ocorre entre 01 e 05 de julho informam alguns ajustes na programação do evento.

    Por questões de agenda, a escritora francesa Catherine Millet, que antes dividia mesa na sexta-feira com Edna O´Brien, estará na programação do domingo. Deste modo, a programação terá alterações na sexta, dia 03, e no domingo, 05 de julho, conforme abaixo:

    Sexta-feira, 03 de julho

    15h
    Mesa 8
    Sentidos da transgressão

    Edna O’Brien em conversa com Liz Calder
    No início dos anos 1960, a irlandesa Edna O’Brien teve exemplares de seu livro Country girls queimados pela comunidade religiosa local, incapaz de aceitar que a vida sexual das personagens fosse descrita com tanta crueza. Desde então, compôs uma obra densa e multifacetada, marcada pelo confronto com o conservadorismo da Igreja Católica, pela luta em favor da autonomia feminina no meio artístico e pela análise da obra de um de seus mentores literários, James Joyce.

    Domingo, 05 de julho

    11h30
    Mesa 16
    As sem-razões do amor
    [Esta mesa mudou de horário e agora passa a ser Mesa 17 às 14h30]
    Catherine Millet em conversa com Maria Rita Kehl
    Em 2001, a crítica de arte francesa Catherine Millet fez de sua vida sexual movimentada o tema de um livro – e sacudiu as hostes conservadoras na Europa e nos Estados Unidos. Em 2008, publicou um livro que é o reverso do primeiro: um relato de como foi dominada pelo ciúme ao saber das aventuras sexuais do marido. Nessa mesa em Paraty, ela discute sua trajetória literária incomum com a psicanalista Maria Rita Kehl.

    14h30
    Mesa 17

    [Esta mesa mudou de horário e agora passa a ser Mesa 16 às 11h30]
    O futuro da América
    Simon Schama em conversa com Lilia Moritz Schwarcz
    O futuro da América, livro mais recente do historiador inglês Simon Schama, revê a história dos Estados Unidos a partir dos temas da guerra, da religião, da imigração e da fartura. Os protagonistas são personagens comuns que atravessam momentos-chave da história do país – atores da “história narrativa” de que Schama é um dos mais notórios praticantes no mundo. Sobre esse trabalho, Schama conversa com a historiadora e antropóloga brasileira Lilia Schwarcz – um dos nomes fortes dessa corrente historiográfica no Brasil.

    16h15
    Mesa 18
    Antologia pessoal

    Edson Nery da Fonseca e Zuenir Ventura
    A memória afetiva é o mote desta mesa que encerra a homenagem a Manuel Bandeira. Amigo e correspondente do poeta, o professor Edson Nery da Fonseca relembra os anos de convivência no Rio e em Pernambuco. Ex-aluno de Bandeira, Zuenir remonta aos tempos de aprendizado com o mestre. Na mediação, o jornalista Humberto Werneck, biógrafo de Jaime Ovalle e bandeiriano de primeira linha.
    Mediação: Humberto Werneck

    18h
    Mesa 19 - Livro de cabeceira

    Autores da Flip leem trechos de seus livros prediletos
    Autores FLIP 2009

    * * * * *

    Outra mudança ocorrida foi em relação ao título e tema da Mesa 7, às 11h45 de sexta-feira, dia 03, compartilhada pelos autores Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho.

    O título da mesa, “A névoa da guerra” agora é “O avesso do realismo”.

    A sinopse anterior:
    O afegão naturalizado francês Atiq Rahimi ganhou o prêmio Goncourt pelo romance Syngué sabour (2008), centrado na história de uma mulher e do marido agonizante em meio ao conflito civil no Afeganistão. O filho da mãe (2009), de Bernardo Carvalho, também enquadra a violência da guerra por lentes sutis – o sofrimento das mães para saber sobre os filhos enviados para regiões de conflito. Esse é apenas um dos diversos pontos de partida para o debate entre os autores em Paraty.

    A sinopse atual:
    No trabalho de Bernardo Carvalho e de Atiq Rahimi invenção e experimentalismo falam mais alto do que as aspirações à prosa realista. Ambos não abrem mão da imaginação e do artifício como pilares da literatura – e levam ao limite a exploração das possibilidades abertas pela criação literária. Esse é apenas um entre os diversos pontos de partida para o debate entre os dois em Paraty.

    Talvez a mudança (certamente para melhor) tenha ocorrido diante desta percepção: “esse é apenas um entre os diversos pontos de partida para o debate entre os dois”. Eu preferi este ponto, confesso.

    Mais sobre todos os dias da programação principal aqui.

    Então, seguimos esperando a programação Casa da Cultura sair do forno a qualquer momento. E quem sabe, a OFF FLIP nos traga boas notícias também. Esperemos com amor no coração, não é mesmo? ;o)

    Show de abertura FLIP 2009

    May 28th, 2009 por Ane Aguirre

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    Adriana Calcanhoto, com abertura de Romulo Fróes e banda, fará o show de abertura da sétima edição da FLIP, marcado para às 21h30 do dia 01 de julho.

    A informação foi divulgada hoje pela organização do evento.

    O show acontece na Tenda do Telão. Os ingressos no valor de R$ 30,00 podem ser adquiridos antecipadamente através do sistema Ingresso Rápido por Internet, telefone (4003-1212) ou pontos de venda a partir das 10h do dia 01/06/09.

    Resultado Oficina FLIP 2009

    May 28th, 2009 por Ane Aguirre

    Relação dos selecionados para participação em Oficina de Poesia FLIP 2009, conforme divulgação pelo site oficial:

    Adriana Aparecida Quartarolla
    Ana Cristina Gomes Marotti
    Analu Andrigueti
    André Vinícius Pessôa
    Arcângelo José Libos
    Cristine Gerk
    Dayane Celestino de Almeida
    Débora Didonê
    Eduardo Augusto Muylaert Antunes
    Fernanda Passarelli Hamann
    Flávio de Araújo
    Gabriela Marcondes
    Isadora Goldberg Sinay
    Juliana Krapp
    Laura de Assis Souza
    Leandro Leite Leocadio
    Luciano Rosa
    Márcia Maia
    Marcos Bassini
    Maria Carolina de Bonis
    Maria Cecília Brandi
    Maria de Lourdes Barbosa de Oliveira
    Paulo da Luz Moreira
    Raimundo de Moraes
    Regina Vilarinhos
    Sarah Kersley
    Simone Couto
    Tania Teixeira da Silva Nunes
    Vera Milanesi
    Walter Solon

    Para concluir o processo de inscrição é necessário depositar a taxa de R$ 100,00 até o dia 11/06 e enviar e-mail com cópia do comprovante até o dia 18/06.

    Depósito:
    Associação Casa Azul
    Banco Itaú (341)
    Agência 0183
    Conta corrente 27016-4
    CNPJ 05241493/0001-75

    E-mail:
    Ricardo Manrubia:  ricardo@casaazul.org.br  

    Dados necessários no e-mail:
    Nome, e-mail, CPF, RG, telefones para contato e cópia do comprovante de depósito.

    Fonte: Site Oficial - Oficina

    Edna O’Brien: o peso de cada um.

    May 27th, 2009 por Sergio Fonseca

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    Em conversa com Marek Eben durante o Festival de Literatura de Praga em 2007, Edna O’Brien diz que seus livros não são bem-vindos na Irlanda, são quase como uma espécie de crime. Ainda assim, a Irlanda é um tema constante, mas não chega a ser uma luta, para ela isto não é um conceito tão simplista. “Escrever um livro toma tempo, muita reflexão, bem como três ou quatro anos no processo. Infelizmente para mim, meu primeiro livro foi escrito em três semanas, ele se escreveu sozinho, como uma canção”, diz Edna.

    Country Girls, foi escrito de forma passional, entre sentimentos de perda, de amor, sem desconsiderar a necessidade de alguma luta diante do confronto entre a literatura e a aceitação dela. “O que eu realmente aprecio e quero como leitora, bem como escritora, é o peso, o lado obscuro de uma sociedade ou um país ou um indivíduo”.

    James Joyce por Edna O’Brien

    May 26th, 2009 por Ane Aguirre

    Era uma vez um homem que andava por uma rua de Dublin e se denominava Dédalo, o feiticeiro, construtor de labirintos e das asas de Ícaro, que voou até tão próximo do sol que caiu, como o apóstolico dublinense James Joyce iria mergulhar fundo num mundo de palavras – das “epifanias” da juventude às “epistoloucologias” dos anos seguintes.

    ***

    Um homem de gostos indecentes e incoerências gritantes, que tinha medo de cachorros e trovões, mas impunha medo e submissão àqueles que conhecia; um homem que aos trinta e nove anos chorava por não ter tido uma grande família própria e, apesar disso, maldizia a sociedade e a Igreja para a qual sua mãe, como tantas mães irlandesas, era um ” vaso de parir rachado”.

    ***

    A morte, porém, nem queima nem mata a mãe da lembrança, e em sua ficção ela volta para atormentá-lo repetidas vezes, a mortalha atirada longe, os olhos vidrados fitando-o do além túmulo para sacudir e dobrar sua alma. Só para ele. Era como se fosse um filho único, o que num certo sentido ele sentia ser, embora também se descrevesse como um filho adotivo. Que tinha medo dela, não há dúvida, e que fez tudo para reprimir esse medo, é igualmente certo, mas o efeito dela nele era de longo alcance. O beijo de língua de uma prostituta, a hóstia na língua e a ternura da mãe eram os três símbolos que combatiam por sua alma. Se ela não houvesse morrido então, ele, por sua arte, teria tido de matá-la. Escritores e suas mães – profundezas não cartografadas.

    Edna O' Brien: James Joyce - Breves Biografias
    Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1999, pgs. 9, 30.

    O filho eterno

    May 26th, 2009 por Sergio Fonseca

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    Nascido em Lajes, Santa Catarina em 1952, Cristovão Tezza mudou-se ainda criança para Curitiba e hoje se diz um “Curitibano integral”. Durante a adolescência, viveu na efervescência do Brasil da Ditadura militar e da contra-cultura. Trabalhou muito tempo em teatro, morou um ano em Portugal, foi mochileiro na europa, trabalhou na Alemanha, viu o Brasil de longe e em 1974 acompanhou de perto a Revolução dos Cravos, movimento que trouxe a liberdade ao povo português. Publicou o primeiro livro, A Cidade Inventada, em 1979.

    A literatura como forma de enfrentar as questões mais delicadas

    Em O filho eterno, Cristovão Tezza conta a história de um casal num momento de ruptura na vida: a chegada do primeiro filho. No entanto, nas palavras do narrador, uma criança com “um pequeno problema. Ele tem mongolismo.” A fronteira entre a ficção é a realidade se esgarça, sabendo que a base do romance é a própria história do relacionamento entre o escritor e seu filho Felipe no decorrer de mais de duas décadas. Autor consagrado nacionalmente, Cristovão Tezza investiga sua própria memória neste romance, que marca o retorno do escritor à Editora Record. “Foi o livro mais difícil da minha vida — justamente por correr o risco, pela proximidade emocional, de soçobrar no lugar-comum — mas eu sabia que teria de escrevê-lo. Finalmente me senti maduro para enfrentá-lo.” O filho eterno é o décimo segundo romance do autor, o primeiro após a publicação de O fotógrafo, aclamado com os prêmios da Academia Brasileira de Letras e da Bravo! de melhor romance de 2004. O livro anterior do autor, Breve espaço entre cor e sombra, de 1998, também foi agraciado com um prêmio importante, o Machado de Assis, da Biblioteca Nacional. Porém, Tezza afirma que os prêmios recebidos pelos últimos romances nada influenciaram na escrita de O filho eterno. “O impulso que me leva a escrever um livro tem sido sempre mais forte que as circunstâncias”, disse. Apesar da história ser calcada na relação entre um pai, escritor, e um filho com síndrome de Down, Tezza deixa claro que sempre existe espaço para a ficção. Cita para tanto uma das epígrafes do livro, de Thomas Bernhard: “queremos dizer a verdade e, no entanto, não dizemos a verdade”. Junto com O filho eterno chegam às livrarias os relançamentos de Aventuras provisórias, Trapo, e O fantasma da infância, três outros romances do autor que foram originalmente publicados nas décadas de 1980 e 1990.

    O texto acima faz parte da entrevista com Cristovão Tezza, no site da Editora Record. Leia na íntegra aqui.